Na mídia, duas matérias, e mesmo tabu!

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Tivemos logo no início de 2014 duas matérias relacionadas à imagem do envelhecimento positivo que fizeram grande sucesso nas mídias sociais.

Beltrina Côrte

 

na-midia-duas-materias-e-mesmo-tabuA primeira delas tratava de um ensaio fotográfico da holandesa Marrie Bot, associando erotismo e sensualidade a pessoas com idades avançadas. Sabe aquelas imagens que apenas são conhecidas a dois no interior dos seus quartos, de gente que já passou dos 50, 60, 70, 80 anos? Se para quem está vivendo esse processo ver essas fotos causou estranhamento, imagina para as gerações mais jovens que acham que seus corpos nunca envelhecerão ou que não terão mais desejos quando ficarem velhos? No mínimo várias caretas foram feitas ante essas imagens acompanhadas da expressão “arre!”, tão comum nos mais jovens. Os mais maduros provavelmente acharam interessante e aqueles que lidam/estudam o tema da velhice, como nós da equipe Portal, aproveitaram o momento para disseminar imagens que promovem um envelhecer com futuro, desejo, erotismo…afinal a vida continua!

A matéria registra que a fotógrafa, que há mais de 30 anos, procura clicar em imagens consideradas tabus que poucos ousam abordar, seja em forma de texto ou de imagens, como as peregrinações de penitência feitas na Europa, pessoas com deficiências mentais ou mesmo rituais funerários.

Foi em 2004 que Marrie Bot resolveu registrar com cores seus temas preferidos. O escolhido da vez foram cenas suaves mas realistas de amor, erotismo e sensualidade com pessoas comuns entre 50 e 85 anos de idade. Seu objetivo era explorar precisamente a estranheza causada pela associação entre velhice e sexo, tema que, segundo ela, é “um dos últimos tabus da sociedade ocidental moderna”.

Em seu site (https://www.marriebot.com/) Marrie Bot explica os motivos que a levaram a produzir esse ensaio fotográfico: simplesmente porque ela nunca tinha visto imagens ou filmes com pessoas mais velhas, nuas, fazendo ou não amor. Ela assinala que “idosos e erotismo são uma questão espinhosa”, tabu que tem suas origens nas crenças cristãs que determinaram a moralidade sexual. Isto é, sexo não por prazer, mas para ter filhos, e admitidos apenas depois do casamento. Com esse tabu, e até recentemente, aos 50 anos uma pessoa já era considerada velha e tudo estava acabado, não havia mais vida amorosa.

na-midia-duas-materias-e-mesmo-tabuPara a fotógrafa, a virada veio na década de 60 do século passado, justamente aqueles que hoje estão no início de suas velhices. Muitos deles partícipes da revolução sexual, quando a sociedade começou a se familiarizar com imagens de jovens nus.

Marrie Bot percebeu então que era hora da sociedade se familiarizar com imagens de velhos nus, afinal as tendências demográficas mostram o número cada vez maior de pessoas acima de 60 anos, especialmente nos países desenvolvidos. Para o ensaio fotográfico ela selecionou dez casais comuns dispostos a trabalhar em seu projeto, fotografando-os em seus ambientes. As imagens selecionadas e que compõem seu livro bilíngue (inglês e holandês), mostram uma grande variedade de velhos e velhices e suas vidas amorosas. Marrie Bot espera que seu livro (Geliefden-Timeless Love) de 64 páginas e 38 fotos coloridas contribua para uma imagem positiva da vida amorosa na velhice, quebrando assim o tabu existente sobre idosos e erotismo.

A outra matéria, publicada no Jornal O Estado de S.Paulo no dia 18 de janeiro, trazia como manchete “Idosos são grupo que mais cresce no Facebook”. Mas o que mais chamou a atenção foi a frase de destaque que assinalava o seguinte: “Quando Mark Zuckerberg criou o Facebook enquanto estudava em Harvard, provavelmente, não imaginava a terceira idade como o principal nicho de mercado de sua plataforma. Mas, quase uma década depois, o futuro dessa rede social depende cada vez mais de sua adoção entre os idosos.”

Nesta frase, fica claro que apesar de se anunciar há mais de 20 anos o crescimento do número de idosos no mundo, parece que estes continuam invisíveis para o mercado, e não são levados em conta, até que uma pesquisa feita nos Estados Unidos, e com norte-americanos, os traz à luz, constatando que a participação de usuários acima de 65 anos cresceu 10% em 2013 nos Estados Unidos. Aliás, foi o grupo que mais cresceu na maioria das redes sociais de lá e, por aqui está indo na mesma direção. De idosos a usuários.

na-midia-duas-materias-e-mesmo-tabuHá alguns anos o Portal vem assinalando que cada vez mais um maior número de idosos acessa a internet para manter contato com seus familiares e amigos, usa smartphones, tablets, joga videogames e compra pela internet. Quem trabalha na saúde e em hospitais de grande porte econômico, sabe muito bem do que se está falando: a maioria dos idosos levam todas as parafernálias tecnológicas quando necessitam ser internados, seja para fazer exames de rotina ou por causa de alguma emergência.

A matéria do estadão relata ainda que o potencial de crescimento nas redes sociais, criada especialmente para a juventude, é maior na Terceira Idade do que nos jovens. Estes, ao menos no Brasil, estão migrando para o WhatsApp e o Instagram. Mas não só eles…

A matéria traz uma declaração deTammy Gordon, vice-presidente da Associação Americana de Aposentados, que disse o seguinte: “A demografia das audiências das redes sociais pode mudar ao longo do tempo e, como em qualquer negócio, as redes que mudam com elas prosperarão”. Essa é uma grande verdade! E é bom que os empresários de diversos setores gravem bem essa frase.

Thomas Kamber, diretor e fundador do Older Adults Technology Services (OATS) também declarou que as empresas do setor só pensam nos jovens. Segundo ele, “É uma pena, porque são os mais velhos que provam a qualidade de seus produtos. Se funciona para os idosos, funciona para todos”.

Referências

CATRACA LIVRE. Série fotográfica mostra que existe amor e sexo na velhice. Disponível Aqui. Acesso em 17/01/2014.

Marrie Bot: Disponível Aqui

O ESTADO DE S.PAULO. Idosos são grupo que mais cresce no Facebook. Disponível Aqui. Acesso em 28/01/2014.

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Redação Portal do Envelhecimento

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