O envelhecimento e os desafios do convívio social e familiar

A questão do envelhecimento sugere ações que deem conta das necessidades deste grupo específico, ou seja, é de extrema importância que se discuta formas de contribuir com o envelhecimento saudável, sendo a convivência social e familiar um dos meios para isso. Mais do que uma necessidade, a convivência social e familiar é um direito e deve ser respeitado, resguardando, claro, o bem estar físico e mental da pessoa idosa, bem como a sua autonomia.

Por Rosimeire Neves de Souza Silva (*)

 

A partir de observações cotidianas sobre a população idosa, além de dados e diversos estudos já existentes, constatamos o aumenta considerável desse segmento, o que representa uma conquista para a humanidade, mas que ante um país que não tem suas questões básicas resolvidas traz alguns desafios, especialmente no que diz respeito à Saúde e à Previdência.

O impacto do envelhecimento para o país não se resume à crescente participação do idoso no total da população, pois boa parte dos idosos hoje são chefes de famílias e as rendas médias, dessas famílias, é superior a aquelas chefiadas por pessoas mais jovens, adultos.

Na atual conjuntura que vive o nosso país, tem sido difícil compreender esta realidade. Os recursos destinados à saúde e aposentadoria da maior parte dos idosos estão abaixo de qualquer investimento, pelo qual o governo deveria cumprir, seguindo o Estatuto do Idoso.

O Estatuto do Idoso prevê que o Poder Público deva criar programas de profissionalização especializada. Tudo isso existe na lei, mas não está sendo aplicado na prática. O idoso precisa ser respeitado como cidadão, como ente social. Afinal, o envelhecimento não pode ser visto como etapa inferior da vida.

O que o país tem feito?

O Brasil tem se organizado em termos de legislação na tentativa de responder às crescentes demandas da população que envelhece, preparando-se para enfrentar as questões da saúde e do bem estar dos idosos. Um grupo que emerge rapidamente no cenário da vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que o SUS está sendo sucateado.

Nesse sentido, a Política Nacional do Idoso (PNI), promulgada em 1994 e regulamentada pelo Decreto nº 1948, de 03 de junho de 1996, assegura direitos sociais à pessoa idosa, ao criar condições para promover sua autonomia, sua integração e sua participação efetiva na sociedade e reafirmar seu direito a saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS, mas um atendimento cada vez mais precário.

Na prática as políticas públicas voltadas para o processo de envelhecimento e velhice além de serem poucas, as que existem não estão sendo executadas. O Brasil não está preparado para este elevado índice de idosos presentes nas cidades brasileiras, tanto economicamente como estruturalmente.

Por outro lado os idosos estão aprendendo a lutar por seus direitos e descobrindo a força de sua união. A partir do convívio social e da troca de ideias é que nascem novas motivações e a descoberta de conquistar qualquer área seja na educação, na cultura ou na família. Mas ainda evitam situações que possam alterar sua rotina, com medo do desconhecido, mas quando conseguem romper esta barreira da insegurança se deslumbram com as novas oportunidades que podem alcançar.

Dentro do contexto familiar, os considerados idosos, homens e mulheres acima de 60 anos, estão procurando uma forma de se distrair, seja aguçando a própria vaidade como também exercendo atividades funcionais, como cuidar dos netos – crianças e ou adolescentes, outros idosos doentes; prestando serviços de banco para familiares, com o intuito de resgatar um orgulho de si ou até mesmo gratificação remunerada pelos serviços prestados. Uma forma que encontraram de mostrar que são capazes.

O trabalho em sua totalidade, independente de aclive formal, informal, voluntária ou familiar, para o idoso, é uma alternativa para a conservação e até mesmo sustentação da sua autonomia, da independência e dignidade. A auto satisfação consiste em lhe oferecer possibilidades de buscar as oportunidades que lhe permita desenvolver seu potencial próprio, bem como acesso às instituições que tratem de matérias culturais, educacional, espiritual e recreativo.

O Estatuto do Idoso aponta que pessoas com mais de 60 anos têm o direito ao exercício de atividades profissionais respeitando a condição física, intelectual e psíquica destes sujeitos e, pela mesma lei se define que é vedada a discriminação e a fixação de limite máximo de idade, salvo casos em que a natureza do cargo exigir, ou seja, grande concentração de esforço físico. No entanto, os idosos com baixa renda tendem a se manter empregados mesmo os que já estão aposentados, devido ao baixo valor da aposentadoria que não é suficiente para cobrir suas necessidades básicas.

A questão do envelhecimento sugere reflexões no sentido de que os governantes possam pensar e direcionar ações que deem conta das necessidades deste grupo específico, ou seja, é de extrema importância que se discuta formas de contribuir com o envelhecimento saudável, sendo a convivência social e familiar um dos meios para isso. Mais do que uma necessidade, a convivência social e familiar é um direito e deve ser respeitado, resguardando, claro, o bem estar físico e mental da pessoa idosa, bem como a sua autonomia.

Referências
http://www.valor.com.br/brasil/4794347/envelhecimento-da-populacao-do-brasil-deve-se-acelerar-aponta-ibge.
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46n6/29.pdf.
http://books.scielo.org/id/886qz/pdf/zanella
https://psicologado.com/atuacao/psicologia-organizacional/insercao-do-idoso-no-mercado-de-trabalho-uma-inclusao-social.

 

(*) Rosimeire Neves de Souza Silva – graduada em Serviço Social pela Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul). Experiência de estágio, na área da Assistência Social, com famílias de baixa renda do programa Minha Casa Minha Vida e o movimento de moradia da Zona Leste de São Paulo. Atua como Agente Comunitária de Saúde, em uma Unidade de Saúde da Família na Prefeitura Municipal de Guarulhos. Texto apresentado no cursoFragilidade na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento ofertado pela PUC-SP no segundo semestre de 2017. E-mail: rosinevesss@gmail.com

 

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