Início da Década de Envelhecimento Saudável (2021-2030) das Américas

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A Década é a principal estratégia atual para alcançar e apoiar ações para construir uma sociedade para todas as idades. Ela estabelece uma agenda que pode reduzir as vulnerabilidades e aumentar os direitos, capacidades e resiliência das pessoas idosas.

por OPAS (*)


A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) celebrou o início da Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) no Dia Internacional das Pessoas Idosas (1 de outubro) com uma reunião interagências. Proclamada pela ONU em dezembro de 2020 e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a Década é a principal estratégia atual para alcançar e apoiar ações para construir uma sociedade para todas as idades. Ela estabelece uma agenda que pode reduzir as vulnerabilidades e aumentar os direitos, capacidades e resiliência das pessoas idosas.

A Região das Américas tem sido muito ativa na área do envelhecimento nas últimas duas décadas para melhorar a vida das pessoas idosas. Entretanto, a rápida transição demográfica, a instabilidade política e econômica, a alta diversidade e as desigualdades exigem um maior esforço a nível regional.

À medida que a expectativa de vida e a proporção de pessoas idosas aumenta, muitas pessoas idosas nas Américas não conseguem ter acesso aos recursos básicos necessários para uma vida com sentido e dignidade, e experimentam barreiras para uma boa saúde, apoio social e bem-estar. Tais barreiras são exacerbadas para pessoas idosas em ambientes vulneráveis e em emergências, como demonstrou a pandemia da COVID-19.

Para enfrentar os desafios do envelhecimento da população e garantir o desenvolvimento sustentável nas Américas, são necessárias ações e intervenções multisetoriais. A Década do Envelhecimento Saudável é uma oportunidade única para fortalecer os esforços na Região e para reunir líderes, organizações e diferentes partes interessadas para trabalharem juntos para o objetivo principal da Década, que é melhorar a vida das pessoas idosas, de suas famílias e de suas comunidades.

A Década exige a criação de um mecanismo regional interagências para promovê-la e implementá-la, a fim de coordenar a resposta das Américas ao envelhecimento da população e às iniquidades de saúde. Liderado pela OPAS, este mecanismo interagências aumentará a colaboração, participação e comunicação entre as agências da ONU e o Sistema Interamericano. Também proporcionará uma oportunidade de mudança transformadora, através de iniciativas intersetoriais e parcerias múltiplas que respondam às necessidades das populações idosas atuais e futuras.

Mais informações sobre a Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030):

A Década do Envelhecimento Saudável imagina um mundo no qual todas as pessoas possam ter vidas longas e saudáveis, e possam fazer as coisas que elas valorizam pelo maior tempo possível, isto é, manter a sua habilidade funcional. A habilidade funcional é determinada pelo ambiente em que vive uma pessoa e sua capacidade intrínseca que é composta por fatores mentais e físicos. A Década do Envelhecimento Saudável significa 10 anos de ação colaborativa entre diferentes setores e partes interessadas para promover o envelhecimento saudável e melhorar o bem-estar das pessoas idosas, concentrando esforços para que as pessoas idosas possam: Ter suas necessidades básicas atendidas; aprender, crescer e tomar decisões; circular com segurança; construir e manter relacionamentos; e contribuir para as suas famílias, comunidades e sociedades.

As 4 áreas de ação da Década

1) Área de Ação I: Mudar a forma como pensamos, sentimos e agimos com relação à idade e ao envelhecimento

Apesar de todas as contribuições e ações que as pessoas idosas fazem e fizeram às suas comunidades e familiares, ainda existem muitos estereótipos (como pensamos), preconceito (como nos sentimos) e discriminação (como agimos) em relação às pessoas com base em sua idade. A discriminação por idade afeta pessoas de todas as faixas etárias, mas tem efeitos particularmente prejudiciais sobre a saúde e o bem-estar das pessoas idosas.

Com o apoio da OPAS/OMS, a Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos das Pessoas Idosas foi aprovada na Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em junho de 2015. A Convenção defende especificamente a importância de garantir: a) a independência e a autonomia das pessoas idosas; b) o consentimento informado em relação à saúde; c) o reconhecimento igualitário da lei; d) a seguridade social, a acessibilidade e a mobilidade pessoal; e e) muitos outros direitos humanos fundamentais.

O valor dessas liberdades foi decidido por especialistas de várias regiões e vários países ratificaram esta Convenção, incluindo Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador e Uruguai. O Brasil ainda não ratificou.

Área de Ação II: Garantir que as comunidades promovam as capacidades das pessoas idosas

Ambientes físicos, sociais e econômicos, tanto rurais quanto urbanos, são importantes determinantes do envelhecimento saudável e fazem parte das poderosas influências no processo de envelhecimento, bem como nas oportunidades oferecidas durante esta etapa da vida. Ambientes amigáveis às pessoas idosas são os melhores lugares onde se pode crescer, viver, trabalhar, brincar e envelhecer, ou seja, uma comunidade amigável à pessoa idosa é um lugar melhor para todas as pessoas e idades.

Sendo assim, o Secretariado da OMS e outras agências das Nações Unidas foram solicitadas a expandir a Rede Global da OMS para Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas, e outros trabalhos de promoção ao envelhecimento saudável para garantir: a) evidência  e assistência técnica aos países para criar ambientes amigáveis às pessoas idosas, garantindo a inclusão dos  mais vulneráveis; b) oportunidades para conectar cidades e comunidades; c) trocar informações e experiências e facilitar o aprendizado por meio de lideranças nos países, cidades e comunidades sobre o que funciona para promover o envelhecimento saudável em diferentes contextos; d) ferramentas e apoio a países, cidades e comunidades para monitorar e avaliar o progresso na criação de ambientes amigáveis à pessoa idosa; e e) identificar prioridades e oportunidades de ação colaborativa e intercâmbio entre redes e outras partes interessadas.

A Rede Global da OMS para Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas atualmente inclui mais de 1000 cidades e comunidades em 41 países, cobrindo mais de 240 milhões de pessoas em todo o mundo. Apenas no ano de 2019, 186 comunidades nas Américas foram adicionadas à Rede Global da OMS. As Américas agora contam com mais comunidades aprovadas na rede do que qualquer região e representam mais da metade de todas as comunidades membros em todo o mundo, com mais de 600 cidades certificadas. Atualmente, os países aprovados incluem: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Costa Rica, Cuba, México, Peru, Porto Rico, Estados Unidos e Uruguai.

A adesão à rede não é um título de cidade amiga. Em vez disso, reflete o compromisso das cidades em ouvir as necessidades de sua população envelhecida, avaliar e monitorar a acessibilidade de suas instalações e trabalhar em colaboração com as pessoas idosas e entre setores para criar ambientes físicos e sociais amigáveis à pessoa idosa. A adesão também é um compromisso de compartilhar experiências, conquistas e lições aprendidas com outras cidades e comunidades.

Áreas de Ação III: Entregar serviços de cuidados integrados e de atenção primária à saúde centrados na pessoa e adequados à pessoa idosa

Os sistemas de saúde devem estar preparados para prestar uma assistência de saúde de boa qualidade às pessoas idosas, que seja integrada entre prestadores e serviços e esteja ligada à prestação sustentável de cuidados de longo prazo. Integrar os setores saúde e social em uma abordagem centrada na pessoa é fundamental para um melhor cuidado às pessoas idosas. Além disso, a implantação de serviços orientados à manutenção e melhoria da capacidade funcional é essencial para alcançar o envelhecimento saudável.

A capacidade funcional é definida como os “atributos relacionados à saúde que permitem que as pessoas sejam e façam aquilo que valorizam”, consiste na capacidade intrínseca do indivíduo, que é definida como “todas as habilidades físicas e mentais das quais um indivíduo dispõe”, do ambiente do indivíduo e das interações entre esses dois componentes. Essas definições são importantes para apontar a relação entre os componentes da Década do Envelhecimento Saudável e a relevância do desenvolvimento de atividades intersetoriais, a partir de uma abordagem baseada no curso de vida.

Áreas de Ação IV: Propiciar o acesso a cuidados de longo prazo às pessoas idosas que necessitem

A diminuição das habilidades físicas e mentais pode limitar a capacidade das pessoas idosas de se cuidarem e participarem da sociedade. A maioria das pessoas que precisam de cuidados de longo prazo são pessoas idosas, sendo que a maioria vive em comunidade e recebe cuidados de cuidadores informais (familiares, amigos).

O acesso a um atendimento de longo prazo de boa qualidade é essencial para manter a capacidade funcional, desfrutar dos direitos humanos básicos e viver com dignidade. Além disso, é essencial apoiar os cuidadores, para que eles possam prestar cuidados adequados e também cuidar de sua própria saúde.

Saiba mais
Conheça a Plataforma Conhecimento para um envelhecimento saudável: https://www.decadeofhealthyageing.org/es?as=51b2cacc-0cdd-48e7-82d3-6ae198cfa71c&for=7a09d912-b895-4f03-b74c-4bab85243be2

(*) Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Imagem de destaque extraída do site da OPAS.


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Redação Portal do Envelhecimento

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