Mídias interativas e saúde

A pergunta que motivou a compilação deste livro, que apresenta uma reflexão inicial sobre o que pensamos e conhecemos a respeito dos processos de interação e comunicação foi: o que é interatividade e comunicação em gerontologia e saúde? Sob o foco da contemporaneidade e numa perspectiva multidisciplinar, as tecnologias de interação e comunicação têm se caracterizado por provocar mudanças na forma como devemos proceder para realizar a divulgação do conhecimento.

Adriano Pasqualotti *

 

midias-interativas-e-saudeAs áreas da gerontologia e geriatria, principalmente em países em desenvolvimento, carecem de pesquisas sobre a importância dos espaços comunicativos. Há a necessidade de compreendermos o significado dos processos de interação e comunicação como mecanismos para a inclusão social das pessoas idosas, tendo como paradigma a integração social, autonomia e melhoria da qualidade de vida. A atual sociedade em rede exige um repensar das certezas que tínhamos sobre a comunicação mediada pelas tecnologias. Neste terceiro milênio prospera a sociedade da informação que marca a construção da sociedade do conhecimento. Vivemos uma era que gera no ser humano novas formas de aprender a viver valores morais e éticos, elementos que regulam o processo de conviver em uma sociedade em rede.

A humanidade tem construído conhecimento, ciência, arte e tecnologia em diferentes culturas. O desenvolvimento acelerado das tecnologias digitais, como, por exemplo, os tutores inteligentes, as simulações de realidade virtual e os ambientes virtuais de aprendizagem, estão gerando uma ampla transformação na forma como são contextualizados os conceitos. Entendemos que esse aspecto vincula-se, como propõe Castells em A sociedade em rede, a uma revolução tecnológica que não se centra na forma como são gerados os conhecimentos e as informações, mas, sim, na forma como devemos aplicá-los. Nesse contexto, os encontros e as mediações sociais no ciberespaço, propiciados por sistemas cooperativos e colaborativos, apresentam-se como instrumentos de interação desenvolvidos, com a finalidade de viabilizar a troca e a apreensão de ideias e conhecimentos, bem como permitem o crescimento social do indivíduo por meio da conexão com os demais sujeitos da rede. Esse novo paradigma determina que a informação seja a matéria-prima do conhecimento.

A pergunta que motivou a compilação deste livro, que apresenta uma reflexão inicial sobre o que pensamos e conhecemos a respeito dos processos de interação e comunicação foi: o que é interatividade e comunicação em gerontologia e saúde? Sob o foco da contemporaneidade e numa perspectiva multidisciplinar, as tecnologias de interação e comunicação têm se caracterizado por provocar mudanças na forma como devemos proceder para realizar a divulgação do conhecimento. No contexto da sociedade do conhecimento e da informação, esta obra é um trabalho colaborativo realizado por algumas poucas pessoas que possuem formação básica na ciência da computação.

Justamente por contemplar aspectos multidimensionais e por se conectar em áreas tão diversas do pensamento humano, a linguagem utilizada não é aquela da área computacional. Os autores deste livro possuem formação em áreas tão diversas, como educação, nutrição, história, enfermagem, pedagogia, fisioterapia, medicina, biologia, ciências sociais e, também, em ciência da computação. Os conteúdos apresentados nos diversos capítulos que compõem esta obra são os resultados de uma ampla e sistemática revisão realizada por autores brasileiros e estrangeiros.

Os três primeiros capítulos são textos elaborados por pesquisadores de outras instituições do Brasil e de Portugal. Já os demais capítulos são os resultados das pesquisas realizadas por professores e alunos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano da Universidade de Passo Fundo. Entendemos que o contributo desta obra pode em muito auxiliar na ampliação do entendimento sobre os múltiplos aspectos relacionados aos temas saúde, educação e tecnologias. Abrimos o livro com o capítulo de Henrique Manuel Pires Teixeira Gil, que apresenta um estudo sobre a importância da e-Health para as pessoas mais idosas. Gil expõe de maneira profunda as iniciativas sobre essa temática na União Europeia, especialmente em Portugal.

Seguimos com Samuel Filipe Henriques Esteves, que faz uma reflexão importante sobre a relação entre o processo de envelhecimento e as tecnologias da sociedade da informação. Esteves apresenta uma ampla relação de tópicos sobre as tendências europeias quanto às afinidades existentes entre esses dois aspectos. Após, Paulo Roberto Pasqualotti apresenta os resultados de um estudo que desenvolveu sobre as experiências de uso da tecnologia em espaços virtuais e interativos. Em seguida, Maira Cristina Fistarol Audino e Iara Salete Caierão, juntamente comigo, realizam uma análise da percepção dos egressos do curso de Fisioterapia quanto ao uso das tecnologias de informação e comunicação e suas implicações na reabilitação e na inclusão dos sujeitos idosos.

No capítulo seguinte, Josemara de Paula Rocha, Tatiana Cecagno Galvan e eu propusemos o início de um processo de reflexão sobre as políticas públicas de saúde destinadas ao idoso e a contribuição das tecnologias de informação e comunicação na sua efetividade. Após, Joceléia Müller Ponte e Graciela de Brum Palmeiras, juntamente comigo, abordam sobre o uso das mídias interativas e comunicação como mecanismos mediadores para o processo de educação gerontológica. Em seguida, Marilene Rodrigues Portella, Graciela de Brum Palmeiras, Neuza Maria Sangiorgio Mozer e eu propomos nesse o início de uma discussão sobre os limites e possibilidades do uso das mídias interativas na promoção do envelhecimento bem-sucedido. No capítulo seguinte, Michele Marinho da Silveira e Eliane Lucia Colussi apresentam um conjunto de elementos que descrevem a utilização correta da tecnologia, especialmente o computador, pela pessoa idosa quanto aos aspectos de ergonomia.

Após, Daiana Argenta Kümpel e Juliana Secchi Batista, juntamente comigo, abordam o uso da realidade virtual como um instrumento de prática de atividade física e de promoção de saúde para os sujeitos idosos. Em seguida, Juliana Secchi Batista, Ana Carolina Bertoletti De Marchi e eu analisamos os efeitos da utilização de jogos de interação virtual com o videogame Wii como um programa de reabilitação para indivíduos com alterações neurológicas. Por fim, fechamos o livro com o capítulo elaborado pela Lia Mara Wibelinger, eu e o Rodolfo Herberto Schneider, texto no qual mostramos a relação que pode existir entre o uso do videogame Wii e a plataforma Wii Fit como recursos terapêuticos para o aumento da força muscular de pessoas idosas.

Faço votos que os leitores desta obra se tornem aprendizes permanentes, integrando as comunidades de pesquisadores que investigam o uso das tecnologias de interação e comunicação nas áreas de geriatria e gerontologia, desenvolvedores de novos recursos que alavancarão o desenvolvimento dessa área do conhecimento.

Os leitores que se sentirem instigados podem entrar em contato conosco por meio dos endereços eletrônicos: A todos uma boa leitura!

* Adriano Pasqualotti – Professor do Mestrado em Envelhecimento Humano do Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia da Universidade de Passo Fundo. E-mail: pasqualotti@upf.br

Leia o livro, gratuito, Aqui

 

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