O que é fragilidade?

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É cada vez maior a demanda por cuidados formais em saúde aos idosos fragilizados, sendo a institucionalização um desfecho frequente para esse grupo. As instituições de longa permanência (ILPI’s) para idosos representam um desafio, pois as alterações próprias do envelhecimento e as doenças pré-existentes podem ser agravadas pelas dificuldades de adaptação dos idosos às novas condições de vida, e pela falta de motivação e encorajamento comuns nesse ambiente, tornando o idoso vulnerável à fragilidade e ao declínio funcional.

Elaine Cristina Borghetti (*)


Fragilidade é considerada uma síndrome clínica com impacto significativo na vida dos idosos, de suas famílias e em seu entorno social, uma vez que é precursora de diferentes desfechos adversos em saúde e está associada a maior demanda de serviços sociais e de saúde, elevando de forma significativa os custos assistências. Os idosos fragilizados apresentam risco acentuado para quedas, incapacidade, hospitalizações e morte, necessitando de cuidados permanentes para prevenir a ocorrência de desfechos clínicos negativos.

Nesse contexto, é cada vez maior a demanda por cuidados formais em saúde aos idosos fragilizados, sendo a institucionalização um desfecho frequente para esse grupo. As instituições de longa permanência (ILPI’s) para idosos representam um desafio, pois as alterações próprias do envelhecimento e as doenças pré-existentes podem ser agravadas pelas dificuldades de adaptação dos idosos às novas condições de vida, e pela falta de motivação e encorajamento comuns nesse ambiente, tornando o idoso vulnerável à fragilidade e ao declínio funcional.

O idoso pelo fato de estar vivendo em uma Instituição de Longa Permanência já é considerado frágil ou em situação de fragilidade. As grandes Síndromes Geriátricas com que me deparo diariamente por trabalhar em uma ILPI e que é muito comum nos idosos fragilizados, são:

1) Incapacidade Mental: Delírios e demências

2) Iatrogenia: Profissionais de saúde e medicamentos

3) Instabilidade postural: Quedas e faturas

4) Incontinências: Mau cheiro, isolamento social e rejeição.

5) Insuficiência Familiar: Maus tratos, negligência e abandono.

6) Imobilidade: Úlceras de decúbito e pneumonia

Dentro dos objetivos da Gerontologia, estão a prevenção, tratamento e reabilitação dessas grandes síndromes para assim atingir o maior grau possível de autonomia e independência funcional e melhorando a qualidade de vida do idoso.

Dentro do curso de Extensão “Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento”, promovido pela PUC-SP, os interessados pelo assunto têm uma grande noção dos avanços e conquistas dentro da área da Gerontologia e do quanto temos que ainda avançar. Para mim os estudos foram muito úteis e puderam ser aplicados imediatamente em minhas análises que atingiram cerca de 120 idosos e com um olhar gerontológico.

Pude observar o quanto essas síndromes estão intrinsicamente vinculadas às fragilidades existentes na instituição. Pude ainda distinguir entre alterações do envelhecimento: Senescência (fisiológico), e a presença de doenças: Senilidade (patológico) e melhorar o atendimento interdisciplinar com uma avaliação mais individualizada dos idosos, sendo esta última talvez a de maior importância por se tratar de um ambiente institucionalizado e preservar a individualidade de cada um ser extremamente fundamental para o contexto da Gerontologia e para a identidade do sujeito em questão.

Como contribuição faço um pequeno resumo dessa primeira aventura para que outros possam se inspirar e também embarcarem rumo ao conhecimento gerontológico:

Envelhecimento e velhice na contemporaneidade

Faz-se necessária uma interpretação reflexiva e crítica da realidade atual, das políticas públicas e dos processos sociais vigentes a fim de captar os movimentos contraditórios existentes, tendo em vista a compreensão do processo de envelhecimento e da velhice, a identificação dos avanços, dilemas e desafios que caracterizam o mundo.

Atenção multidisciplinar à saúde do idoso

O processo de envelhecimento e as doenças que podem ocorrer acarretam repercussões sobre o próprio indivíduo, a família e a sociedade. Os serviços de atenção à saúde e a demanda de atendimento aos idosos precisam ser reconhecidos quanto as suas concepções e práticas, considerando-se a dimensão multidisciplinar dos mesmos.

Bioética, longevidade e envelhecimento

A disciplina parte de algumas perguntas: De quem é a vida? Profissionais de saúde, cuidadores, mídia, familiares, ocluindo a voz e a autonomia dos velhos? Discute o que são Cuidados Paliativos: respeito aos limites e potencialidades da vida! O que é? Para quem? Como? Onde? Em que momento estamos no Brasil? Para então falar das dores e delícias de quem cuida de velhos frágeis… Cuidando de quem cuida!

Atendimento gerontológico às velhices fragilizadas

A disciplina engloba diferentes temas de reflexão sobre saúde e envelhecimento a partir de enfoques multidisciplinares, evidenciando o atendimento gerontolólico multidimensional à velhice fragilizada, até o momento pouco discutido e executado.

(*)Elaine Cristina Borghetti é Assistente Social e atua em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos no interior de São Paulo. Está terminando o curso “Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento”, de curta duração, ofertado pela PUC-SP. O próximo terá início em agosto. Email: [email protected]

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