Missão e envelhecimento humano

A Semana de Formação Missionária para Religiosos e Religiosas, realizada recentemente em Passo Fundo (RS) e promovida pelo Centro Cultural Missionário (CCM) e o Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE), reuniu 40 pessoas, abordando o estudo da “Missão e Envelhecimento Humano”.

Fúlvio Costa

 

missao-e-envelhecimento-humanoOs motivos que levaram os organizadores a este evento é: “A realidade dos países europeus chegou até o Brasil. Segundo dados do IBGE, a população acima de 60 anos praticamente dobrou nas últimas duas décadas. As pessoas com 60 anos ou mais de idade já representam 12,1% da população total e as congregações religiosas e missionárias não estão fora deste cenário”.

Agostinho Both (foto), doutor educação e professor do curso de mestrado em Ciências do Envelhecimento da Universidade de Passo Fundo (RS), abordou o tema Envelhecimento humano: história, conceitos e concepções. De acordo com ele, é “preciso olhar com cuidado para essa realidade de envelhecimento, para que a dignidade humana sempre esteja presente através de intervenções significativas”.

Ele abordou também sobre a formação de gerontólogos, pessoas que têm cuidado com a velhice, através do tempo, e alguns conceitos fundamentais básicos para se pensar melhor a velhice, como conhecer a questão biológica, psicológica, social, educacional. “São conceitos básicos para que haja uma abordagem interessante que se dê continuidade à formação humana das pessoas que envelhecem. Estamos, de forma geral, pensando sobre o desenvolvimento humano daqueles que já não estão nas atividades sistemáticas propostas pelas congregações”, afirmou.

missao-e-envelhecimento-humanoPadre Júlio César (foto), coordenador provincial dos Missionários da Sagrada Família e professor no IFIBE de Passo Fundo, explica o motivo de a semana de formação missionária ligar os dois temas, “Missão e Envelhecimento Humano”. “Muitos dos nossos missionários estão em processo de envelhecimento. Vemos que o missionário quando está nessa etapa da vida precisa resignificar o seu modo de viver a missão, pois ele não pode mais estar na vida ativa, ou realizando tantas atividades e ações missionárias que até então ele realizava; por isso é importante compreender a missão nessa fase, para que ele continue em comunhão com a missão da Igreja e possa viver feliz”, justificou.

Aurizena Nascimento conhece bem a realidade de religiosas com idade avançada e vê nesse momento da vida um desafio que requer habilidade e conhecimento para poder ser vencido. Salesiana, ela tem 76 anos, e trabalha com religiosas que tem 80 e mais de 90 anos de idade. “Vim ao curso para poder atender melhor a comunidade na qual estou inserida. São irmãs idosas, doentes e a gente sempre procura algo que as torne mais felizes, para podermos acompanhá-las de maneira mais eficiente”, disse. Para ela, a maior dificuldade de desenvolver o seu trabalho com as irmãs idosas é não ter capacidade de torná-las felizes, de fazê-las aceitarem aquela situação da idade avançada. “O meu maior sonho é vê-las felizes mesmo enfrentando a doença, a velhice”, frisou.

missao-e-envelhecimento-humanoIrmã Maria Elizabeth Glória (foto), da Congregação das Filhas da Caridade, participa da formação para entender melhor a etapa da vida que ela vive no momento e ajudar os idosos do centro de convivência onde trabalha. Com 67 anos, ela mora em Ceilândia (DF). “Eu quero entender melhor essa etapa, seus desafios e como poder viver melhor; também para ajudar os idosos a resgatar a cidadania, a autonomia e favorecer condições de vida para que eles não precisem se abrigar numa casa de longa permanência”.

Fonte: Pontifícias obras missionárias: Disponível Aqui, 12/03/2013.

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Redação Portal do Envelhecimento

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