Nos caminhos da longevidade masculina

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Entrevista com Osvaldo Barbosa, presidente do Conselho Gestor do Centro de Referência da Cidadania do Idoso – CRECI@. Na área da saúde, pertence a dois Conselhos, Unidade Básica de Saúde – UBS Toledo Pizza e Conselho da Micro Região Jaçanã Tremembé. E, profissionalmente, é gerente de negócios da 3 R Brasil – Benefícios em Saúde.

Viviane de Moraes *

 

Nos-caminhos-da-longevidade-masculinaTransitando pela vida, diante de tantas belezas e contratempos, Osvaldo, um homem de muitas aventuras e sábias experiências, viveu sua vida intensamente, tirando dela ensinamentos, perdas e alegrias. No auge de sua maturidade está inserido no mercado de trabalho e faz planos para o futuro. Quanto à longevidade masculina, para ele é vista como algo normal, e não tem sentido grandes diferenças. Com isso leva uma vida tranquila, cercado de amigos, e projetos.

Inicialmente, em algum momento de sua vida, já parou para pensar em como seria sua vida após os cinquenta ou sessenta anos de idade? Caso tenha pensado, sua vida seguiu o curso que imaginou, ou alçou outro rumo?

Pensava sim, e de maneira otimista. Mas não seguiu o curso inicialmente planejado. Aconteceram mudanças surpreendentes, que propiciaram experiências surpreendentes.

Principais mudanças durante o processo de envelhecimento.

Na verdade essas mudanças não têm muito a ver com o processo de envelhecimento. Não sinto nenhuma interferência social, familiar ou profissional. E minha atuação, se mudou, foi para melhor.

Como visualiza o envelhecimento masculino?

De maneira geral, não tão bem conduzido. Em particular, não vejo alteração. A maior parte dos preconceitos vividos, vem do próprio idoso.

No que se refere a sua saúde, vai ao médico com frequência?

Faço exames regularmente, pelo Sistema Único de Saúde – SUS, apesar de trabalhar na área da saúde suplementar. Acredito que se há um sistema disponível, por que não utiliza-lo. Tenho uma visão positiva da vida. Não paro para pensar que agora tenho tantos anos… tenho minha realidade. Vejo a vida com otimismo.

Preocupa-se com hábitos alimentares?

Mantenho certa disciplina, mas sem exageros ou paranóias. Acho que tudo (ou quase tudo) pode, desde que com parcimônia.

Pratica exercícios físicos com frequência?

Faço academia e dança de salão. Na minha atividade profissional, ando bastante, e procuro usar escadas. E também sou membro do coral da Universidade de São Paulo – USP. Tudo isso ajuda.

Referente a carreira profissional, como foi sua trajetória?

Aos 18 anos de idade, servi na Aeronáutica – ano de 1959. Após o serviço militar, trabalhei como vendedor. Ao longo de minha trajetória, não tive formação acadêmica, mas tenho um bom conhecimento em marketing e vendas, adquiridos na prática. Os anos se passaram e iniciei uma empresa, mas quebrei. Ao total tive 4 empresas. Hoje não me culpo, e entendo porque isso aconteceu. A última foi há pouco tempo, já com 65 anos de idade. Estou nesse processo de ter e ser, de forma intuitiva. Enfim, estou seguindo por este caminho. Acredito que “toda desvantagem traz uma vantagem, igual ou maior”, algo que aprendi com um amigo que passou por minha vida, e através das experiências que vivenciei.

Em minha caminhada encontrei muitas pessoas, que com suas diferenças me ensinaram algo de bom, que hoje, trago comigo. Fui durante muito tempo, um boêmio no bom sentido da palavra, romântico, amante das coisas belas, um hedonista. Hoje continuo romântico, mas como boêmio, confesso, que “pendurei as chuteiras”. Atualmente, atuo como cidadão nos projetos de inclusão social e outras atividades que envolvem o exercício da cidadania, principalmente focando na terceira idade.

Aposentadoria – vê como fim de carreira, ou como começo de uma nova etapa?

Não sou aposentado. Na verdade, preciso rever minha situação legal, e saber quanto tempo falta para isso. Tenho o benefício do LOAS**. Contribuía pelas minhas empresas, mas não havia uma continuidade. De resto não vejo alterações, apenas dou prosseguimento a minha trajetória.

Como enfrentou esse período de transição em sua vida, estando hoje na tão falada terceira idade?

Vivi todas as transições de minha vida muito bem. Sem angústias, desânimos, pois isso não me afeta. Eu não sou um solitário. Estou sempre participando de algo. “Quem tem vida interior, jamais padece de solidão”. Acho que há também certa transferência de responsabilidades, na maneira de agir das pessoas. A vida é como uma alegoria, “tenho um veleiro, e tenho a opção de amarrar a vela e deixar que o barco siga sua rota. E de repente aquela rota traçada, se desvia, navegando para outro rumo”. Acredito no destino, porém podemos trazê-lo em rédeas curtas; 95% está em nossas mãos e 5% apenas, está nos imprevistos que a vida nos traz. É isso que me faz seguir em frente.

Ainda referente ao campo profissional, acredita que a sociedade de um modo geral está preparada para acolher profissionais maiores de sessenta anos de idade?

Acredito que existe certa resistência, velada, hipócrita, mas com o movimento de conscientização e “inclusão social” que está acontecendo, estamos ampliando nosso espaço no mercado de trabalho.

Relação afetiva – atualmente mantém algum relacionamento?

Tenho. Não me falta. Porém, prefiro entrar em casa sozinho, e ter apenas a companhia de minha gata de estimação, pelo menos por enquanto.

Como visualiza um laço afetivo, nessa fase mais madura?

Vejo que tenho que ter certos cuidados. Noto que as pessoas, têm dificuldades em manter relacionamentos. Talvez por certa sensibilidade, pela relação com filhos, ou mesmo pelas experiências vivenciadas anteriormente, como divórcio, viuvez… Noto que sofrem com isso e levam consigo nos relacionamentos, como uma mala, criando dificuldades em relacionamentos futuros.

Em uma determinada época, o envelhecimento era tido como algo maravilhoso, em outra fase como sinônimo de decrepitude, hoje muitos desejam envelhecer, porém estão sempre em busca da eterna fonte da juventude. E para você, envelhecer é …

Muito bom, obrigado. Acho que a vida me trouxe muitas coisas ótimas.

Uma frase que sintetize sua experiência de vida.

“Toda desvantagem, traz uma vantagem, igual ou maior”.

* Técnica em Gerontologia do Centro de Referência da Cidadania do Idoso – CRECI@. Especialista em Gerontologia, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC. Terapeuta Ocupacional, pela Universidade de Sorocaba/SP. E-mail: vivimoraes.creci@gmail.com

** O Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC-LOAS, é um benefício da assistência social, integrante do Sistema Único da Assistência Social – SUAS, pago pelo Governo Federal, cuja operacionalização do reconhecimento do direito é do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e assegurado por lei, que permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência às condições mínimas de uma vida digna. (Previdência Social, 2010).

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