O Teu Sorriso

Tempo de Leitura: 4 minutos

O curta “O Teu Sorriso” é um pouco de tudo ao mesmo tempo: é namorar, é transar, é conversar, é comer, é rir e, claro, não necessariamente nessa mesma ordem. Tudo depois dos 60, 70, 80, 90.


Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são só o princípio – nem sequer o princípio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para além dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência.” (Extraído do romance “Faz-me falta” de Inês Pedrosa)


O que você acha de darmos uma trégua: deixarmos as dores e os sofrimentos, um pouquinho de lado, descansando lá na caverna das sombras, e viajarmos nas águas agitadas e turbulentas do amor? Se você ficou tentado ou tentada, então, me dê a mão e vamos sair por aí nesse mês de junho (e não apenas…). Bem, já sei o que você me dirá: alerta, perigo menina, juízo, sem beijos, sem abraços, sem toques calientes, sem e sem e sem… e, antes que eu me esqueça, só de máscara, álcool gel, luvas… Ufa, já cansei de tudo isso. Quero mais é ver um sorriso!

Ah… esse ano de 2020, quem poderia imaginar?

Mais uma chance, por favor. Tive uma ideia. Será que poderíamos, pelo menos, disfrutar de tudo que temos pleno direito no exercício da imaginação? Seria assim: daríamos forma, cor e conteúdo às palavras do bem querer, imprimiríamos movimento aos desejos reprimidos e, por fim, viveríamos na lembrança os momentos de êxtase já vividos.

Devo dizer que, apesar dos altos e baixos desse sentimento, na maior parte do tempo, quase bipolar, continuo perseguindo e acreditando nessa obsessão macia, às vezes rude, imperfeita, anacrônica. E, se não fosse assim, não seria amor.

Depois dessa breve introdução, apresento a você “O Teu Sorriso”, curta metragem brasileiro, dirigido por Pedro Freire, que  tem no elenco Paulo José  como o delicioso Rodrigo e Juliana Carneiro da Cunha como a apaixonada e delicada Suzana.

Seriam dois adolescentes? Mais um caso de amor chatinho da juventude? Mais do mesmo? Eu te respondo um categórico, não.

Freire consegue construir uma história simples, mas ao mesmo tempo poética e muito igual ao que vivemos quando temos a sorte de sermos brindados com a paixão, não importa a idade. Não aquela que vem e vai numa fração de segundo, refiro-me aquela que crava na pele e lá permanece.

Rodrigo e Suzana são um exemplo do início “do muito e do tudo” que poderá vir a ser. Estão namorando há poucas semanas. Ele tem 72 anos, ela tem 60, e estão completamente apaixonados.

A melodia, o dedilhar no violão, pernas entrelaçadas, cabelos que se enroscam, lábios que se tocam, línguas que se encontram. Sorrisos de afeto se mesclam ao desejo lancinante da carne. E depois… vem o doce cansaço, o suspiro, o calor, o prazer daquele ventinho que alivia a temperatura do corpo e da alma.

Ah… quando se tem “O Teu Sorriso”, até as brincadeiras mais ingênuas ocupam seu devido espaço.

– Ele: Temos que comemorar, um mês de namoro. Eu vou ganhar presente? É você, meu presente.

– Ela: Então, eu vou te dar girassóis e uma massagem.

– Ele: Olha, eu estou grávido… de você.

E aí, vem a fome, o clássico omelete que não requer prática e menos ainda habilidade, próprio dos amantes.

Tudo tão simples, os gestos, os olhares, o banho, o sentir da pele molhada, das novas juras de amor até, enfim, homem e mulher serem tomados pelo bom sono tranquilo e em paz, próprio dos amores plenamente correspondidos.

Se eu fosse resumir, diria que “O Teu Sorriso” é um pouco de tudo e quase tudo ao mesmo tempo: é namorar, é transar, é conversar, é comer, é rir e, claro, não necessariamente nessa mesma ordem. Tudo depois dos 60, 70, 80, 90… Quem sabe…

Dedicado aos amores que nos fazem melhor a cada dia e, especialmente ao meu que ainda desperta todas as borboletas dentro de mim.

Gênero: Ficção
Subgênero: Romance
Diretor: Pedro Freire
Elenco: Juliana Carneiro da Cunha e Paulo José
Duração: 19 min     Ano: 2009     País: Brasil     UF: RJ


Luciana Helena Mussi

Luciana Helena Mussi

Engenheira, psicóloga, mestre em Gerontologia pela PUC-SP e doutora em Psicologia Social PUC-SP. Editora-executiva da revista Kairós Gerontologia. Coordenadora da Coluna Filmografia do Portal do Envelhecimento. Professora do Curso de Especialização em Gerontologia (Cogeae-PUCSP). E-mail: lucianahelena@terra.com.br.

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