Matture, construindo relações

Tempo de Leitura: 5 minutos

Um empreendimento que pense em espaços de compartilhamento de experiências, desejos e necessidades, como o Matture, é mais do que necessário e bem-vindo!


Recentemente, a arquiteta e professora da USP, Maria Luisa Trindade Bestetti apontou aqui no Portal do Envelhecimento o aumento de propostas de condomínios dirigidos a pessoas 60+ da classe média, demonstrando “uma tendência que atende àqueles que pretendem manter-se confortáveis e seguros mesmo quando houver maior necessidade de assistência”, como já acontece na Europa e América do Norte.

Também publiquei uma matéria, “Aging in place: envelhecendo em casa e na comunidade (1), em que explicava o que vinha a ser esse conceito, que tornou-se um princípio central do paradigma de envelhecimento ativo e saudável preconizado pela Organização Mundial de Saúde. Nessa mesma matéria também assinalava resultados de pesquisa quanto ao desejo das pessoas sobre o lugar ideal para se envelhecer, em casa e em comunidade com segurança, independência e conforto.

Como as propostas de condomínios dirigidos para as pessoas 60+ atendem, de fato, este princípio preconizado pela ONU?

O empreendimento Matture Home Life (parceria da PlazzaCorp e Matushita), único dos que estão no mercado em construção, se conceitua como inovador no conceito aging in place, e cujo projeto e obra contam com certificação EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiences) reconhecido pelo Banco Mundial. Ele está localizado na cidade de São Paulo, na região da Vila Mariana, que tem uma boa rede de comércio, serviços diversos e de transporte, farmácias, supermercados, bancos e shopping center.

Viver em um local cercado de serviços era o que pregava cotidianamente minha querida mestra Suzana Medeiros [1925-2021], professora Emérita da PUC-SP, que nos deixou às vésperas de completar 96 anos. Ela formou muita gente que hoje atua na área da longevidade no país, entre elas, eu, que tive a oportunidade de trabalhar lado a lado por mais de 10 anos, e ser fiel aprendiz. Ela, que morava no bairro de Pinheiros (SP), rodeada de serviços, sempre nos dizia:

– Quero morrer ao lado do Pão de Açúcar (ela era vizinha de um supermercado dessa rede)

Pergunto, assim como Suzana, quem não deseja ter a um palmo do nariz tudo o que se precisa? Eu, pelo menos, tenho guiado minha vida, desde a escolha de minha moradia, levando em conta a facilidade de mobilidade na cidade (detesto dirigir) e uma rede de serviços, e quero ter tudo à mão, mesmo que eu não precise usufruir, como um hospital, por exemplo.

Como pretendo longeviver no lugar em que vivo, preciso agora pensar em como viver em comunidade no condomínio onde eu moro. Tarefa nada fácil, pois os empreendimentos focam na construção física e não na relação, e uma coisa que aprendi ao longo da minha vida é que ao final o que mais importa são os afetos. Os escritores Valter Hugo Mae em “A máquina de fazer espanhóis” e Hendrik Groen em Tentativas de fazer algo da vida que o digam.

Foi justamente essa possibilidade de construção de relações, ultrapassando as fronteiras do concreto e da prestação de cuidados de saúde (entendida como doença) que me chamou a atenção do empreendimento Matture Home Life. Em conversa com Julio Matushita – fundador da Matushita Engenharia e Construções, com mais de 30 anos no mercado – se destacam os serviços diferenciados que oferecem, e que fortificam relações, promovendo e incentivando diálogos. E como é um empreendimento que está em construção, as possibilidades de ele contribuir para maior interação social e assim proporcionar comunidade são muito grandes, ao buscar escutar as pessoas acerca das suas expectativas e preferências, uma medida promotora de aging in place.

Fico aqui na maior torcida para que de fato as relações entre os futuros moradores sejam construídas, alimentadas e fortalecidas, possibilitando de fato uma convivência comunitária entre diversas gerações. Aliás, encorajar as pessoas a interagirem e fazer amizades como componente importante da saúde integral é um dos achados de uma pesquisa recém-publicada no Journal of Personality and Social Psychology.

Serviços a partir da escuta

Entre os serviços prometidos estão atender os desejos e necessidades dos moradores, desde a promoção de encontros para atividades diversas como troca de aprendizagens e fazeres. Além de ajudar na compra online de produtos, ingressos, reserva em restaurantes, idas ao shopping, mercado, farmácia, entre outros; ou até organizar grupos para ir ao teatro, cinema, possibilitando locomoção. E, é claro, a introdução das tecnologias e serviço de cuidado e assistência.

Para isso o Matture colocará à disposição do morador um assistente pessoal preparado para a oferta desses serviços, além de dar suporte social em caso de situações de emergência, controlar medicamentos, agendar consultas e exames e ainda acompanhar o morador caso este necessite.

Foto: Mature Home Life/Divulgação

Além do empreendimento ser 100% acessível, tanto dentro das habitações quanto das áreas coletivas; o Matture Home Life oferece lazer como piscina coberta, academia com pilates, fisioterapia, lavanderia com espaço para costura, salão de beleza etc. Também proporciona espaços comerciais, como restaurante e coworking com estacionamento independente, permitindo maior interação dos residentes com a comunidade externa, além da renda desses espaços ser revertida ao condomínio, diminuindo assim o custo mensal do próprio condomínio.  Enfim, uma gama de serviços multidisciplinares e atividades de acordo com as necessidades dos moradores, inclusas no valor condominial acessível.

Focar nas experiências cotidianas e na evolução das necessidades individuais, à medida que se vai envelhecendo é o que recomenda o guia Ageing in Place — envelhecimento em casa e na comunidade – Modelos e estratégias centrados na autonomia, participação social e promoção do bem-estar das pessoas idosas, publicado pela Fundação Gulbenkian (Portugal). Nesse sentido, o Matture, ao procurar proporcionar a existência de condições adequadas de habitação – extensivas aos espaços coletivos do condomínio -, locomoção para a satisfação das necessidades do dia-a-dia, socialização, serviços (de natureza comercial, cultural, recreativa, etc.), e recursos de saúde, vai ao encontro do que as pessoas valorizam em primeiro plano no local onde querem envelhecer, como consta no guia Ageing in Place, ou seja, mobilidade, acesso a bens e serviços, e proximidade com família e amigos.

De acordo com o guia, num segundo plano, as pessoas valorizam “a importância da interação social, o sentido de pertencimento, a participação na vida comunitária e a percepção de respeito pelos demais, significando com isto que ‘envelhecer na comunidade’ não significa nenhum favor que a comunidade lhes faz, antes é um direito que lhes assiste em igualdade de circunstâncias com os restantes cidadãos, independentemente da idade”.

O ambiente social, a rede de serviços, a acessibilidade e a prestação de cuidados são fundamentais para o bem-estar socioemocional, parte fundamental da constituição humana, e essencial para a convivência, ou seja, para se aprender a se relacionar melhor consigo, com o outro e com o condomínio e entorno. Por isso, um empreendimento que valorize e promova espaços de compartilhamento de experiências, sentimentos, emoções, desejos e necessidades para todos os seus moradores é mais do que necessário e bem-vindo para o nosso longeviver!

Nota
(1) O conceito aging in place é utilizado com duas grafias distintas: “aging in place” é utilizada principalmente nos Estados Unidos e adotada aqui no Brasil, enquanto a grafia “ageing in place” é utilizada principalmente no Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

Serviço
Matture Home Life
Rua Ararê, nº 138 – Chácara Inglesa – São Paulo (metrô Praça da Árvore, região Vila Mariana)

Foto destaque de Kampus Production/Pexels.


https://bit.ly/matture

Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. Estudiosa do Envelhecimento e Longevidade desde 2000. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação, e é pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE), ambos da PUC-SP. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Latinoamericana de Psicogerontologia (REDIP). E-mail: [email protected]

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