O cuidado ao idoso, o apoio às famílias e a importância das políticas públicas

Os artigos que compõem a Revista Portal de Divulgação apresentam uma visão social para a questão do envelhecimento. Visto ainda como um ‘problema de saúde’, o cuidado ao idoso vem apresentado que, sem negar a incidência de diferentes morbidades, o longeviver pode ser uma fase de restabelecimento da identidade, aprendizagens, experiências, e exercício cidadão.

Por Beltrina Côrte e Vera Brandão (*)

 

Os quatro artigos que compõem o núcleo inicial da edição de nº 55 da Revista Portal de Divulgação se articulam de modo interessante em torno de um eixo principal: o cuidado ao idoso e o apoio às famílias e a importância da efetivação das políticas públicas. Neles se encontram as parcerias que acolhem aqueles que em seus muitos anos de vida buscaram construir uma vida digna, mas diante de uma sociedade desigual encontram-se hoje em situação precária na perspectiva biopsicossocial.

São básicos, ao longo do processo de vida – desde o nascimento até a morte – os acessos aos cuidados de alimentação, educação, e saúde, apoiados pela família e a sociedade. Mas, apesar de leis e avanços sociais, do progresso educacional e científico constata-se uma desigualdade imensa entre os cidadãos deste imenso Brasil, neste contexto o artigo Idosos Dependentes – os desafios da família na tarefa de cuidar indica como fundamental a discussão ampla dessa temática e a importância das Políticas Públicas voltadas para o segmento e suas famílias.

A mesma questão ressurge em O trabalho social com idosos e suas famílias, artigo no qual as autoras desvelam as responsabilidades da Assistência Social em programas que abrangem diferentes públicos, e suas necessidades, destacando a ação desenvolvida nestes atendimentos, sendo o público idoso um dos seus destaques.

Apontamentos sobre a história das políticas públicas sobre envelhecimento oferece o panorama – uma linha do tempo – do crescimento da população idosa a partir dos documentos internacionais que tratam dos seus direitos, e sobre os quais se apoiam as políticas de assistência no nosso país. O processo de envelhecimento, o papel social desenvolvido no interior do grupo familiar e o aparato legal de apoio aos idosos, se entrelaçam no artigo Envelhecer, completando o conjunto de reflexões.

No tópico Reflexões trazemos a importância dos vínculos na maturidade e velhice em Convivência social e qualidade de vida da pessoa idosa como experiência vivida pela autora no Centro de Convivência do Município de Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo, no qual afirma que “ao participar de grupos de convivência os idosos são estimulados para melhor integração familiar, fortalecimento de vínculos de amizade, diminuição do isolamento social, independência, resgate de autoestima, bem como valores pessoais e sociais contribuindo para noções de cidadania”.

A preocupação com o bem estar e a qualidade de vida na velhice também surge em EnvelheSER – Processo individual e coletivo no qual a autora afirma que devem estar ligados aos “valores da sustentabilidade, do cuidado de si mesmo e ambiental, da solidariedade e ressonância de convívio com o outro e com o planeta”.

Outra é a perspectiva da reflexão Envelhecer com as patologias e transtornos mentais que indica os desafios desse processo com transtorno mental já instalado. O autor afirma que na velhice a condição psicopatológica pré-existente precisa ser observada e discutida, e que pouco se fala sobre os cuidados específicos para o segmento, alertando para a importância da ampliação dessa discussão visando melhor qualidade de vida na velhice.

Dois relatos de pesquisa encerram esta edição da Revista Portal de Divulgação.

No primeiro Discutindo Cidadania enquanto Arte de Envelhecer a pesquisadora analisa os resultados da articulação de dois projetos – Viver melhor com cidadania e A Arte de Viver: experiências universitárias com a educação aberta à terceira idade – realizados na UNESPAR – campus de Paranavaí, visando perceber de que forma os projetos tem impactado a vida dos sujeitos, que partem da necessidade de pesquisa, mas focam igualmente a garantia de políticas públicas pelo incentivo ao exercício cidadão dos idosos participantes.

No segundo relato – Convívio coletivo – a pesquisa apresentada foi realizada na cidade de Viçosa (MG) no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI), com a participação de estudantes das universidades locais (públicas e privadas) nas atividades com os idosos. Teve como objetivo compreender as experiências de sociabilidade de idosos que frequentam grupos de convivências como meio de reinserção social. Segundo o autor os resultados mostram-se “favoráveis tanto para os idosos quanto para os estudantes envolvidos nos projetos, dentre os quais se destaca o aumento do vínculo intergeracional, por meio da troca de conhecimentos e informações, constituindo-se em uma ação que promove a cidadania e a inclusão”.

Finalizando, constatamos que os artigos, em sua quase totalidade, apresentam uma visão social para a questão do envelhecimento. Visto ainda por parcela da população, e mesmo na academia, como um ‘problema de saúde’ a realidade vem apresentado, de forma cada vez mais consistente, que sem negar a incidência de diferentes morbidades biologicamente naturais e próprias ao passar dos anos, o longeviver pode ser uma fase de restabelecimento da identidade, de novas aprendizagens, experiências, e exercício cidadão.

(*) Beltrina Côrte e Vera Brandão são editoras da Revista Portal de Divulgação.

 

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