LATE, parece Alzheimer… mas não é

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Entender como o cérebro humano funciona e o que acontece na medida em que se envelhece ainda consiste em um dos maiores desafios a ser percorrido pela ciência. Um grupo de pesquisadores de diversos países identificou um novo tipo de demência, a LATE, que, durante muito tempo, teria sido confundida com a doença de Alzheimer.


O que se sabe de fato sobre as demências? E entre elas a de Alzheimer? E agora a LATE? Muitos diriam que nosso cérebro é uma grande incógnita e que pouco ou nada se sabe sobre as demências que acometem especialmente pessoas acima de 60 anos. Talvez a única certeza seja o medo que temos, especialmente os idosos, de um dia vir a desenvolvê-la, como bem colocou Laura Carstensen, psicóloga e diretora do Centro de Longevidade da Universidade de Stanford, nos EUA, em um artigo escrito para o jornal “The Washington Post” recentemente.

Entender como o cérebro humano funciona e o que acontece na medida em que se envelhece ainda consiste em um dos maiores desafios a ser percorrido pela ciência. A última descoberta foi realizada por um grupo de 34 pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Reino Unido, Suécia e Austrália, com base em autopsias de pessoas com mais de 80 anos de idade, e coordenados por Peter Nelson, da Universidad de Kentucky, que identificou um novo tipo de demência que, durante muito tempo, teria sido confundida com a doença de Alzheimer. Esse grupo publicou um artigo na revista especializada Brain sobre o reconhecimento de um tipo de demência que eles chamam de LATE. Essa é a sigla que eles usam para identificar a “Encefalopatia TDP-43 relacionada à idade predominante no sistema límbico (Limbic-predominant age-related TDP43 encephalopathy)”.

Como eles assinalam no artigo, o LATE é causado pela presença de acúmulos de proteínas TDP-43 em três regiões específicas do cérebro: a amígdala, o hipocampo e o giro frontal médio. Da mesma forma, eles descobriram que a probabilidade de aparecer é de 25% em indivíduos com 80 anos ou mais, razão pela qual é considerada uma patologia que afeta principalmente pessoas com longevidade mais avançada, ou seja, acima dos 80 anos.

Entre as razões que levaram à confusão desse novo tipo de demência com a doença de Alzheimer, está a semelhança entre seus sintomas, como perda de memória e deterioração de outras funções mentais. Da mesma forma, observa-se que no cérebro daqueles que sofreram LATE há um acúmulo de proteínas beta amilóides e tau; circunstância diretamente associada ao aparecimento da doença de Alzheimer. Os pesquisadores escreveram que uma das principais consequências negativas dessa sobreposição foi o fracasso de muitos tratamentos experimentais para a doença de Alzheimer devido a um diagnóstico ruim que levou a testá-los em pacientes que realmente tinham LATE ou tinham ambas as patologias. Os pesquisadores apontam que de 15% a 20% dos casos que se parecem com Alzheimer poderiam ser na realidade a demência chamada LATE.

Para tornar essa situação ainda mais complexa, as autópsias de pacientes idosos que sofrem de demência mostram que o LATE também pode gerar alterações cerebrais semelhantes às apresentadas antes de uma demência do tipo frontotemporal. Sem dúvida, ainda é necessário direcionar esforços para identificar seus marcadores biológicos, a maneira mais eficaz de diagnosticá-lo e possíveis tratamentos. Dessa forma, escrevem os autores, será possível conhecer o verdadeiro impacto que o LATE tem na saúde pública e tomar medidas para evitá-la.

Infelizmente, o que verificamos por aqui é que ante qualquer episódio de perda de memória esta ainda é vista como sinal de Alzheimer pela grande maioria dos profissionais de saúde.


Curso dará uma visão sobre quais são as grandes síndromes geriátricas e sua repercussão para a vida do idoso, seus familiares e grupo social. Será ministrado por Maria Elisa Gonzalez Manso, que é graduada em Medicina e bacharel em Direito, com pós-doc em Gerontologia social, e professora titular do Curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo.
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