O mesmo ambiente promove bem-estar aos idosos de modo semelhante?

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A percepção das pessoas sobre o conforto em ambientes abertos ou fechados depende de diferentes aspectos individuais.


Entende-se que o ser humano está em boas condições de conforto ambiental quando se encontra satisfeito em um determinado espaço. Mas, é preciso refletir: o mesmo ambiente promove esse bem-estar para todas as pessoas de modo semelhante? Devem ser considerados aspectos luminosos, acústicos e térmicos, sendo que a percepção dos indivíduos sobre o conforto em ambientes abertos ou fechados depende de diferentes aspectos individuais.

O primeiro deles é o gênero, pois o metabolismo de homens e mulheres é diferente. Sendo assim, podemos simplificar afirmando que eles sentem menos frio do que elas, embora seja uma redução que descartaria outros elementos igualmente importantes. Com a circulação sanguínea mais rápida e a maior quantidade de massa muscular, homens jovens têm essa característica, o que altera a percepção sobre temperatura. Mas é preciso considerar também a quantidade de gordura corporal, que pode criar uma proteção contra o frio, mas evidentemente não é saudável em muitos outros aspectos.

A capacidade sensorial depende da manutenção dos sentidos dentro de um espectro regular, ou seja, para que seja considerada com deficiência, uma pessoa precisa estar fora de parâmetros médios de acuidade visual e auditiva, além de manter características táteis e de mobilidade. O paladar também se altera com o avanço da idade, assim como o olfato. Portanto, há uma infinidade de aspectos que interferem na percepção sensorial dos indivíduos para que o ambiente satisfaça.

A condição de saúde é outro aspecto, já que qualquer alteração causada por agentes virais ou bacterianos pode causar febre, o meio pelo qual o organismo acusa que algo está fora da normalidade. Mesmo quando está em processo de normalização, o corpo pode exigir condições mais adequadas de temperatura para sentir conforto e, então, a percepção é alterada.

Um erro frequente é achar que manter fechados os ambientes onde estão pessoas doentes as preserva para um reestabelecimento mais rápido, mas a renovação do ar é fundamental para que a higiene local seja mantida, arrastando para fora esses agentes nocivos. O ar condicionado pode criar ainda condições piores e, portanto, criar estratégias para ventilação eventual será sempre bem-vinda.

Enfim, a idade avançada naturalmente pode aumentar a fragilidade causada pela perda de massa muscular, da capacidade sensorial e por doenças variadas, especialmente as crônicas. A iluminação deve ser suficiente para possibilitar leitura, mas evitando reflexos que criem imagens falsas e desorientadoras.

Os ruídos precisam ser controlados, especialmente o uso de aparelhos sonoros com volumes muito altos, o que pode ser manejado utilizando fones sem fio ou outros recursos tecnológicos. A temperatura média é a ideal, pois o artifício de agasalhos adequados resolve o problema. Mas nisso entra a necessidade da ventilação e da insolação com o objetivo de higienizar os ambientes, especialmente os de permanência por muitas horas. Desse modo haverá conforto adequado a todos, com bem-estar e satisfação pela vida.

Foto destaque de Vlada Karpovich/Pexels


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Maria Luisa Trindade Bestetti

Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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