O amor bate à porta ou não…

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Que me perdoem os que dizem que se bastam sozinhos! Não falo apenas da companhia, do famoso “medo de estar só, medo da solidão” que é fato. Me refiro a um sentimento mais forte, constante, intenso, visceral que atravessa todas as partes do corpo e da mente. Invade sem pedir licença, é intruso, abusado e terrivelmente prazeroso. Pensam que falo de sexo? Sim, isso também e muito mais, incluindo amizade, admiração e conforto com uma boa dose de carinho, aconchego, arrepios e talvez, seja melhor parar por aí.

Luciana H. Mussi

 

Um amor romântico e sensual, quem não gostaria de tê-lo? Assim é esse encontro mágico concedido pelos deuses, a primeira troca de olhares de duas pessoas; cada qual vinda de um espaço, uma formação e um jeito de ser diferentes.

 

o-amor-bate-a-porta-ou-naoOs céus em festa

No “Encontro com Fátima Bernardes”, tivemos acesso a um desses amores especiais, não só pelo fato de serem um homem e uma mulher de mais idade, mas pela possibilidade, pela oportunidade de voltar a viver um sentimento raro, que acontece para poucos, apenas os premiados pelo acaso do tempo.

Tendo na plateia os globais, Tarcísio Meira e Glória Menezes, casados há 49 anos, Fátima apresenta a história de amor de seus convidados “mais velhos”, o casal Vera Lucia e José Maria:

Fátima: Como a senhora conheceu o seu marido?

Vera: Ah, foi tão lindo! Eu fui fazer, com um grupo de amigos, uma viagem pelo litoral, no réveillon e levei minha neta, Sofia, ela tinha 11 anos. Eu nem pensava em nada, de nada.

Fátima: A senhora era…

Vera: Eu era viúva. Eu fiquei 40 anos casada. O José Maria também 40 anos de casado e viúvo. Na primeira noite no jantar, como diz o título do meu livro “Os céus estavam em festa” porque os anjos falaram para o maître: “pega ela e a neta e leva para aquela mesa”, que era a mesma mesa em que ele estava. Aí eu cheguei e falei: “Meu senhor, boa noite, meu nome é Vera Salem, eu estou aqui passando o réveillon com a minha neta, sou de São Paulo”. Aí ele se levantou e disse: “Meu nome é José Maria, eu também sou de São Paulo. Meu filho não queria que eu viesse no Natal e sim no réveillon. E eu também estou viúvo”. A minha netinha disse: “Ah…que coincidência, minha avó também é viúva”. Ela diz: “eu fui o cupido de vocês dois”.

José Maria: Eu sou o único avô adotado.

Fátima: E o senhor acha que esse casamento ajuda na alegria que vocês passam hoje? Nessa vitalidade, nesse jeito jovial?

José Maria: Sim, sim.

Fátima: Se o senhor fosse solteiro isso seria diferente?

José Maria: Talvez eu já teria morrido. Eu fiquei viúvo, a morte da minha mulher foi repentina. Eu fiquei em crise e bendito seja o dia 27 de dezembro de 2003.

Fátima: E muitas viagens pela frente…

O amor que retorna

E o tempo é maroto, brincalhão, nos prega algumas surpresas que nem os deuses para explicar tamanha explosão de felicidade. Me refiro ao amor que retorna, direto dos tempos de escola, das doces lembranças da juventude, do beijo roubado, da mão “boba” que escorrega sorrateiramente pelo corpo alheio e provoca aquele frisson inesquecível.

Depois de ficar 65 anos separado, um casal da região de West Midlands, na Inglaterra, que se conheceu em 1947, irá finalmente se casar, depois que os idosos se encontraram em uma reunião de ex-alunos há cerca de dois anos. “Vou me casar com a garota que conheci na escola”, disse Robert Hale ao jornal “Mirror”.

A matéria do site G1 conta que Robert, um rapaz muito tímido, tinha uma paixão secreta por sua colega de sala Carole Fox, mas nunca teve coragem de revelar seus sentimentos. Depois de quase sete décadas, Carole deu ao futuro companheiro seu número de telefone em 2010, porém Robert precisou de dois anos e outra reunião de colégio, em abril deste ano, para finalmente chamá-la para sair.

Os idosos, ambos viúvos e com 69 anos, combinaram de sair e finalmente irão se casar, a pouco mais de 3 Km da escola onde se conheceram aos quatro anos de idade. Carole contou que não sabia que Hale tinha uma paixão secreta por ela, e que eram apenas amigos no colégio. “Depois de sair com Robert algumas vezes, sabia que havia algo ali”, contou ao jornal.

Os amores que retornam talvez tenham um outro sabor. A ideia de que, de alguma maneira, permanecemos no coração e na lembrança de uma pessoa por tantos anos, faz com que o reencontro seja especial, só nosso e apenas nosso, a nossa história única.

o-amor-bate-a-porta-ou-naoAmor que supera e faz filhos

E fatos inusitados também acontecem nas encruzilhadas da vida. Quem poderia imaginar um homem tendo filhos aos 96 anos? Sim, aconteceu. Segundo a imprensa local, o indiano Ramjit Raghav bateu o seu próprio recorde de “pai mais velho do mundo”, ao ter um filho, também chamado Ranjit, em idade, digamos, “um pouco avançada”.

À época, o aposentado disse que um filho era o bastante. Mas, apesar disso, ele e a mulher, Shakuntala, de 54, ficaram felizes com o novo herdeiro.

Morador de Haryana, a cerca de 50 quilômetros de Nova Déli, ele disse que faz sexo três ou quatro vezes por noite.

Quando o bebê nasceu, os médicos duvidaram que Ramjit fosse o pai, e chegaram a rir na cara dele. Mas ele afirma que é o pai da criança.

“Sou saudável e gosto do sexo com minha mulher, disse. “Acho que é muito importante para marido e mulher fazer sexo regularmente”, disse. Ramjit e Shakuntala são casados há 22 anos. Ele era viúvo havia 25 anos antes de encontrá-la.

Portanto, caro leitor, não perca tempo, às vezes, o amor bate à porta, outras, talvez, uma pressãozinha sutil seja mais interessante

Referências

G1 (2012). Idoso pede amiga em casamento só depois de 65 anos por ‘vergonha’. Disponível Aqui. Acesso em 28/09/2012.

G1 (2012). Indiano afirma ter sido pai aos 96 anos. Disponível Aqui. Acesso em 17/10/2012

VÍDEO (2012). Encontro com Fátima Bernardes. Disponível Aqui. Acesso em 31/08/2012.

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Redação Portal do Envelhecimento

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