A Imortalidade é Matematicamente Impossível

Pode-se prolongar a duração da vida, mas não evitar a morte. Avanços médicos têm aumentado a esperança de vida ao nascer, mas a longevidade quase sempre se esbarra no teto de 115 anos. Vencer o envelhecimento é impossível.

 

Qualquer pessoa sabe que a morte é o destino inevitável de todo ser vivo. Todo nascimento termina em morte. Pode-se prolongar a duração da vida, mas não evitar a morte. Aliás, a morte é a renovação da vida.

Porém, o biogerontologista inglês, Aubrey de Grey, contesta esta verdade milenar. Para ele, o envelhecimento é uma doença que pode ser curada. De Gray afirma que, com o avanço da ciência e da tecnologia, em pouco tempo, qualquer pessoa que consiga evitar um acidente ou homicídio poderá viver, pelo menos, mil anos.

O cientista futurista vai mais longe e prevê a possibilidade de se alcançar a imortalidade. Ele escreveu o livro, “A medicina da imortalidade”, onde defende a ideia da miscigenação entre o ser humano e as máquinas, o que possibilitará um aumento exponencial da longevidade. Para ele, a biotecnologia ofereceria os meios para alterar os genes, rejuvenescendo todos os tecidos e órgãos do corpo, transformando as células da pele em versões jovens de qualquer outro tipo de célula. A nanotecnologia e a robótica permitiriam superar os limites da biologia e substituir bionicamente partes do corpo com um substancial aperfeiçoamento do organismo. A imortalidade seria viabilizada pela “clonagem terapêutica”, por meio do desenvolvimento e aperfeiçoamento das próprias células, tecidos e até órgãos inteiros. Surgiria os transumanos imortais (Alves, 2010).

Todavia, a ideia do prolongamento indefinido da vida foi contestado em um artigo publicado na prestigiosa revista científica Nature (Dong, Milholland e Vijg, 05/10/2016). O estudo mostra que os avanços médicos têm aumentado a esperança de vida ao nascer, mas a longevidade quase sempre se esbarra no teto de 115 anos. Segundo os autores, para superar este limite seria preciso mudar toda a estrutura genética da espécie humana. Porém, o processo de envelhecimento é tão complexo que não seria possível mudar substancialmente as bases biológicas da constituição do ser humano.

Todavia, no plano teórico, a ciência deixava aberta a possibilidade da vida eterna, caso fosse possível encontrar uma maneira de fazer com que a seleção entre organismos fosse perfeita. Mas, biólogos da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, asseguram ter demonstrado matematicamente que vencer o envelhecimento é impossível.

De acordo com artigo de Paul Nelson e Joanna Masel, publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences” (31/10/2017), o envelhecimento é inevitável e, do ponto de vista lógico, teórico e matemático, não há escapatória. Eles criaram uma equação matemática que demonstra que, em um contexto de concorrência, ou se acumulam as células inativas ou proliferam as células cancerosas.

Os pesquisadores concluíram que o envelhecimento é uma “verdade incontroversa” e “uma propriedade intrínseca do ser multicelular”, pois, ou as células inativas se acumulam ou as células cancerosas se proliferam. Ou seja: não há como prolongar a vida indefinidamente. Enfim, o conhecimento repassado de geração em geração agora é comprovado pela ciência: “a imortalidade é matematicamente impossível”.

Referências

ALVES, JED. Seremos transumanos imortais? Colabora, RJ, 12/09/2017
https://projetocolabora.com.br/vida-sustentavel/seremos-transumanos-imortais/

Aubrey de Grey diz que podemos evitar envelhecer, TEDGlobal, july 2005
https://www.ted.com/talks/aubrey_de_grey_says_we_can_avoid_aging?language=pt-br

Paul Nelson and Joanna Masel. Intercellular competition and the inevitability of multicellular aging. PNAS 2017: 1618854114v1-201618854. October 30, 2017
https://www.pnas.org/content/early/2017/10/25/1618854114.full

Ray Kurzweil e Terry Grossman. A Medicina da Imortalidade, Aleph, 2006
https://www.buscape.com.br/a-medicina-da-imortalidade-2-ed-ray-kurzweil-8576570343

Xiao Dong, Brandon Milholland & Jan Vijg. Evidence for a limit to human lifespan, Nature, 05 October 2016 https://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature19793.html

 

 

 

José Eustáquio Diniz Alves

José Eustáquio Diniz Alves

Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

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