Maria Lúcia Brancante, de Bem com a Vida. Simples Assim

Parece que desde 4 de julho de 1938, quando nasceu, em São Paulo, Maria Lúcia Brancante, ou dona Lulu, ou Lulu, mantém com o mundo uma saudável e alegre parceria, que não a deixa se estressar por coisas pequenas. Fatos menores, probleminhas do cotidiano, aos olhos de muitos mortais um monstro de infindáveis tentáculos, são solenemente enfrentados e vencidos. E, melhor, bem-humoradamente.

Guilherme Salgado Rocha

 

maria-lucia-brancante-de-bem-com-a-vida-simples-assimTudo com a mesma simplicidade a qual dedica ao João, seu papagaio de (imensa) estimação e à Mariazinha, uma pequena maritaca, que caiu em seu jardim, gravemente ferida no pé. Levada ao veterinário, foi submetida a uma cirurgia e teve seu pezinho amputado, ó, dor. Mas o carinho de dona Lula a fez revigorar-se, e hoje caminha pela casa, mancando. Apaixonada por viagens e decoração, preparava-se, quando desta entrevista, para, ao lado do marido, Jean-Louis Pilon, conhecer o Vietnã, China e Camboja.
Portal – Como se sente aos 73 anos?

Bem, muito bem.

maria-lucia-brancante-de-bem-com-a-vida-simples-assimA senhora estudou onde?

Fiz Turismo e depois Decoração. Há muitos anos trabalho com decoração, reforma e jardinagem. Sabe o que eu acho, sinceramente? Pergunto e respondo: a vida não mudou nada. Não é por ter chegado aos 73 que tudo seria diferente, haveria uma grande transformação. Ainda bem que não. Mantenho meus hábitos, meu jeito de ser. Acho isso fundamental. A vida está na cabeça, e não no corpo. No que pensamos e fazemos, não na Carteira de Identidade.

Fala-se em terceira idade…

Olha, acho essa expressão estranha, engraçada. Tem até caráter um pouco pejorativo, sinceramente. A única coisa que tenho a mais do que uma pessoa de 20 anos é a vivência, que ela não tem. Como já passei por situações e fases as quais ela não passou, a vivência é maior. Mas somente nesse sentido, mais nada. Fisicamente me sinto tão bem quanto essa pessoa, talvez até melhor, pois tem gente de 20 anos muito pior do que eu. Gente que não faz nada, não sai de casa, não está cheio de gente assim?! A experiência sim, essa muda. E cuidados que devemos ter, evidentemente. Outro dia corri, caí da escada e quebrei a clavícula. Minha médica me falou: “Mas você não tem mais 20 anos, tem que tomar mais cuidado”. Pois é, isso é verdade.

Em resumo…

A cabeça é que comanda. A Carteira de Identidade é mero registro do tempo.

Falemos das viagens, assunto do qual a senhora tanto gosta.

Isso é ótimo. Viajamos muito. Agora mesmo chegamos da Bahia, e estamos nos preparando para essa outra viagem, de 45 dias, na qual conheceremos culturas tão diferentes, um conhecimento enorme sobre povos e países que sempre povoam o imaginário. Vamos somente nós dois, saindo de São Paulo até Cingapura, pegaremos um navio para uma excursão.

maria-lucia-brancante-de-bem-com-a-vida-simples-assimComo é o seu dia?

Bem, além de viajar, trabalhar e correr atrás do neto… Esporte não faço, pois não gosto mesmo. Gosto muito de cinema e teatro.

E a decoração, conte mais um pouco.

Acabei de fazer uma reforma enorme na casa da minha filha, aqui ao lado. Fiquei feliz porque consegui criar um quarto novo, no sótão. Isso me dá muito prazer.

Outro assunto, dona Lulu. Como a senhora enxerga o relacionamento do jovem com os mais velhos?

Não se pode comparar o que se vê hoje e o que era em anos passados, em décadas anteriores.

Como assim?

Acabou o respeito. Simplesmente isso. Acabou o respeito pelo professor, por exemplo. Na minha época de estudante, o respeito ao professor era intocável. O respeito ao idoso era completamente diferente, até nos gestos mais simples, como dar o lugar no ônibus. Hoje há uma falta de educação total. E falta de cultura, pois a juventude de hoje tem menos cultura do que a anterior.

Mesmo com o acesso à internet?

De que adianta ter acesso se não aprendem? Eu, por exemplo, sou uma usuária constante do Google. Vou atrás, a fim de conhecer mais, de saber tudo o que existe sobre o assunto. Mas ainda sobre a educação, todos já vimos casos de crianças batendo no professor, onde já se viu?! Aí a mãe é chamada. E ela, ao invés de dar uma corretiva no filho, passa a mão na cabeça do menino e ‘coitadinho do meu filho’.

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