Menopausa, ‘poxa, eu também estou sentindo isso’

Tempo de Leitura: 3 minutos

No próximo sábado nossa live será sobre menopausa, e consequentemente, as muitas escolhas, assunto que atravessa a biografia das mulheres.  


A menopausa é um marco na vida de muitas mulheres. Para algumas significa liberdade, afinal, ficam livres das menstruações e com elas de cólicas, inchaço, dor de cabeça… Para outras, no entanto, pode ser uma etapa de muitas conturbações que dificultam seu existir, como ondas de calor inesperadas, alteração no padrão de sono, sudorese, diminuição da libido, vontade de chorar do nada, tristeza imensa, e até secura e coceira vaginal. É um marco porque de fato a menopausa é um evento normal e fisiológico – porque os ovários param de produzir os hormônios (estrogênio e progesterona) do ciclo menstrual da vida das mulheres. Evento que costuma ocorrer por volta dos 50 anos de idade.

Mas a menopausa também nos anuncia que estamos próximas de mais um rito de passagem, em que passaremos da etapa da vida adulta para a velhice. Com este rito de passagem que marca momentos importantes na vida das mulheres, há também uma mudança de status e de “qualidade”: de mulher adulta e reprodutiva, ela passa a ser alguém que está com data vencida e considerada “improdutiva” aos olhos da sociedade. Que consequências terão esses impactos nas subjetividades femininas? Que papel social ela ocupará? Que velhices as esperam?

Daí a importância de se falar mais sobre, até porque a menopausa é uma espécie de fronteira, um umbral. Para a jornalista Mariza Tavares, autora do livro Menopausa, é “o momento de fazer as escolhas certas para o resto da sua vida”, como indica o subtítulo da sua obra, recém lançada pela editora Contexto. No livro, Mariza reconhece que:

“Por muito tempo, a simples menção da palavra menopausa causava pânico e o assunto era encarado com muita reserva. Um marco na vida da mulher, essa janela da meia-idade é um poderoso divisor de águas. Há muitas mudanças em curso e, se há perdas, devemos reconhecê-las para buscar novos caminhos e ressignificações. Isso tanto no controle de sintomas – como ondas de calor ou alterações de humor – quanto em mudanças de estilo de vida, que serão uma bússola para navegar por esse oceano desconhecido.”

Um oceano que bagunça demais o corpo e a mente da mulher trazendo muitas “consequências para os relacionamentos profissionais, sociais, familiares e amorosos”, como assinala Mariza Tavares.

Tratar essas questões entre as mulheres é muito importante, já que muitas delas não sabem que outras estão passando pelos mesmos sintomas. Então, pensar em educação em saúde com essa temática foi o que fez a professora Isabel Cristina Esposito Sorpreso, do Departamento de Ginecologia do HC/FMUSP, que fomentou grupos de mulheres onde elas se identificam, e falam a respeito. O resultado disso foi a criação do site “Menopausando”, que traz informações e muitas orientações sobre essa fase da vida da mulher. Para Isabel,

“É fundamental que a mulher tenha essa percepção, é fundamental que ela reconheça os sintomas, é fundamental que ela tenha uma imagem mais positiva dessa fase, exatamente o reconhecimento faz com que ela tenha esse poder do autocuidado.”

O site “Menopausando” é uma iniciativa do projeto intitulado “Educação em Saúde para Mulheres na Transição para a Menopausa e Pós Menopausa”, e visa proporcionar educação em saúde para mulheres na transição para a menopausa e pós menopausa. É realizado por meio de uma equipe multiprofissional que disponibiliza aconselhamento e informações em linguagem acessível aproximando as mulheres que utilizam os serviços do Sistema Único de Saúde à Universidade.

Serviço
Live: Menopausa(ndo) em pauta
Dia: 14/05/2022
Com quem: Mariza Tavares e Isabel Cristina Esposito Sorpreso
Horário: das 15h30 às 16h30
Local: Canal Youtube do Portal do Envelhecimento

Foto destaque de RODNAE Productions/Pexels


Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. Estudiosa do Envelhecimento e Longevidade desde 2000. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação, e é pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE), ambos da PUC-SP. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Latinoamericana de Psicogerontologia (REDIP). E-mail: [email protected]

beltrinacorte escreveu 94 postsVeja todos os posts de beltrinacorte

WhatsApp
LinkedIn
Share
Instagram