Instituições Asilares: presentes no V Congresso Norte-Nordeste de Terapia Ocupacional

Notou-se a preocupação dos profissionais com a problemática do envelhecimento populacional, através da busca de novos recursos e técnicas para tornar essa realidade mais estruturada, oportunizando uma melhor qualidade de vida aos idosos, mesmo diante das dificuldades que podem decorrer ao se vivenciar este processo.

Maria Amélia Ximenes Correia Lima

 

Discutiu-se além da atuação da terapia ocupacional na área, tecnologia assistiva, instrumentos de avaliação do idoso, a velhice e as leituras possíveis em terapia ocupacional, acessibilidade universal, a família e o idoso com demência, corpo consumo e velhice, corpo incurabilidade e saber médico, promovendo qualidade de vida através de ações terapêuticas, redes de apoio social intergeracionais, dentre outros temas.

Com relação aos temas apresentados em forma de pôster, a reabilitação cognitiva nas demências, a depressão, idosos asilados e saúde comunitária foram os temas abordados. Segue-se o resumo de três dos trabalhos apresentados nesta forma.

A fotografia como recurso terapêutico a idosos institucionalizados

Este foi o título de um dos trabalhos apresentados como resultado de um projeto desenvolvido na instituição Vila Vicentina Abrigo para Velhos, em convênio com a Universidade do Sagrado Coração (Bauru/SP), dentro do Estágio de Terapia Ocupacional em Gerontologia e Geriatria, no qual participo, juntamente com Adriana Lúcia P. Aparecido, Fernanda Tentor, Gabriela Caron Macari e Ellen Patrícia Gomes. Ao nos depararmos com a dificuldade de muitos alunos frente a uma situação de marasmo institucional, isolamento social, inércia dos idosos e desinteresse pela vida, o projeto teve como objetivomobilizar os residentes,incentivando-os a saírem de seus quartos através do convite: – “vamos tirar fotos?”. Com isso, se promoveu o aumento da auto-estima, estimulou as AVDs, a memória, criatividade, atenção e concentração, proporcionando integração grupal e trocas de experiências. Além de trabalhar o reconhecimento e a utilização dos diversos ambientes da instituição.

O trabalho foi realizado com intervenções feitas em quatro encontros com duração de 3 horas utilizando a fotografia como recurso terapêutico. Os resultados forampositivos, na medida em que a atividade se estendeu além do programado, pois os idosos solicitaram para que as alunas tirassem fotos individuais de cada um para que pudessem enviar aos seus parentes. A partir de então partimos para a confecção de cartões, porta retratos e outras atividades ao longo do semestre, favorecendo a aproximação de seus familiares, respeitando sua individualidade, capacidade de escolha e decisão dos idosos.

Autonomia e independência na velhice, desafios a serem enfrentados

Manter uma instituição para idosos como uma unidade de vida ou como um lugar onde a vida é valorizada e a dignidade do velho é reconhecida até no leito de morte é um desafio permanente. Por acreditar nessa possibilidade surgiu este projeto desenvolvido na instituição Lar dos Desamparados, em convênio com a Universidade do Sagrado Coração (Bauru/SP), dentro da disciplina de T.O. Aplicada a Gerontologia e Geriatria, durante o 2º semestre de 2003. O projeto contou com a participação de Maria Amélia Ximenes Correia Lima, Alexandra Santos, Ana C. Tentor Salles, Elaine Ferreira, Fabiana G. Kano, Fernanda Berbel, Janete T. N. M. Rossi, Maria Paula F. R. de Medeiros e Martina de Freitas Segalla.

O principal objetivo era favorecer o autoconhecimento trazendo à tona desejos e interesses, promover a autonomia, independência e o sentido de comunidade (pertencimento), estabelecer a integração entre idosos, ambiente institucional e externo e resgatar a cidadania. Após a avaliação institucional e da clientela assistida (homens) foram estabelecidos os objetivos e a partir destes, programado os atendimentos. Foram 10 encontros que aconteceram nos meses de setembro a novembro com duração de 2 horas. As atividades realizadas pelo grupo foram do tipo artesanais (porta retrato, carteira de couro, porta trecos, enfeites, quadros, porta níqueis, etc.), de lazer (organização de festa) e de autocuidado entre outras. Houve necessidade de algumas adaptações para que estas atividades fossem realizadas com êxito. As alunas deram uma palestra de conscientização sobre o processo de envelhecimento, quem é o idoso institucionalizado e a importância dos atendimentos e orientações de terapia ocupacional para diretoria e os funcionários da instituição. As atividades propostas viabilizaram a expressão, a espontaneidade, o conhecimento de suas potencialidades, limitações e a melhor maneira de conviver com estas, promovendo o desenvolvimento nos aspectos: físico, emocional, intelectual e social dos idosos atendidos, um caminho, portanto, para conquista da sua autonomia. A Terapia Ocupacional passou a ser valorizada na instituição.

A presença da terapia ocupacional nas visitas domiciliares

Por acreditar nessa possibilidade surgiu este projeto desenvolvido na instituição Lar dos Desamparados, em convênio com a Universidade do Sagrado Coração (Bauru/SP), dentro da disciplina de T.O. Aplicada a Gerontologia e Geriatria, durante o 2º semestre de 2003. Participaram dele, Maria Amélia Ximenes Correia Lima, Aline Carolina Coppi, Elen Patrícia Gomes, Lara de Castro Legaro, Luiz Cláudio de Oliveira Carvalho, Márcia Cristina A. Fernandes Moraes, Sirlene Oride, Vivian Maria Sandri. O projeto teve como principais objetivos atuar junto à comunidade proporcionando ao aluno condições de analisar os indicativos de saúde e as situações que geram agravos na saúde dos idosos; respeitar e analisar a atuação e atribuição de cada profissional inserido no programa; valorizar a visão holística do conceito de saúde; valorizar os instrumentos teóricos e práticos adquiridos durante a graduação em consonância com a realidade do atual mercado de trabalho; saber levantar os problemas imediatos e traçar estratégias de intervenções adequadas à realidade sócio-cultural da família do idoso. A Atuação conjunta de alunos do último semestre de graduação, a supervisora do estágio e a enfermeira da instituição em suas visitas domiciliares solicitadas pelo médico proporcionou aos alunos um trabalho diferenciado do modelo assistencial tradicional, alertando-os para as dificuldades referentes à carência de recursos materiais e a intervenção terapêutica em situações de improviso. Obrigou-os a criar novos modos de intervenção dentro de uma realidade extraclínica, ao conhecerem a casa do paciente, seu ambiente familiar e a comunidade em que vive. Experimentaram o ambiente multidisciplinar.

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