Livros recém lançados em São Paulo mostram idosos como jornalistas e cronistas

O lançamento dos livros em que os idosos são jornalistas e cronistas é um recado aos gestores da informação para que pautem mais com os leitores idosos. Eles devem saber que além de leitor, o idoso tem autonomia e capacidade para produzir notícias, reportagens e crônicas.


Com diferença de duas semanas, São Paulo ganha dois livros produzidos por pessoas acima dos 60 anos. O primeiro deles, lançado no dia 23 de maio, na USP, chamado “Reproposta para todas as idades” foi resultado da reedição de um veículo de comunicação para idosos feito por idosos, que lá atrás era o Jornal Reproposta, cuja primeira edição foi lançada em dezembro de 1997, pela USP Aberta à Terceira Idade, sob a coordenação do professor Manuel Carlos Chaparro (ECA/USP), e que 22 anos depois retoma no formato livro (impresso e em ebook) intitulado “Reproposta para todas as idades”, sob a coordenação da professora Cremilda Medina.

O segundo livro, “Focas Experientes: Histórias de Vida e Jornalismo no Profissão Repórter 60+”, lançado no dia 29 de maio, na Unibes, foi coordenado pela jornalista e coordenadora editorial, Lilian Liang, e é resultado do projeto Profissão Repórter 60+, com recursos do Conselho Estadual do Idoso e da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social de São Paulo.

A escolha de assuntos relacionados ao envelhecimento na imprensa tem sido restrita a questões de saúde, associando velhice à doença, e questões ligadas ao sistema de Previdência Social. Portanto, o lançamento dos livros é um recado aos gestores da informação para que pautem mais com os leitores idosos. Eles devem saber que além de leitor, o idoso tem autonomia e capacidade para produzir notícias, reportagens e crônicas.

Reproposta para todas as idades

Como os idosos se relacionam com a mídia? Eles devem apenas ler, ou também pode produzir conteúdo jornalístico? De que maneira ele realiza essas duas atividades? Foi com essas questões que o Reproposta surgiu como um jornal feito somente por idosos que integrou o projeto Universidade da Terceira Idade em 1997 e coordenado pelo professor Chaparro. O objetivo era fazer com que os alunos entendessem o processo jornalístico tanto como leitores, quanto como repórteres, que produzissem jornalismo com efeitos sociais de muita valia.

Em declaração à mídia em 2011, o professor Chaparro contou que um aluno, o Paulo, foi quem deu nome ao projeto, ao dizer o seguinte. “A terceira idade é a fase em que as propostas de vida se esgotaram, já teve carreira profissional, filhos, netos. Então, quando chegamos nesse estágio, nós precisamos de uma nova proposta de vida, por isso o nome Reproposta”.

A reedição do projeto, coordenado agora pela professora Cremilda Medina, é resultado da oficina interdisciplinar de Narrativas da Contemporaneidade, que é ofertada aos alunos da USP Aberta à Terceira Idade e se insere nas “bases epistemológicas de um tripé: a valorização solidária da terceira idade, o aprimoramento da racionalidade complexa para acompanhar sua presença ativa nas sociedades contemporâneas e a sensibilidade poética para narrar seus movimentos”. Os alunos “experimentam uma prática efetiva de comunicação social (e não de simples divulgação informativa)”, diz ela no prefácio do livro.

Livro disponível em: http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/337/301/1258-1

Livro Focas Experientes

O projeto Profissão Repórter 60+, iniciado em junho de 2018 com recursos do Fundo Estadual do Idoso e uma parceria entre a Associação Centros Etievan e da Dínamo Editora, formou 106 focas 60+ em três turmas com 12 aulas uma vez na semana, e como resultado a publicação do livro “Focas Experientes: Histórias de Vida e Jornalismo no Profissão Repórter 60+”, o qual conta com matérias produzidas durante o curso, além do perfil de alguns alunos, narrando suas velhices.

O objetivo da proposta “era dar voz a essa crescente parcela da população através do ensino de jornalismo e tecnologia, de modo a incentivar o empoderamento e o protagonismo”, diz Lilian Liang, idealizadora do projeto e diretora de redação da Dínamo Editora. Ela escreve: “talvez o maior mérito do projeto tenha sido proporcionar a essas pessoas um espaço de aprendizado e experimentação, de resgate de autoestima e descoberta de potencialidades”.

Foca é um termo usado para os jornalistas iniciantes.  No caso do repórter 60+ as histórias e experiências de vida tornaram os velhos focas jornalistas para lá de especiais. O contato com pessoas que apesar da vivência, mantinham o brilho no olhar daquele que busca algo novo foi marcante para todos no dia do lançamento.

Nesse dia, Malu de Alencar, 70 e poucos anos, aluna da segunda turma subiu ao palco e disse: “O curso trouxe a certeza de que o idoso tem um papel muito importante na sociedade. Somos uma nova geração de velhos protagonistas de nossas vidas. O curso veio firmar esta condição”.


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