Na Bahia, 65% das mulheres começam o tratamento depois dos 60 dias após o diagnóstico

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Atendimento tardio no SUS é mais comum em mulheres com mais idade, com menos escolaridade e em estágio avançado do tumor


Um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) revela que, na Bahia, são as mulheres com mais idade, com menos escolaridade e em estágio já avançado do câncer de colo do útero as que começam mais tarde o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, 65% de todas as mulheres no estado começam o tratamento no SUS mais de 60 dias após receber o diagnóstico, descumprindo lei federal (n.12.732/2012). O estudo, publicado na terça (21) na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, chama a atenção para uma realidade que pode ser nacional.

Considerado o quarto câncer mais incidente em mulheres (desconsiderando o câncer de pele não melanoma), o câncer de colo de útero é a quarta causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. Também chamado de câncer cervical, ele é uma doença de evolução lenta que acomete principalmente as mulheres com mais de 25 anos. O agente de transmissão é o papilomavírus humano, o HPV. Com base em dados de 2007 a 2018 do sistema de Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do estado da Bahia, as pesquisadoras encontraram um total de 9.184 mulheres que foram diagnosticadas com o câncer cervical em algum estágio da doença. Na Bahia, maior estado da região Nordeste, o câncer de colo do útero tem sido a segunda maior taxa de incidência entre as mulheres (12,51 casos novos por 100 mil mulheres).

Os resultados apontaram que 65,1% das mulheres começaram o tratamento depois dos 60 dias após o diagnóstico. Desse total, houve aumento da chance de tratamento tardio em cerca de 30% das mulheres com idades acima de 45 anos, de 24% entre as sem nenhum nível de escolaridade e aumento de 17% entre as que apresentavam o tumor em estadiamento (estágio do diagnóstico) avançado.

“Isso revela um dado triste e preocupante demonstrando uma fragilidade da rede assistencial. As pacientes com tumor em estágio avançado deveriam acessar o tratamento com a maior brevidade possível, mas o estudo demonstrou que, ao contrário disso, estas mulheres acabam tendo mais chance de atraso no início do mesmo” ressalta uma das autoras da pesquisa, a enfermeira Dândara Silva, doutoranda do programa de Biotecnologia e Medicina Investigativa da Fiocruz da Bahia e pesquisadora do Grupo de Pesquisa Integrada em Saúde Coletiva da UNEB.

De acordo com a OMS, a vacinação contra o HPV, o rastreamento com o exame Papanicolau e a gestão do cuidado são medidas que, quando aplicadas estrategicamente, podem eliminar o câncer do colo do útero. Contudo, muitas dessas ações acabam não acontecendo em países com baixa renda. Estudos mostram que em cada quatro semanas de atraso entre o diagnóstico e o primeiro tratamento do câncer, ou entre a finalização de um tratamento até́ o início do próximo, pode ocorrer um aumento de 6 a 8% na chance de morte do paciente.

“Embora não tivesse sido o objetivo desse estudo, é possível supor uma relação também entre acesso ao diagnóstico e o local do tratamento disponível na rede de atenção do estado, sobretudo para mulheres residentes no interior. Reiteramos que o tratamento em tempo inoportuno para o câncer do colo do útero continua sendo um problema de saúde pública da Bahia, necessitando de incremento e continuidade de medidas preventivas e intensificação do rastreamento, bem como da uma maior oferta de tratamento. Recomendamos a implementação de políticas que assegurem o tratamento precoce da doença, em cumprimento ao que já está previsto em lei”, conclui Silva.

Fonte: Agência Bori

Foto: Rodrigo Mexas/Fiocruz Imagens


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Redação Portal do Envelhecimento

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