Mais da metade dos idosos querem viajar

Com o aumento da população idosa, passam a ser frequentes as pesquisas encomendadas pelas empresas para avaliar o perfil e o potencial de compra desse segmento. Pensando nas perspectivas desse novo nicho de mercado, até então, pouco explorado, a Quorun Brasil, empresa especializada em pesquisa de mercado, realizou um estudo com homens e mulheres de 60 a 75 anos. Os resultados não surpreendem: Mais da metade dos brasileiros na terceira idade têm planos de conhecer as cidades e regiões mais famosas do Brasil, isto quer dizer que 58% dos entrevistados desejam viajar pelo País.

 

 

mais-da-metade-dos-idosos-querem-viajaNa verdade o que parece interessante nos números é a avaliação do imenso potencial de consumo que a turma, considerada, da terceira idade, apresenta. Um campo vasto que pode ser trabalhado de acordo com o poder aquisitivo e condições de cada indivíduo.

A pesquisa aponta um dado importante: esses idosos são considerados ativos, visto que representam 14% da população brasileira e são responsáveis por cerca de R$ 2,4 bilhões de renda própria. Cláudio Silveira, economista e sócio-diretor da Quorum Brasil, justifica o resultado: “São consumidores que se tornaram mais velhos, mas que os hábitos continuam os mesmos”.

Parece o óbvio. Não é porque envelhecemos que mudamos nossos gostos e hábitos. Ao contrário, é justamente nesse momento da vida que queremos desfrutar, aproveitar, viver a vida, que em anos passados, por força das obrigações e trabalho, não conseguimos.

Os entrevistados também mostraram que ainda têm o gosto pela aventura, pelo inusitado, aquele forte desejo de sentir “um certo friozinho na espinha”. Os números parecem não mentir: 33% desejam andar de moto, saltar de paraquedas, passear de balão, andar de lancha e pilotar de avião. Outros 9% têm planos de comprar um carro, uma casa na praia, uma casa no campo, encontrar um namorado novo ou gravar um CD.

Em função dos resultados encontrados, a pesquisa concluiu que é preciso reavaliar os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para considerar uma pessoa de 60 anos de idade como idosa. Podemos perceber que, neste caso, nem precisaríamos de pesquisas para um dado como esse.

Desejo versus realidade

Temos muitos desejos, mas a realidade financeira se apresenta bem diferente: apenas 4% do dinheiro que os idosos recebem é dedicado ao lazer. De acordo com a pesquisa, um total de 34%, ou seja, a maioria da renda, é gasta com moradia, água, luz, telefone e gás. Os remédios vêm em segundo lugar, à frente da alimentação, que aparecem com 24% e 22% dos investimentos, respectivamente.

Apesar disso, Cláudio Silveira avalia que, mesmo com as dificuldades, o público representa mais que um grande potencial: “Eles não viajam mais por outra razão. Eles têm uma despesa muito grande e sobra pouco para o lazer. Se a gente tivesse planos mais econômicos para esse tipo de segmento de mercado, eles viajariam muito mais”.

De acordo com o economista, algumas mudanças devem ser feitas, entre elas podemos falar de planos diferenciados para a terceira idade, custos menores de passagem e impostos reduzidos: “O imposto sobre serviço não quer saber se você tem 70 ou 25 anos”. Ele ainda ressalta que os tributos aos idosos devem ser pagos baseados na renda que já é reduzida.

Descompasso entre o que o mercado oferece versus demanda

Dados da pesquisa apontam ainda um significativo descompasso: grande parte dos entrevistados sente falta de produtos adequados ao seu estilo. Um dos exemplos está na indústria alimentícia. Silveira afirma que “71% dos idosos dizem que não encontram alimentos que sejam adequados para eles. A indústria poderia se alimentar dessa oportunidade e construir caminhos, desenvolver produtos”.

Isto sem falar das roupas. Silveira explica que o setor vestuário também está entre as reclamações dos entrevistados e 42% das pessoas dizem que não encontram roupas adequadas ao seu estilo de vida: “Ele vai ter que usar roupa de uma pessoa de 80 anos, mas também não quer usar a calça jeans do quarentão. Ele não se sente velho”. Além de não se sentir velho não quer ser chamado de velho.

No segmento turístico, a pesquisa aponta que mais de dois terços dos entrevistados criticaram os hotéis. Entre as reclamações, estavam a falta de banheiros adaptados para a segurança, tapetes no chão dificultando o tráfego, e a falta de elevadores. De nada adianta aquecer o mercado turístico com planos viáveis e acessíveis para todos os bolsos se não pensarmos nessa infraestrutura que vai recebê-los.

Pelo estudo realizado pela Quorum Brasil, constatou-se que os entrevistados representam uma grande parcela da economia Brasileira. Além do alto consumo, os dados apontam que 64% da categoria compra pela qualidade e não pelo preço: “É um segmento grande e tende a crescer”, afirma o economista.

Oportunidades

O website da Revista Fator anuncia que a TRIP Linhas Aéreas, lança o programa Melhor Idade – Melhor Viagem, que oferecerá descontos de até 80% para pessoas com 60 anos ou mais. Os bilhetes são válidos para todos os destinos e trechos operados exclusivamente pela companhia, em qualquer época do ano. As passagens com desconto poderão ser compradas com pelo menos 15 dias de antecedência em todos os canais de venda da companhia como: internet, pelo site www.voetrip.com.br, nos aeroportos e também nas agências de viagens.

Referências

SUGETTE, A.B. (2012). 58% dos brasileiros acima de 60 anos querem viajar. Disponível Aqui. Acesso em 31/05/2012.

REVISTA FATOR (2012). TRIP Linhas Aéreas oferecerá descontos de até 80% para terceira idade. Disponível Aqui. Acesso em 17/04/2012.

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Redação Portal do Envelhecimento

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