O mais importante é ser fiel a nós mesmos e aos nossos sonhos

O Prof. Canísio Mayer do curso da Universidade Aberta à Maturidade – UAM PUC-SP, foi entrevistado pelo Jornal Maturidades. Ele descobriu três pilares que lhe são muito caros, importantes e decisivos: a verdade em forma de coerência, a liberdade em forma de possibilidades e o amor em forma de profundidade. Segundo ele, esta tríade – verdade, amor e liberdade – são seus motores de vida. Para ele, “o mais importante é ser fiel a nós mesmos e aos sonhos que podem ser sonhados e vividos”.

Redação Jornal Maturidades *

 

Não só pela sua presença marcante e andar firme, o Prof. Canísio Mayer é imprescindível no curso da Universidade Aberta à Maturidade – UAM PUC-SP, mas, também, pela sua excelente e abrangente formação acadêmica nas áreas de maior recursos para atender as necessidades humanas de cada dia, relacionadas à sensibilidade, afetividade e espiritualidade. É um poeta que canta a verdade de que: “Por trás de um sonho possível, existe a fé no possível. Por trás de um sonho impossível, existe a realização dos sonhos tidos impossíveis”. Ao nosso leitor desejamos o melhor aproveitamento possível de suas palavras.

Jornal Maturidades – Qual a sua formação?

Prof. Canísio Mayer – Sou formado em filosofia e teologia (Belo Horizonte) e mestre em Espiritualidade, pela faculdade dos Jesuítas em Paris, França. Além disso, sou formado pela Associação Paulista de Recursos Humanos e com vários outros cursos na área da psicologia, antropologia, sociologia e comunicação.

Qual a importância da sua formação no seu dia a dia profissional?

A formação serve como horizonte de fundo para os tipos de trabalhos que amo fazer: trabalhar na educação em diferentes níveis; dar cursos e fazer palestras para públicos das mais variadas sensibilidades e a espiritualidade. Sempre busquei a dimensão da mística, isto é, uma espiritualidade tão necessária para os nossos tempos que transcende religiões e grupos. A faculdade dos Jesuítas por onde passei é um verdadeiro ‘oásis’ de preparação de pessoas que desejam trabalhar com acompanhamento humano-espiritual e coordenar retiros para grupos de todas as idades.

Por que tanto interesse na Espiritualidade?

É um campo que gosto muito e que vai ao encontro daquilo que o teólogo alemão Karl Rahner dizia e desafiava no final do milênio anterior: “neste novo milênio ou seremos místicos ou não seremos nada”.

Sabemos que foi seminarista. O que o fez mudar a sua trajetória?
Sou uma pessoa feliz, bem humorada e ternamente séria. Entendo a vida como dinâmica dentro da qual alguns ciclos se fecham e outros se abrem. Não tenho nada contra tudo o que fui, vivi e aprendi nos tempos de seminário. Lá recebi uma educação sólida e consistente. Mas depois de bom tempo vi que não era este o meu lugar e nem o espaço da minha realização plena. Em meio ao discernimento descobri três pilares que me são muito caros, importantes e decisivos: a verdade em forma de coerência, a liberdade em forma de possibilidades e o amor em forma de profundidade. Esta tríade – verdade, amor e liberdade – são meus motores de vida. Hoje existem vários caminhos. O mais importante é ser fiel a nós mesmos e aos sonhos que podem ser sonhados e vividos. A intuição, o coração e a razão projetam luz sobre o nosso caminho que se faz na arte de caminhar. O que me fez mudar não foi algo contra, mas a favor de uma vida mais livre e mais vibrante. Tanto os leigos como os religiosos deveriam encarnar, no seu dia a dia, a dimensão profética de serem sal, luz e fermento. Sinto que são os leigos que estão muito mais próximos da realidade, dos sofrimentos e dos sonhos do povo de hoje.

Qual é a fonte de inspiração de seus poemas?

São várias as fontes inspiradoras: a grandeza de se escutar, escutar a vida, escutar possibilidades; a sutileza em olhar nos olhos, olhar para a natureza, olhar para o futuro mesmo que seja pelo retrovisor. Mas acima de tudo, o que me inspira são as pessoas, são partilhas de vida, conexões e relações humanas, são as experiências de vida degustadas por pessoas que têm nome e sobrenome. Amo andar na rua, transporte coletivo, estar no meio das pessoas e me encontrar como pessoas em comum-união nesta relação de reciprocidade. E é no coração que já brotaram mais de mil poemas.

O que sente ao materializar seus pensamentos / sentimentos em palavras escritas?

Os poemas me dão um grande prazer: nascem do coração da realidade humana e para esta mesma realidade desejam projetar luz, motivação e coragem.

Conte um pouco sobre suas raízes e sua família.

O meu sotaque, nome e sobrenome revelam facilmente minha descendência alemã. Nasci no Rio Grande do Sul, estado que é habitado por vários ‘países’ com sotaques alemães, italianos, poloneses, entre outros. Meus pais já são a quinta geração de alemães que vieram ao Brasil. Mesmo assim eles mantêm vários traços característicos da Alemanha: a língua maternal é o alemão, a organização das comunidades retrata muito as comunidades europeias, tipos de músicas, danças e tradições; o jeito de lidar com o trabalho em mutirão; a impressionante acolhida das pessoas que vêm de outras regiões, a dimensão festiva no viver, a união nas famílias reforçada pelo chimarrão que costura conversas, realidades e sonhos. Somos brasileiros em todos os sentidos e enriquecidos com várias manifestações vindas da Alemanha. Minha família é numerosa: pai, mãe e nove filhos.

Quais seus passatempos preferidos ou, melhor, seus hobbies?
Meus passatempos preferidos são vários: a prática de esporte, sobretudo jogar futebol no clube Pinheiros onde jogo em dois times e faço parte da seleção do clube; adoro escrever poemas, criar dinâmicas de grupos e passear; gosto muito da culinária paulistana, passear pela rua onde moro e contemplar a natureza, curtir o cantar dos pássaros, conversar com pessoas…

Qual o caminho que o trouxe à Universidade Aberta à Maturidade – UAM PUC-SP?

Sou da região das missões, oeste do Rio Grande do Sul. Sempre admirei os encontros de maturidade, hoje bem estruturados em todo o Brasil. Meus pais, Oscar e Lúcia, são assíduos participantes dos grupos de maturidade. Cheguei à PUC através de educadores e amigos que me indicaram como professor. Fui muito bem acolhido por todos. Sugeri quatro propostas de cursos, todas bem aceitas pelos alunos: Cinco olhares, Cinco pontas da estrela, A arte de viver e conviver e Uma mística para os nossos dias.

A que atribui à boa aceitação dos temas e o bom acolhimento?
Creio que a forma vivencial de aprender o que leciono, a participação sincera dos alunos e a forma dinâmica de tornar real cada aula têm trazido esta boa aceitação.

Conte-nos sobre a sua filosofia de vida.

Sou apaixonado pela vida e por tudo o que é simples. A simplicidade é uma roupagem que serve para todos, todos entendem e todos apreciam. Gosto de simplificar a vida. Tento amar o que faço e fazer o que amo. Uma vida que não é vivida com paixão não é profunda. Gosto de me entregar a tudo o que faço, com amor.

* Jornal Maturidades é um periódico da Universidade Aberta à Maturidade da PUC-SP. A entrevista foi estruturada pela equipe do Jornal Maturidades. Fotos: Arquivo Pessoal.

Matéria reproduzida do site pucsp.br/maturidades. Acesse Aqui 

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