Livro branco sobre a solidariedade 
entre as gerações 
e envelhecimento ativo

Este documento não pretende ser um ensaio sobre a solidariedade entre gerações ou sobre o envelhecimento ativo. Ele trata e organiza a informação recolhida em diversas regiões do país em função dos temas propostos para discussão, completando-a e enquadrando-a com elementos recolhidos através de pesquisa documental.

Ana Cardoso

 

livro-branco-sobre-a-solidariedade-entre-as-geracoes-e-envelhecimento-ativoÉ um contributo para a promoção e fortalecimento do diálogo e da aprendizagem entre gerações, mediante a colaboração entre diferentes intervenientes a nível nacional, regional e local.

No programa de ação da coordenação do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações estava previsto a elaboração de um Livro Branco do Envelhecimento Ativo. Entendeu-se que aquele Ano Europeu, celebrado em 2012, constituía uma oportunidade para a “criação de uma dinâmica de participação e envolvimento na procura de um maior conhecimento da realidade do envelhecimento e da solidariedade entre gerações.” (Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações, 2013: 29), assumindo-se o Livro Branco como uma estratégia para a concretização de tal dinâmica.

O documento a produzir seria um contributo para a promoção e fortalecimento do diálogo e da aprendizagem entre gerações, mediante a colaboração entre diferentes intervenientes a nível nacional, regional e local. Neste sentido, propunha-se, como metodologia de trabalho, a realização de um conjunto de workshops cobrindo Portugal Continental e Regiões Autónomas.

Ainda que sem cumprir integralmente a lógica de um livro branco, o presente documento procura corresponder às intenções anteriormente explicitadas dando os seus contributos para um livro branco. Elaborado com o cofinanciado do Programa Operacional de Assistência Técnica / QREN, ele assenta num processo de participação e de “tomar a palavra” por parte de um número alargado de cidadãs e cidadãos. Assim, foram realizados sete workshops em diferentes pontos do país: Almada, Aveiro, Braga, Guarda, Angra do Heroísmo, Funchal e Beja.

Estes workshops, cada um com a duração de um dia inteiro, tiveram como objetivos:

– Promover um maior conhecimento sobre a construção de uma sociedade mais solidária, numa perspectiva intergeracional;

– Promover um maior conhecimento sobre os limites e desafios que, nos tempos atuais, se colocam à construção dessa mesma sociedade;

– Promover um diálogo intergeracional.

Com a sua realização foram abrangidas 240 pessoas de diferentes idades, diferentes zonas do país, com diversas experiências profissionais e pessoais, num exercício plural. Assim, foi possível reunir mulheres e homens dos 20 aos 80 anos; pessoal técnico e dirigente de instituições particulares e da administração pública central e local; elementos de associações e de grupos de voluntariado; professores e professoras universitárias; jovens empreendedores, jornalistas e artistas; cidadãos e cidadãs com as suas experiências de vida.

Com vista à concretização de cada um dos sete workshops foram criados três grupos de trabalho, de acordo com os seguintes temas de reflexão: Sociedade: políticas públicas e práticas institucionais; Famílias e relações Inter geracionais; e Imagens e perceções.

Cada grupo de trabalho contou com a presença de uma animadora do CESIS – Centro de Estudos para a Intervenção Social. Salientando-se, nessa qualidade, a participação ativa de: Ana Paula Silva; Elsa Figueiredo; Heloísa Perista e Maria João Semedo. Todas as sessões foram gravadas e a discussão foi posteriormente transcrita para uma análise mais fidedigna.

Nos diferentes grupos houve a capacidade para criar um ambiente de participação, de modo a que cada sujeito percebesse que tinha um contributo a dar. As narrativas e interpretações sobre as realidades vividas fluíram sem que estivessem isentas de contradições mas sem que consensos fossem necessários, deixando-se emergir diferentes perspectivas sobre o tema. A discussão suscitou, por vezes, interrogações que anteriormente não tinham sido colocadas às pessoas participantes, já que uma reflexão sobre o envelhecimento ativo é, apesar de tudo, mais frequente do que a realizada sobre a solidariedade intergeracional.

(Auto)reflexão

Este processo de construção participada do conhecimento terá certamente os seus limites mas proporcionou momentos de (auto)reflexão e os comentários e observações recolhidas, no ato da avaliação, revelam a pertinência da sua realização:

– “Discussão muito útil em termos pessoais e profissionais”.

– “Deveras interessante a possibilidade de discutir as diversas formas como cada um analisa este assunto”.

– “Feliz ideia a de juntar uma variedade tão grande de personalidades representativas da sociedade a pensar e debater uma temática muito importante na atualidade”.

o “Tema de grande atualidade tendo em conta as transformações demográficas e sociais em curso. Importante a partilha de experiências”.

– “Refletir sobre o envelhecimento ativo e intergeracionalidade é algo inovador”.
o “Foi uma atividade extremamente interessante com partilha de conhecimentos, troca

de ideias e muita reflexão”.

– “É muito importante recolher a opinião de quem trabalha no terreno promovendo estes momentos de partilha”.

– “É importante continuar com estes encontros e que as conclusões sejam incluídas nas medidas de política e nos programas futuros”.

Este documento não pretende ser um ensaio sobre a solidariedade entre gerações ou sobre o envelhecimento ativo. Pretende, antes, respeitar a palavra tomada nos workshops. Neste sentido, trata e organiza a informação recolhida em função dos temas propostos para discussão, completando-a e enquadrando-a com elementos recolhidos através de pesquisa documental.

O documento foi apresentado numa sessão pública em Abril de 2014, tendo sido comentado por especialistas de várias áreas. Assim, aqui fica o nosso agradecimento a: Amílcar Moreira; Carla Ribeirinho; Manuel Villaverde Cabral; Margarida Chagas Lopes; Maria de Lurdes Quaresma; Sibila Marques.

Um agradecimento é também devido a toda a equipa do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações, na pessoa da sua coordenadora Maria Joaquina Madeira, pela forma comprometida e empenhada com que acompanharam todo o processo.

Finalmente, cabe referir e agradecer o apoio da Fundação Montepio que possibilitou a edição deste trabalho.

O texto é, porém, da inteira responsabilidade da autora.

Uma palavra para a capa na qual se impõe a imagem de uma romã. Esta transmite a mensagem vibrante de uma vida em diversidade por onde circulam linhas de energia, linhas que a alimentam e lhe dão coesão.

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