O idoso e o velho

De manhã, anda de quatro,
Ao meio-dia, de dois,
E, à noite, anda de três,
Referindo-se às pernas,
À postura e à bengala
Que conduz a vida e embala
O pouco, o médio ou o muito
De tudo o que já se fez.

Verônica A .M. Cezar-Ferreira *

 

Oitenta, ontem, era noite,
Hoje, é, apenas, tardezinha,

Num tempo em que aos noventa,
A noite nem se avizinha.

Num tempo, em que aos quase cem,
Ainda há luz e comando,
Lucidez e maestria,
Se a fala é mais mansa
Ou o andar é mais lento,
Basta andar mais devagar
E ser mais esperto e atento,
Para ouvir lições preciosas,
Ensinadas, passo a passo,
Saídas desse regaço.

Ser idoso é um privilégio
Dos que souberam viver
Com força e sabedoria.
E a verdade irrefutável,
Contradiga quem puder,
É que só não será idoso,
Aquele que antes morrer.
Ser velho é uma outra coisa,
E ninguém precisa ser.
Só fica, de fato, velho,
Quem não sabe envelhecer

Ser idoso é uma dádiva
De modelo e experiência,
De coragem e sapiência
P’ra quantos vierem atrás.
Cabe a estes atentar,
Como cabe usufruir,
Mesclando o antigo e o novo,
Na arte de construir
Uma vida mais humana,
Uma vida mais feliz.

Somos todos sempre jovens,
Só que jovens há mais tempo:
Jovens de vinte, quarenta,
De noventa ou de cem,
Com o seu próprio matiz.

Assim, não importa a idade,
Sempre é tempo de fazer,
Qualquer tempo é sempre agora
Porque, quando eu for embora,
Para um tempo diferente,
Não vai valer quem eu sou,
Só vai valer o que eu fiz.

* Verônica A. da Motta Cezar-Ferreira – Advogada, Psicoterapeuta, Mediadora e Consultora Psicojurídica. E-mail: veronicacezarferreira@cy.com.br. Esta poesia foi escrita em março de 2004.
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