Moda específica para idosos quase não existe

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Moda para o verão, inverno, primavera, outono, moda praia, diferentes calçados, masculino, feminino, gestante, bebê, infantil, adolescente, enfim, o que não falta por ai é diversidade de mercados de roupas e assessórios. Porém, uma moda direcionada exclusivamente ao público idoso ainda é praticamente inexistente. Isto é o que mostra o estudo “Idoso, moda e sedentarismo: possíveis relações”, publicado na revista Arquivos em movimento, no final do ano passado.

 

 

Nele, os autores Murilo Cabral Gomes e Silvia Agatti Lüdorf, explicam que as modificações que ocorrem no organismo, bem como o sedentarismo, são potenciais fatores para as eventuais limitações físicas e funcionais que acometem os idosos. E que tais limitações acabam se refletindo no modo de se vestir dessa população, que privilegia o caráter funcional das roupas.

“Na Alemanha, um país onde a concentração de idosos é reconhecidamente alta, por exemplo, a primeira loja de roupas destinada aos idosos foi inaugurada em 2005. No Brasil, até onde se pôde verificar, não há registros dessa natureza, a não ser o surgimento, também neste ano, do primeiro tênis destinado a essa faixa etária”, contam no artigo.

Entre as alterações corporais nos idosos, o estudo destaca: a perda progressiva de massa magra, aumento da proporção de gordura corpórea, decréscimo de estatura, aumento na gordura abdominal, diminuição da quantidade de água no organismo, diminuição do tecido gorduroso dos braços e pernas – e aumento no tronco –, os passos se tornam mais curtos e lentos e o tronco tende a flexionar-se para proporcionar estabilidade.

Os autores mostram que todas essas mudanças no organismo podem tornar o idoso dependente de outras pessoas, ou de algum tipo de assistência, na realização de atividades simples do dia-a-dia como sentar, deitar, levantar-se e nos cuidados com a higiene corporal, como tomar banho e vestir-se.

“Com o aumento no número de idosos, torna-se premente a necessidade de se pensar em uma moda que lhes permita, além de se comunicarem e participarem da estrutura da sociedade, uma maior funcionalidade”, dizem os autores.

Diante dessas limitações, o estudo mostra que os idosos acabam privilegiando roupas e assessórios mais fáceis de colocar, retirar e interagir. Entre os homens, por exemplo, há preferência por blusões de botão ao invés de camisas de malha – relacionada à perda de flexibilidade nos membros superiores, necessária ao ato de vestir a camisa pela cabeça, com elevação dos braços. Já entre as mulheres, nota-se a preferência pela utilização de calças e vestidos mais maleáveis, leves e soltos no corpo, com facilidade de colocar, retirar e se mover – já que as articulações se encontram mais rígidas.

“Com tantas alterações decorrentes do envelhecimento, a moda representa algo muito mais importante para os idosos que meramente a escolha de roupas, e deveria merecer mais atenção devido às razões apontadas. Uma roupa adequada poderia representar ganhos não só na qualidade de vida do idoso, como na sua representação na sociedade”, acreditam.

Fonte: Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico), 12/11/2010.

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Redação Portal do Envelhecimento

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