O desafio da geração Y

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Você com certeza já prestou atenção no comportamento dos garotos e adolescentes desta nova geração. É incrível a facilidade com que eles lidam com o computador, a internet, o celular e os jogos eletrônicos. Para mim, o mais surpreendente é sua intuição, pois eles aprendem quase tudo e se adaptam às novidades em tempo recorde.

Ethevaldo Siqueira *


Tempos atrás, discutia esse tema com um amigo, Descartes Teixeira, profissional de tecnologia da informação, e concordávamos sobre um aspecto central dessa nova geração, o fato de acharem tudo fácil, em grande parte por terem nascido e crescido cercados pelas novas tecnologias. Esses jovens são os nativos digitais.

Em contraposição a essa garotada, me assusta também o comportamento dos usuários da eletrônica digital com mais de 50 anos. Diante do computador e da internet, eles se mostram quase sempre inibidos e desajeitados, com grande dificuldade em lidar com esse novo mundo tecnológico. Em meu caso pessoal, se não estivesse profissionalmente envolvido até à raiz dos cabelos com a tecnologia da informação, eu também me comportaria como esses analfabits – apelido que sugiro para os analfabetos digitais.

A maioria dos garotos e adolescentes não concebe o mundo sem a comunicação pessoal, quase instantânea e universal, de hoje. Por isso, muitos filhos perguntam aos pais, com naturalidade, como era viver noutros tempos, sem computador, sem internet e sem celular.

Nativos digitais

Uma das coisas que mais surpreendem os mais velhos quando observam o comportamento dessa nova geração é sua capacidade de fazer diversas coisas ao mesmo tempo. Enquanto fazem a lição de casa, eles navegam na internet, falam ao celular, ouvem música no iPod e ainda jogam seus games preferidos.

Diante dessa geração, acho que as empresas de serviço, de telecomunicações, de tecnologia da informação (TI), bancos e outras deveriam dedicar-lhe mais atenção, em especial ao seu comportamento como clientes. Cercados desde a infância pelas novas tecnologias, esses usuários já estão familiarizados com quase todos os avanços e novos paradigmas do mundo digital – como agilidade, precisão, flexibilidade, sons e imagens da eletrônica e das comunicações modernas.

Conheço jovens de 15 ou 16 anos que se tornam clientes muito mais exigentes e menos tolerantes diante de qualquer falha, demora, imprecisão e outros problemas que afligem a maioria dos usuários de call centers, da banda larga, dos telefones 0800 ou dos terminais de autoatendimento.

Que é a geração Y

Geração Y é o nome dado pela publicação especializada norte-americana Advertising Age, em agosto de 1993, para caracterizar o comportamento e a personalidade dos adolescentes de então. Por que Y? Porque a revista considerava essa geração sucessora da Geração X, então com a idade entre 13 e 19 anos e nascidos entre 1974 e 1980. Por esse critério, a Geração Y seria a dos nascidos entre 1978 (ano do lançamento do microcomputador Apple II) e 1991 (ano da criação da worldwide web ou www).

Nada melhor do que dar a palavra aos próprios integrantes da Geração Y para que façam sua autobiografia, como no blog (Disponível Aqui). Eles assim se descrevem: “Somos jovens, dinâmicos, antenados, inquietos e muitas vezes impacientes. Fazemos parte da Geração Y porque nascemos entre 1978 e 1988. Crescemos jogando videogame, ouvindo música e acessando a internet; portanto, tecnologia faz parte de nossas vidas. Somos os donos da maioria dos blogs e também populamos (integramos) a maioria das comunidades e redes sociais. Gostamos de mudanças e detestamos monotonia”.

E ainda um pouco mais de sua autodescrição: “Quando o assunto é carreira, estamos sempre procurando conhecimentos técnicos e capacitação profissional. Trabalhamos melhor em equipes e procuramos empregos que ofereçam flexibilidade de horário, mobilidade (home office) e planos de carreira. Adoramos respostas às nossas questões, pois perguntamos muito. Queremos reconhecimento e promoções o quanto antes. Não temos medo de arriscar e a busca por novos ares ocorre com mais frequência”.

Poucas empresas de serviço, inclusive bancos e operadoras de telecomunicações, parecem entender a importância dessa profunda diferença entre duas gerações de usuários. Elas tratam os analfabits e os nativos digitais da mesma forma.

A geração Y será a grande usuária da banda larga nos próximos anos. Em especial a banda larga móvel, pois a telefonia celular 3G permitirá acesso à internet a velocidades entre 7,2 e 14,4 megabits por segundo (Mbps), podendo conectar-se com laptops ou netbooks via placas USB 3.0 embutidas nesses computadores portáteis, tablets, e-readers e demais aparelhos com tela sensível ao toque (touchscreen, como no iPhone). Para quê? Para todas as aplicações de computação móvel, download de fotos, vídeos e músicas.

Adolescentes e crianças – preveem os especialistas – deverão ser, em pouco tempo, usuários intensivos dos serviços 3G e, a médio prazo, dos de 4G mais sofisticados. Essa geração não enfrentará nenhuma dificuldade ou problema operacional, pois já domina ou pode dominar com facilidade a tecnologia digital e a banda larga.

*Blog do Estadão de 22.06.2010. Disponível Aqui

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