Obscurantismo

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Se as estratégias de vacinação não tivessem sido bem estabelecidas, teríamos um mundo de poliomielite, sarampo, rubéola, malária, febre amarela e tantas outras doenças infecto contagiosas. Quando vejo uma horda de seres humanos protestando contra a vacinação, temo pelo futuro do país e do planeta.

Escrito por Barão de Lavapés


Acredito que uma das mais deletérias ações para a humanidade é o obscurantismo. Quando alguém afirma que a Terra é plana e que as viagens espaciais são montagens enganosas, pode ser muito engraçado e proporcionar boas risadas. Entretanto, é preocupante quando esse pensamento forma a base das ideias de líderes políticos e contamina as pessoas mais inocentes com esse tipo de idiotice. Daí a acreditar que vacina dá câncer, é um passo.

Se as estratégias de vacinação não tivessem sido bem estabelecidas, teríamos um mundo de poliomielite, sarampo, rubéola, malária, febre amarela e tantas outras doenças infecto contagiosas.

Quando vejo uma horda de seres humanos protestando contra a vacinação, temo pelo futuro do país e do planeta. Esse fato me faz lembrar de um professor de Filosofia que tive no último ano do curso científico, antiga vertente do ensino médio. 

Ele sempre dizia com ar doutoral: “Estatística é a arte de dizer mentiras com números exatos” o que, certamente, levou alguns jovens a formar uma visão totalmente equivocada desse ramo da ciência. Ele não tinha qualquer conhecimento do assunto, mas falava com suposta sapiência e era tido como grande intelectual.

Felizmente, dois anos depois, na escola de engenharia aprendi que estatística não se resume a cálculos de médias e porcentagens. Hoje assistimos o grande desenvolvimento das telecomunicações, do processamento de imagens médicas e da inteligência artificial com base no estudo da estatística dos processos aleatórios.

Foto de Alex Green no Pexels

Esse mesmo professor era um forte combatente da Cibernética e, no final dos anos 1960, tecia ácidas críticas ao seu desenvolvimento, sem se dar conta dos inúmeros benefícios que, ao longo dos anos, ela proporcionou.

Pena que as comunicações, onipresentes no mundo atual e devidas ao grande desenvolvimento científico e tecnológico, sejam, muitas vezes, usadas para detratar e denegrir a própria ciência. É triste ver a Internet ser usada para as fake-news e para a divulgação de mentiras que obscurecem a visão das pessoas.

A Internet contribui de maneira nunca vista para a divulgação do conhecimento. Infelizmente, leva junto o obscurantismo que aparentemente autoriza um jornalista sensacionalista a falar com suposta autoridade sobre epidemiologia.

Osvaldo Cruz treme no túmulo.

Foto destaque de RF._.studio no Pexels


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Luciana Helena Mussi

Luciana Helena Mussi

Engenheira, psicóloga, mestre em Gerontologia pela PUC-SP e doutora em Psicologia Social PUC-SP. Editora-executiva da revista Kairós Gerontologia. Coordenadora da Coluna Filmografia do Portal do Envelhecimento. Professora do Curso de Especialização em Gerontologia (Cogeae-PUCSP). E-mail: lucianahelena@terra.com.br.

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