O que se vem publicando sobre idosos com Doença de Alzheimer?

A pesquisa foi realizada no Periódico Capes, uma busca avançada com as combinações das palavras-chaves: gerontologia, Alzheimer e envelhecimento, abarcando o período de 2005 a 2015.

Bruna Mendes e Beltrina Côrte *

 

o-que-se-vem-publicando-sobre-idosos-com-doenca-de-alzheimerEncontramos 123 produções, das quais apenas 25 entraram nos critérios de inclusão: 16 artigos, 4 dissertações e 5 teses, publicados e pesquisados em território brasileiro, em língua portuguesa e tendo no título a palavra Alzheimer e envelhecimento.

Muito se tem falado sobre a Doença de Alzheimer (DA) nas redes sociais, o que tem deixado questionamentos sobre o que de fato é cientifico em manchetes que trazem como tema a cura do Alzheimer ou cirurgias para reverter a doença que acomete principalmente pessoas mais velhas.

A doença de Alzheimer é um distúrbio degenerativo do sistema nervoso central que resulta, gradualmente, numa perda de memória, em alterações de comportamento e personalidade, juntamente com um declínio cognitivo, a ponto da pessoa não reconhecer quem ela é.

Pesquisas acadêmicas vêm assinalando que a DA se manifesta a princípio pela perda de memória para fatos recentes e, depois, atingindo outras funções cognitivas, como a linguagem e as funções executivas; comprometendo as atividades sociais do cotidiano e funcionais de indivíduos, principalmente entre 70 e 80 anos, podendo em alguns casos aparecer precocemente nos 50. A demência é um conjunto de sintomas que inclui a perda progressiva e gradual das funções cognitivas, comportamentais, declínio da capacidade de raciocínio e julgamento, além da presença de depressão.

Cientificamente a causa da doença de Alzheimer ainda continua confusa e muito controversa, porém, três suposições têm sido traçadas quanto sua causa: perda da homeostase do cálcio, alterações do metabolismo oxidativo e componente genético envolvido na patologia.

A DA é considerada uma das principais causas de incapacidade e dependência entre os idosos, e conforme o índice desta enfermidade aumenta, o desafio é maior para os profissionais, especialmente os da saúde, a fim de melhorar a qualidade de vida para quem tem a doença assim como para seus familiares e prevenir problemas de saúde.

Pesquisas brasileiras

A fim de verificarmos o que se está pesquisando e publicando sobre a Doença de Alzheimer no país, resolvemos fazer uma pesquisa de revisão bibliográfica, um método científico para busca e análise de artigos de uma determinada área da ciência, envolvendo a área de conhecimento da Gerontologia.

A pesquisa foi realizada no Periódico Capes, uma busca avançada com as combinações das palavras-chaves: gerontologia, Alzheimer e envelhecimento, abarcando o período de 2005 a 2015.

Encontramos 123 produções, das quais apenas 25 entraram nos critérios de inclusão: 16 artigos, 4 dissertações e 5 teses, publicados e pesquisados em território brasileiro, em língua portuguesa e tendo no título a palavra Alzheimer e envelhecimento.

Dos 25 autores, 21 eram do sexo feminino e quatro do sexo masculino, comprovando com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2009), que mostram que as mulheres estudam mais que os homens, que elas buscam se aperfeiçoar, terem mais tempo de estudo em relação ao sexo masculino e por tentarem se igualar ao homem em relação a igualdade no ambiente de trabalho. Verificamos, assim, a feminização de pesquisadores sobre o envelhecimento, somando-se à feminização da velhice.

Dos 25 trabalhos identificados, seis foram realizados por profissionais da Enfermagem, oito da Psicologia, um da Fonoaudiologia, um da Farmácia, um da Biologia, quatro da Fisioterapia e quatro da Medicina. Observamos que a maioria dos profissionais que pesquisam sobre a Doença de Alzheimer são da área da saúde, mostrando que o foco da pesquisa está mais no organismo, e não no sujeito.

Os trabalhos foram classificados nos seguintes temas: a) cuidados com o Idoso portador de DA, b) cuidadores de idoso portador de DA, c) avalição do estado cognitivo dos idosos com DA, e d) DNA dos portadores de DA.

Cuidados com os idosos portadores de DA

Dos Trabalhos encontrados, sete deles estão relacionados aos cuidados com o idoso portador de doença de Alzheimer, eles foram devidamente subdivididos em: três relacionados às contribuições de cuidados, dois à qualidade de vida, um ao tratamento, um ao diagnóstico de Alzheimer. Verificamos que os trabalhos focam na estratégia da melhora de qualidade quanto ao cuidado, dando importância à qualidade de vida do idoso, alimentação, à prática de atividade física. Alguns trabalhos ressaltam a importância em se avaliar com precisão os resultados dos exames laboratoriais. Um trabalho que chama a atenção fala da importância do papel do enfermeiro e as contribuições que ele pode fornecer ao idoso com DA por meio de atribuições e competências profissionais, passando orientações sobre o cuidado para idosos e familiares, melhorando assim seu longeviver.

Cuidadores de idosos com DA

Os idosos portadores de doença de Alzheimer necessitam de um cuidado e atenção especial, cuidado que sobrecarrega os cuidadores que se dedicam ao cuidado. Os sete trabalhos selecionadas com esta foram divididos em: três sobre qualidade de vida dos cuidadores, dois sobre cuidadores familiares e dois sobre a dificuldade vivenciadas pelos cuidadores. Observamos que estas produções buscam revelar e caracterizar o contexto e os eventos que ocasionam o estresse ao cuidador, entre eles a falta de tempo de cuidar de si mesmo, e as pessoas na família disponíveis ao cuidado do familiar com demência.

o-que-se-vem-publicando-sobre-idosos-com-doenca-de-alzheimerEstado cognitivo do idoso com DA

Os idosos acometidos por Doença de Alzheimer apresentam dificuldades nas funções cognitivas. Foram selecionadas 10 produções, as quais as classificamos em: quatro sobre o desempenho e habilidades cognitivas, dois sobre a estimulação cognitiva, e três sobre declínio cognitivo. Alguns deles buscavam comparar o estado cognitivo do idoso com envelhecimento normal e patológico com DA. O idoso com DA apresenta dificuldade em realizar suas atividades de vida diária nos estágios iniciais da doença em relação ao idoso com envelhecimento normal. Outros trabalhos avaliam o estado cognitivo do idoso com DA por meio de oficinas terapêuticas que buscam realizar atividades de reabilitação cognitiva para obter a preservação da funcionalidade e do autocuidado do idoso com demência. Outros ainda avaliam o efeito do programa multiprofissional para a melhora do estado cognitivo, como resposta à funcionalidade da pessoa com DA leve e moderada.

Estudo com idosos portadores DA

Identificamos apenas um artigo relacionado ao estresse oxidativo que tem grande relação ao processo do envelhecimento e com a patogênese das doenças neurodegenerativas. O objetivo do trabalho foi avaliar os linfócitos dos pacientes portadores de DA que apresentam alterações nos níveis de expressão. O estudo também fala que a projeção da doença de Alzheimer está estritamente associada a anormalidades metabólicas e oxidativas.

Considerações breves

São muitas as pesquisas relacionadas à Doença de Alzheimer, mas ela ainda é um mistério a ser desvendado. Na pesquisa realizada observou-se que a maioria das publicações estão relacionadas a estudos que avaliam o estado cognitivo e as funcionalidades do idoso portador de DA; outros ao cuidado e melhora da qualidade de vida do idoso, e trabalhos relacionados a sobrecarga do cuidador de idosos com DA.

Os resultados mostram que o foco da geriatria e da gerontologia clínica é predominante, o que é explicado pela área disciplinar dos profissionais que pesquisam sobre a doença: a maioria é da área da saúde. Este fato nos leva a apontar a necessidade de pesquisas sobre as questões afetivas, relações sociais e contextos socioambientais dos idosos com demência, e como isto pode interferir no desenvolvimento da doença.

* Bruna Mendes – Enfermeira, Pós Graduada pelo Albert Einstein e Mestranda em Gerontologia pela PUC-SP. E-mail: bruna_mendes91@hotmail.com.

Beltrina Côrte – Jornalista, docente do mestrado em Gerontologia da PUC-SP e editora do Portal Edições. Email: beltrinac@gmail.com

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