Não é só o fator “idade” que contribui para o agravamento dos sintomas de Covid 19

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Preferimos “remediar” ao invés de nos “prevenir”, mas para os que me questionam: qual aprendizado que esta pandemia me trouxe, logo respondo: – Sim, a prevenção sempre foi e sempre será importante!

Debora Lee Vianna Paulo (*)


Vivenciamos um período de incertezas, no qual desde o final do ano passado, temos ouvido falar de uma doença chamada Covid 19, e que tem trazido ao nosso país uma pandemia que têm nos afetado, financeiramente, psicologicamente, socialmente, entre outras formas. Estragos imensuráveis e que ainda não temos noção do quanto será, pois ainda vivenciamos o isolamento social, este sem data para ser finalizado.

No início da pandemia, como as informações ainda eram muito incertas, o público alvo de críticas foram os idosos, pois eram somente eles que eram considerados “grupos de risco” para a Covid 19. Com o passar do tempo e pesquisas, crianças, gestantes, obesos, diabéticos e outros grupos foram adicionados ao grupo de risco também, mas mesmo após essa margem de grupo de risco ter sido aumentada, não vimos o mesmo preconceito que tivemos com os nossos idosos.

Vimos e ouvimos piadinhas como “cata-velhos”, prisão para velhos, não saiam de casa idosos, mas em nenhum momento vimos a mesma “mobilização” para as gestantes, obesos, diabéticos, entre outros.

Essa pandemia nos faz refletir o que a gerontologia tem nos mostrado há anos: a importância da prevenção. O coronavírus nos mostrou que não importa a idade, se tenho vinte anos, mas sou obesa, tenho diabetes e outras complicações, tenho um risco aumentado para a morte, quando infectada por essa doença.

Vimos que não é o “fator idade” que realmente importa. Posso ser uma idosa com cem anos, mas se mantive uma qualidade de vida, não tenho doenças crônicas, mantenho um estilo de vida saudável, mesmo com os declínios biológicos do envelhecimento, a chamada senescência, não sou um grupo de risco de morte para o coronavírus.

Nesta pandemia, estou trabalhando no Telesaúde, na prefeitura de minha cidade, dando orientações e tirando dúvidas da população. Um dia desses, recebi uma ligação de uma senhora, cinquenta e cinco anos, que relatou ser sedentária, não se alimentar bem (vive a base de macarrão instantâneo e refrigerante), disse tomar vários remédios e que estava muito preocupada, pois como era funcionária pública, estava trabalhando, mas que estava com muito receio de contrair a Covid 19, pois temia que seu quadro se agravaria, levando-a à morte. Na ocasião ela questionava o decreto estadual que dizia que apenas os idosos (acima de sessenta anos), poderiam fazer o home office da prefeitura, pois ela também queria ter esse “privilégio”.

Expliquei a importância dela tomar as medidas preventivas, como higiene das mãos, uso do álcool em gel e máscara e evitar ao máximo sair de casa, além da importância da mudança de seus hábitos de vida, visto que ela já tinha diagnosticado onde tinha limitações, então era um bom momento para ela rever e modificar seu estilo de vida.

Sabemos que em nossa sociedade, preferimos “remediar” ao invés de nos “prevenir”, mas para os que me questionam: qual aprendizado que esta pandemia me trouxe, logo respondo: – Sim, a prevenção sempre foi e sempre será importante!

(*) Debora Lee Vianna Paulo – Membro da Associação Brasileira de Gerontologia. Doutoranda e Mestra em Gerontologia – UNICAMP; Especialista em Neurologia do Adulto – Hospital Albert Einsteins; Especialista em Marketing e Gestão em Saúde – UNICAMP; Gerontóloga –  USP; Gerontóloga na Secretaria Municipal de Saúde de Limeira – SP; Coordenadora e Proprietária do Elderly- Centro de Promoção de Envelhecimento Saudável; Coordenadora da Associação Brasileira de Alzheimer – ABRAz Limeira Vila Cláudia. E-mail: e-mail: elderlycursosepalestras.


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