Mita Tova: A festa de Despedida

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Mita Tova, um filme intrigante, uma comédia dramática. Com um roteiro bem construído, trata de temas difíceis e delicados como eutanásia, Alzheimer, doentes terminais, velhice e instituições de longa permanência.   


Um grupo de amigos vive em um Centro para Idosos, no estilo de um flat, em Jerusalém, onde se desenvolve toda a trama do filme. As histórias dos amigos se entrelaçam em torno de alguns dos grandes dilemas do processo de envelhecimento. As histórias não tratam de memórias do passado, mas de como lidar com o presente. Os roteiristas-diretores, o casal Tal Granit e Sharon Maymon, constroem os personagens a partir da relação de cada um deles com o protagonista e condutor da trama, o inventor e técnico em mecânica, Yehezkel, interpretado por Ze’ve Revach.  

A primeira cena do filme apresenta o casal Yehezkel e sua esposa Levana, passando um trote em Zelda, uma nonagenária moradora do flat. Escancarando o estilo de humor sobre temas relativos à morte, logo no início do filme. Levana já demonstrando sinais de Alzheimer. O casal se prepara para fazer uma visita a um amigo, o Max, que está internado em um hospital como doente terminal. O amigo Max, no desespero do sofrimento e na presença de sua esposa Yana, pede a Yehezkel, “me ajude a acabar com isto”.

Esta frase de Max, em sua agonia, dá origem ao foco da narrativa. Com sua expertise e com a ajuda de amigos, Yehezkel desenvolve um projeto para aliviar o sofrimento de Max, incentivado pela esposa Yana. Uma máquina de auto eutanásia, cuja droga mortal é liberada através do soro, pelo próprio paciente.

Os personagens da trama vão sendo introduzidos num estilo de comédia e formam um grupo, dentro do ambiente do Centro de Idosos. Um grupo de homens e mulheres com mentalidade e comportamento liberais.        

Os roteiristas conseguem abordar com toques de humor, questões tristes e delicadas como a evolução do Alzheimer de Levana. Ela sente que está caminhando para a perda de si mesma. A família se preocupa com os seus lapsos de comportamento demencial e Yehezkel não aceita que ela tenha que ser internada em uma instituição para pacientes em estado avançado de Alzheimer. Uma das poucas tomadas externas ao flat, é a visita do casal para conhecer a instituição, onde Levana seria internada. Um ambiente perturbador, pela visão de homens e mulheres já totalmente desconectados da sua essência, olhando para o vazio.   

A criação da máquina de eutanásia se propaga entre os residentes do flat. Novos personagens entram na trama em torno do grupo que detém o controle da máquina. Conflitos de todo tipo se instalam dentro e fora do grupo.

A narrativa vai incorporando os conflitos ao processo de envelhecimento dos personagens. E mostrando a rotina do grupo no flat onde vivem em apartamentos e  compartilham o restaurante, a piscina, a salas de jogos e as atividades culturais.

O filme foi lançado no Brasil em 2015 no circuito comercial. Cinco anos depois, preserva sua atualidade. Mita Tova; A festa de despedida, vale ver duas vezes.     

Ficha Técnica
Título original: Mita Tova
Co-Produção: israelense e alemã
Idioma original: hebraico
Data de lançamento: 2015
Direção e roteiro: Tal Granit e Sharon Maymon
Produtores: Haim Meckelber, Estee Yacov-Meckelber, Leon Edery
Atores: Ze’ev RevachLevana FinkelsteinAliza Rosen, Ilan Dar, Raffi Tavor

Disponível no streaming: Google Play e YouTube


Maria do Carmo Guido

Maria do Carmo Guido

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós graduada em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Pesquisadora e consultora nos temas da Economia do Envelhecimento. E-mail: mariaguidodl@gmail.com

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