O aumento da expectativa de vida é fonte de novos desafios

o-aumento-da-expectativa-de-vida-e-fonte-de-novos-desafiosA maior expectativa de vida das pessoas na terceira idade é positiva para as sociedades, mas também é fonte de novos desafios. E é por isso que a proteção de seus direitos, é a garantia de condições de igualdade nas sociedades. Pois envelhecimento não é sinônimo de doença, é um processo natural pelo qual pessoas passam em seu ciclo de vida, envelhecer nada mais é que uma vida prolongada que deve ser vivida de maneira prazerosa e saudável.

Luciene Marcelino Cardoso *

O Brasil está num processo de envelhecimento populacional e, a cada década, o percentual de idosos aumenta significativamente. Como resultado, estamos vivenciando um período de crescente demanda de recursos voltados para atender as necessidades desta “nova população”.

Envelhecimento não é sinônimo de doença, é um processo natural pelo qual pessoas passam em seu ciclo de vida, por isso envelhecer não significa isolar-se, ou deixar de estar no convívio social e familiar, é necessário esclarecer a estes e aos seus familiares que envelhecer nada mais é que uma vida prolongada que deve ser vivida de maneira prazerosa e saudável.

De acordo com o Estatuto do Idoso: “Art. 2°- O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes a pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.”

A tendência do envelhecimento será crescer no decorrer das próximas décadas e com os avanços tecnológicos, ritmo de trabalho e as grandes mudanças no padrão familiar, verificamos que muitos idosos ainda não têm noção dos direitos a eles devido e muitos deles acham que a vida já está no fim, que estão “velhos” demais para qualquer situação.

O envelhecimento da população mundial é um fenômeno atual em que mesmo os países mais ricos e poderosos precisam se adaptar. O que era no passado privilégio de alguns passou a ser uma experiência de um número crescente de pessoas em todo o mundo. Kalache assinala que “Envelhecer no final deste século já não é proeza reservada a uma pequena parcela da população. No entanto, no que se referem ao envelhecimento populacional, os países desenvolvidos diferem substancialmente dos subdesenvolvidos, já que os mecanismos que levam a tal envelhecimento são distintos” (1987, p. 201).

De acordo com Kalache (1987) o envelhecimento da população brasileira é um fato irreversível, e é de suma importância observar os fatores associados a este processo, que precisam ser tratados forma prioritária para evitar o aumento da miséria e condições precárias para esta população que esta envelhecendo. Desta forma, o tema envelhecimento antes pertencente aos domínios da geriatria e da gerontologia, começou a ganhar espaços em outras áreas do conhecimento.

Apesar dos avanços da medicina, tudo que se consegue até o momento é retardar alguns dos efeitos do envelhecimento em nosso organismo. De tal sorte que o declínio físico e muitas vezes intelectual, como consequência do envelhecimento continua sendo um grande desafio para a ciência e uma preocupação constante em diferentes áreas de estudo.

O envelhecimento populacional, aliado à falta de políticas públicas voltadas a essa nova realidade mundial, vem preocupando todos os segmentos da sociedade, objetivando um maior conhecimento sobre o fenômeno do envelhecimento, e principalmente como envelhecer de forma saudável priorizando esses esforços na manutenção da independência e autonomia do idoso.

O envelhecimento é um triunfo do desenvolvimento. O aumento da longevidade é uma das maiores conquistas da humanidade. As pessoas vivem mais em razão de melhorias na nutrição, nas condições sanitárias, nos avanços da medicina, nos cuidados com a saúde, no ensino e no bem-estar econômico. Mas, a população em envelhecimento também apresenta desafios sociais, econômicos e culturais para indivíduos, famílias, sociedades e para a comunidade global.

Considerando a realidade do fenômeno envelhecimento, uma série de estudos e pesquisas vai ganhando espaço na agenda pública, nos debates políticos e nas discussões na sociedade. Importa também que os direitos sejam ampliados como garantias e proporcione uma vida digna, com qualidade efetiva á pessoa idosa.

O anunciado processo de envelhecimento sugere uma crescente demanda por serviços públicos voltados para o atendimento da população idosa que, dependendo da região, vai exercer maior ou menor pressão sobre os serviços públicos. A família brasileira como tradicional fonte de suporte econômico e afetivo dos seus idosos, será chamada a assumi-los ainda mais (GOLDANI, 1994, p. 18).

São muitos os desafios com o envelhecimento da população, e estes precisam de intervenção e soluções médicas, sociais, econômicas e políticas. Envelhecer é um processo natural, inevitável e irreversível, e não é sinônimo de doença. Por isso a necessidade de garantir a integração da pessoa idosa junto à comunidade, proporcionando o bem estar.

O envelhecimento é, sem duvida, um processo biológico cujas alterações determinam mudanças estruturais no corpo e em decorrência modificam também as suas funções. Porém envelhecer é inerente a todos os seres vivos e no caso dos seres humanos esse processo assume dimensões que ultrapassam o simples ciclo biológico, pois pode acarretar também consequências sociais e psicológicas.

Portanto falar sobre velhice é algo muito complexo, tal complexidade resulta da mutua dependência entre os aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais que interagem no ser humano.

A velhice a partir de uma perspectiva pessoal mostra que como toda situação humana, ela tem uma dimensão existencial, que modifica a relação do individuo consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com o tempo. A velhice pode ser vista como uma fase com potencial para o crescimento, á semelhança das demais fases do curso da vida, o que faz com que as fronteiras do envelhecimento sejam modificadas em relação á realidade atual. A visão sobre a velhice vem sendo lentamente mudada. Pode ser um tempo de novas liberdades, para explorações pessoais excitantes, para o crescimento psíquico e prazer de viver.

Por fim, vale destacar que os idosos são da mesma natureza em relação aos outros cidadãos. A maior expectativa de vida das pessoas na terceira idade é positiva para as sociedades, mas também é fonte de novos desafios. E é por isso que a proteção de seus direitos, é a garantia de condições de igualdade nas sociedades. Segundo Iamamoto: “O momento que vivemos é um momento pleno de desafios. Mais do que nunca é preciso ter coragem, é preciso ter esperanças para enfrentar o presente. É preciso resistir e sonhar. É necessário alimentar os sonhos e concretizá-los dia-a-dia no horizonte de novos tempos mais humanos, mais justos, mais solidários” (2003, p.17).

Referências

BRASIL. Estatuto do Idoso – 2003.

GOLDANI, Ana Maria. As famílias brasileiras: mudanças e perspectivas. In. Caderno de pesquisas, São Paulo, nº 91. p.7-22. Nov. 1994.

KALACHE, A. VERAS, R. P. RAMOS, L.R. O envelhecimento da população mundial. Um desafio novo. Rev. Saúde pública. São Paulo, 1987. Pg. 200-210. Disponível Aqui Acesso em 15/10/2014.

* Luciene Marcelino Cardoso – Assistente Social, pela Universidade Nove de Julho. Curso de Extensão Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC. Email: luciene-mc@hotmail.com

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