Livro aborda moradias para Longeviver

Tempo de Leitura: 5 minutos

Moradias para a longevidade devem apresentar caminhos de conexão entre a bioengenharia e elementos emocionais dos moradores idosos com aplicabilidade global.

Norton Mello (*)


O acesso às melhores condições de saneamento, educação, alimentação e medicina em nível global vêm sistematicamente aumentando a expectativa de vida da população, em especial nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nem mesmo a pandemia do SARS-COV-2, que atingiu em cheio a população idosa, particularmente na Europa, foi capaz de diminuir a velocidade com que esse crescimento exponencial ocorre em nível global.

Para o ano de 2030 estima-se um crescimento médio da população idosa de 23% para a Europa, 41% para a América do Norte, 47% para a Oceania, 64% para a África, 66% para a Ásia e 71% para a América Latina. Esse fenômeno traduz pontos positivos em relação aos índices correlacionados como a diminuição da mortalidade infantil, aumento na quantidade de anos em que as pessoas podem ser úteis em suas comunidades ou desfrutar de suas conquistas materiais e imateriais (convívio com a família e amigos, por exemplo).

Por outro lado, alguns obstáculos pouco perceptíveis em outros tempos, apresentam-se como grandes desafios a serem vencidos pela sociedade em relação à qualidade de vida da população idosa, tais como as limitações físicas e doenças advindas com a longevidade. Associe-se ao quadro a falta de fiscalização e execução das políticas de inclusão, os muitos casos de abandono, o sentimento de solidão e depressão. É perceptível que este panorama exige ações que permitam a continuidade do pertencimento à sociedade de forma tão ativa e digna quanto possível.

Evidentemente que as estruturas físicas dos equipamentos urbanos e edificações não poderiam passar ao largo de adaptações necessárias para este novo cenário. De fato, esse desafio é global: promover acessibilidade visual, auditiva e de mobilidade nas ruas e edificações, nos transportes e no mobiliário urbano, bem como no interior das residências.

A abordagem proposta no livro “Senior Living – Conceitos, Mercado Global e Empreendimentos de Sucesso” ressalta a lacuna de conhecimento técnico e científico da maioria dos projetistas em todos os países, muitos dos quais ainda desenvolvem edificações sem a observância de requisitos mínimos de conexão entre projetos e emoções, dando ênfase em aspectos econômicos e culturais locais onde os empreendimentos estão inseridos.

Por isso a obra responde a três grandes objetivos que foram perseguidos durante 7 anos,  coletando desde impressões despretensiosas sobre o tema, até aprofundamento científico acadêmico que culminou em um trabalho de Doutorado nos Estados Unidos: a) Apresentar soluções de bioengenharia aplicada em projetos arquitetônicos que estimulem a inclusão do idoso; b) Incorporar elementos técnicos específicos nos projetos que potencializem as habilidades físicas, cognitivas e emocionais para pessoas idosas; e c) Esclarecer como, quando se dá o processo decisório para a adesão aos empreendimentos, identificando argumentos positivos para a decisão para cada um dos protagonistas envolvidos. Foram inúmeras visitas técnicas com entrevistas, estudos de casos e análises de pesquisas realizadas tendo como foco aspectos relacionados com a longevidade, objetivando a análise de comportamentos e em como conectá-los com os ambientes.

Este cenário apresenta situações que conferem ao idoso o agravamento de sua vulnerabilidade natural, isolado de um mundo em que poderia trocar experiências com seus pares, se sentindo inútil e um peso para a família e/ou sujeito aos impactos das doenças relacionadas ao avanço da idade, como as cardiopatias, acidentes vasculares, doença pulmonar obstrutiva crônica, neoplasias, diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, demências, entre as mais comuns. Problemas relacionados à acuidade visual, deficiência auditiva, depressão, equilíbrio e mobilidade também contribuem para um estado físico mais limitante e restritivo.

senior livng

Dentre os principais fatores de ordem arquitetônica e de engenharia que corroboram para a exposição aos riscos estão pisos escorregadios, armários altos que exigem escadas (ou bancos, como prática usual), falta de barras de apoio, iluminação inadequada, tapetes e carpetes, altura de pias e bancadas, dimensões reduzidas de portas que não permitem a passagem de cadeirantes, portas de banheiros que abrem para o interior dos mesmos impedindo o acesso para resgate em caso de queda e dimensões inadequadas de instalações sanitárias que não permitem que acompanhantes auxiliem na higiene.

Residências e apartamentos continuam sendo perigosos para pessoas idosas. Verificou-se a baixa abrangência na abordagem sistêmica dos aspectos citados, indicando a importância em se produzir estudos científicos mais frequentes e atualizados à medida que a tecnologia e a sociedade avançam em todas as dimensões do envelhecimento e longevidade.

Ao apresentar um modelo de moradia que apresente caminhos de conexão entre a bioengenharia e elementos emocionais dos moradores idosos com aplicabilidade global, espera-se garantir o aumento da longevidade tão saudável quanto possível e ganhar escala para diminuir seus custos de implantação. A replicabilidade dos conceitos e recomendações elencados neste livro permitirá impactar a sociedade para viabilizar moradias para idosos diminuindo o desequilíbrio entre oferta e demanda nos países em desenvolvimento e melhorando os índices de envelhecimento saudável e ativo para todos.

Mas afinal, quais elementos em moradias para idosos os potencializa para uma longevidade saudável e independente por mais tempo?

Elementos técnicos de bioengenharia conectados à sustentação emocional nas moradias para idosos podem atrair e promover a aderência dos mesmos ao desenvolvimento e manutenção de habilidades motoras, cognitivas e sociais, aumentando a expectativa de vida.

Por outro lado, a superestimativa de independência prejudica a percepção para aceitar auxílio e mudança, não importando quantos e quais elementos sejam necessários incorporar nas moradias.

O tema é complexo e orbita aspectos de arquitetura, engenharias, psicologia, medicina, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, direito, administração, economia, ciências políticas, para citar algumas das dimensões, as quais isoladamente não conseguirão jamais criar solo fértil para o encaminhamento de soluções. Mas adianto que, ainda que se trabalhe com o conjunto multidisciplinar, os encaminhamentos devem envolver compaixão, empatia e amor.

Serviço
Livro Senior Living – Conceitos, Mercado Global e Empreendimentos de Sucesso
Autor: Norton Mello
Páginas: 264 ebook e 176 impresso
Editora: Bioeng Book
Venda: Amazon.com

(*) Norton Mello – Graduado em Engenharia Civil pela UFPR, Mestre em Engenharia Biomédica pela UTFPR e PhD. Healthcare Management, pela FCU, Orlando, FL – USA. É CEO da BIOENG Projetos e já desenvolveu mais de 1,5 milhões de m² em projetos na área de saúde e bem estar. É professor de cursos de pós-graduação no Brasil e nos Estados Unidos. É autor de cinco Livros sobre Planejamento e Projetos de Edificações de Saúde. Membro da Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica, da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar e da International Federation of Hospital Engineering.


Portal do Envelhecimento

Redação Portal do Envelhecimento

portal-do-envelhecimento escreveu 3740 postsVeja todos os posts de portal-do-envelhecimento