O cuidado e o cuidador na Doença de Alzheimer

Nesse texto, discutimos, brevemente, a situação de saúde e doença do portador da Doença de Alzheimer, seu cuidador e a questão familiar: quem antes cuidava e provia, hoje é cuidado; quem antes tinha autonomia, se vê cada vez mais dependente.

Isabella Berber Kai e Ruth Gelehrter da Costa Lopes *

 

o-cuidado-e-o-cuidador-na-doenca-de-alzheimerO cuidador se torna centro de apoio do paciente, e é quem tem que lidar com as tarefas diárias e sentimentos de medo, irritabilidade e vulnerabilidade.

A Doença de Alzheimer foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico alemão Alois Alzheimer, que estudou o caso de uma mulher de 51 anos que apresentava sintomas de perda progressiva de memória, distúrbios de linguagem e desorientação.

Em 1912, o psiquiatra alemão E. Kraepelin cunhou o termo “Doença de Alzheimer” para descrever o quadro que inclui perda progressiva da memória, sinais de depressão e agressividade, desorientação no espaço e no tempo; sintomas que se manifestam com maior frequência a partir dos 65 anos. Mesmo assim, pouco ainda se sabe sobre a doença, e menos ainda sobre a saúde do cuidador de uma pessoa com Doença de Alzheimer.

Há poucos trabalhos sobre a condição dos cuidadores de idosos, profissionais que também se encontram em situação fragilizada.

Ao ser diagnosticado com a demência, os familiares precisam decidir se vão institucionalizar a pessoa idosa ou assumir eles próprios os cuidados. No primeiro caso, é comum os familiares acharem que estão abandonando o idoso, mas também não querem abrir mão de suas vidas para auxiliar no cuidado de quem está precisando; é uma atmosfera movida pela culpa (Goldfarb & Lopes, 1996).

Há ainda quem negue o diagnóstico e se recuse a ajudar, e há trabalhos que falam de um processo de luto, já que, apesar de o paciente estar vivo biologicamente, aquela pessoa que sempre conheceram está sumindo aos poucos.

Pode-se dizer que se cria um outro movimento na hierarquia familiar e inversões de papéis a partir do diagnóstico; há quem tenha grande resistência em relação a ele, já que significa a perda de uma independência há muito conquistada. Quem antes cuidava e provia, hoje é cuidado; quem antes tinha autonomia, se vê cada vez mais dependente. O cuidador se torna centro de apoio do paciente, e é quem tem que lidar com as tarefas diárias e sentimentos de medo, irritabilidade e vulnerabilidade.

O nível de estresse presente nessas famílias cresce enormemente. Com o tempo, percebe-se que a perda da autonomia não é só do portador, mas também do cuidador, que abre mão de sua rotina para se dedicar à outra pessoa.

Portanto, os sentimentos de impaciência, angústia e frustração fazem parte do dia-a-dia dessas pessoas, sintomas que podem contribuir para seu adoecimento. Além disso, esses profissionais podem ser alvo de projeções de outros familiares, que depositam suas expectativas, culpa e ansiedades, tendo o cuidador familiar que lidar com toda a situação.

A saúde do cuidador também deve ser foco de atenção, já que é necessário estar bem para poder se dedicar ao outro. No âmbito familiar de um paciente com Doença de Alzheimer, há muitos sentimentos e conflitos não nomeados e mal resolvidos que precisam ter um fechamento para que o andamento do tratamento do portador ocorra da melhor maneira possível; senão lembrando sua história, mas, talvez, criando novas lembranças.

Referências

GOLDFARB, D. C. e LOPES, R. G. C. A família ante a situação de Alzheimer. 1996. Disponível Aqui

Para saber mais

ABRAZ – Associação Brasileira de Alzheimer, Evolução da doença. Disponível Aqui 

ABREU, I.D., FORLENZA, O.V. & BARROS, H.L. Demência de Alzheimer: correlação entre memória e autonomia. Revista de psiquiatria clínica, v.32, n.3. 2005. Disponível Aqui. Acesso em 28/06/2015.

CRUZ, M.N. e HAMDAN, A.C. O impacto da Doença de Alzheimer no cuidador. Psicologia em estudo, v.13, n.2, p.223-229. Maringá, 2008. Disponível Aqui. Acesso em 28/06/2015.

DOURADO, M. L. O impacto da Doença de Alzheimer nas relações familiares sob a ótica do cuidador. Disponível Aqui. Acesso em 28/06/2015.

Instituto da Memória – Núcleo de Envelhecimento Cerebral (NUDEC), Histórico da doença. Disponível Aqui. Acesso em 28/06/2015.

Vídeo. Conscientize-se!. (2014). Disponível Aqui. Acesso em 28/06/2015.

* Isabella Berber Kai – Aluna do curso de graduação de Psicologia, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), 5º semestre. E-mail: isabellabkai@gmail.com @hotmail.com .

Ruth Gelehrter da Costa Lopes – Psicanalista, Supervisora Atendimento Psicoterapêutico à Terceira Fase da Vida. Profa. Dra. Programa Estudos Pós-Graduados em

Gerontologia e no Curso de Psicologia da FACHS. E-mail: ruthgclopes@pucsp.br

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