Mais doses e aceleração do processo de imunização, dizem especialistas

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A imunização não diminui a importância do isolamento e das medidas restritivas, já que as vacinas não são 100% eficazes e é necessário que uma grande parcela da população esteja vacinada, o que está longe de acontecer no Brasil.

Por Rodrigo Tammaro (*)


A vacinação contra a covid-19 no Brasil começou há cerca de três meses. Desde então, pouco mais de 10% da população recebeu a primeira dose e aproximadamente 3% dos brasileiros estão com o regime de imunização completo. Apesar de lento, o processo de imunização avança. Dados do portal Our World In Data, ligado à Universidade de Oxford, indicam que o número de doses aplicadas diariamente no Brasil cresceu 123% ao longo de março.

Mesmo com esse avanço, a situação da pandemia no País continua crítica. O aumento expressivo no número de casos durante o andamento da vacinação não é exclusivo do Brasil. No Chile, onde 45% da população já recebeu a primeira dose, o índice de casos diários registrados é o maior desde o começo da pandemia no país, quando nenhuma vacina havia sido aplicada.

Segundo Paulo Lotufo, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), isso ocorre porque nenhum dos países têm cobertura vacinal suficiente para alcançar a imunidade coletiva, que requer aproximadamente 70% da população completamente imunizada.

Jorge Elias Kalil, também professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), comenta que o relaxamento das medidas de restrição e o aparecimento de novas variantes contribuem para o aumento dos casos, mesmo que mais pessoas estejam sendo vacinadas. “Não tenho dúvida que o grande mal está no relaxamento e nas aglomerações, isso é o grande problema”, afirma. “O segundo grande problema são essas variantes mais infecciosas”, completa. 

Isolamento é necessário

A lentidão brasileira no processo de imunização se deve principalmente à falta de vacinas. De acordo com Lotufo, além da maior disponibilidade de doses, é preciso acelerar a aplicação dos imunizantes. “Os municípios, no início, foram muito lentos na aplicação”, diz. “O efeito da vacina é ter quantidade e velocidade”, acrescenta.

Ainda é cedo para apontar resultados da vacinação para a população em geral, mas começam a aparecer os primeiros indícios de resultados nos grupos prioritários, os primeiros a receberem os imunizantes. Dados da Secretaria da Saúde de São Paulo indicam queda de 55% dos óbitos de idosos com mais de 90 anos, em decorrência do coronavírus, entre janeiro e fevereiro.

Um estudo em andamento no Hospital das Clínicas da USP também indica queda nos casos entre profissionais de saúde. De acordo com Kalil, é necessária cautela na análise desses dados, mas, “sem dúvida alguma, a vacinação já está fazendo efeito, pelo menos para doença grave”.

Ainda assim, é preciso compreender que a vacinação não diminui a importância do isolamento e das medidas restritivas, já que as vacinas não são 100% eficazes e é necessário que uma grande parcela da população esteja vacinada, o que está longe de acontecer no Brasil. “As pessoas têm que tomar consciência e não se aglomerarem, e quem tiver possibilidade tem que se vacinar”, afirma Kalil. “As políticas de distanciamento social são necessárias, vamos continuar tendo muitas atitudes de controle até chegarmos a uma normalidade”, comenta Lotufo.

(*) Rodrigo Tammaro, redator do Jornal da USP no Ar, uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. Matéria publicada no dia 15/04/2021.

Fotos públicas/Governo SP


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