Idosos em situação de risco

Só na semana passada, dois asilos foram fechados na Capital por falta de higiene: alimentos estragados, muita sujeira e idosos em situação de risco. Um funcionava na Vila Jacuí, Zona Leste, e outro no Butantã, Zona Oeste, onde um falso médico atendia os pacientes. De janeiro até agora, nove casas foram fechadas, quase três a cada mês. Nos últimos dois anos, houve 36 interdições. Os estabelecimentos também são campeões de reclamações na Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), com cerca de 15 a 20 denúncias por mês. Só na Capital, há 1,2 milhão de idosos.

Marici Capitelli

 

O problema é grave. Ninguém sabe ao certo quantas entidades na Cidade abrigam velhinhos. A grande maioria atua de maneira clandestina, sem atender requisitos básicos como higiene, alimentação e segurança. A única certeza que se tem é que apenas 61 estabelecimentos estão regularizados e com licença de funcionamento na Covisa, da Secretaria Municipal de Saúde.

“Com o envelhecimento da população, esse é um segmento que tem se mostrado muito lucrativo e tende a aumentar. Por isso, queremos que trabalhem dentro da regularidade”, afirmou Inês Suarez Romano, gerente de Produtos e Serviços da Covisa.

Segundo ela, a situação das instituições de longa permanência (nome que substitui a palavra asilos) e casas de repouso é o principal problema do órgão atualmente. Cada um das denúncias é checada pelos técnicos. “Muitas vezes, a reclamação específica não procede, mas, encontramos outras irregularidades até piores.”

Há poucos dias, os técnicos vistoriaram uma casa com 23 internos no Butantã, cada um pagando uma mensalidade de R$ 1,6 mil. O responsável era um falso médico estrangeiro, que prescrevia remédios e tratamento aos internos. O local foi interditado na quinta-feira.

Inês deixa claro que o objetivo da Covisa não é fechar as entidades. Esse, aliás, é o último recurso depois que se esgotam todas as negociações ou no caso de risco imediato. “O fechamento é sempre um trauma para os idosos e é difícil conseguir lugar para transferi-los.”

Desprezo da família

Os profissionais da Covisa procuram em primeiro lugar as famílias. Só que não é raro se depararem com desprezo. “Ouvimos coisas do tipo: hoje estou ocupado e não posso buscar.” “Ficar em casa é melhor, mas os filhos não podem cuidar da gente porque damos trabalho”, disse uma idosa de 86 anos que está num asilo na Zona Norte.

Outras respostas de parentes são ainda mais estarrecedoras. “Quando avisamos que o idoso estava sofrendo maus-tratos na instituição, alguns filhos respondem com naturalidade que o pai ou a mãe já tinham se queixado de apanhar.”

Comportamentos como esse remetem a um outro problema que acaba dificultando o trabalho da Covisa: a pouca participação das famílias nas entidades. “Elas fecham os olhos e tapam os ouvidos para as irregularidades porque não sabem o que fazer com o idoso.” Dessa maneira, acabam não denunciando. Muitas das denúncias que chegam na Covisa são de vizinhos que presenciam ou escutam maus-tratos.

Se a família não busca o parente do asilo fechado, os técnicos procuram vagas em outras instituições. “Teve uma semana que nós fechamos três entidades. Foi ruim.”

Na década de 90, quando começaram as vistorias nos abrigos e a vigilância ainda pertencia ao Estado, chegou-se a elaborar uma relação com 300 casas para idosos funcionando em São Paulo. Dessa lista, muitas fecharam, mudaram de nome ou endereço, inclusive para a mesma rua, mas, em outro imóvel. Muitas outras apareceram.

“O que percebemos é que, por causa da fiscalização, muitas entidades estão indo para a periferia ou para as cidades vizinhas”, revela. A experiência tem mostrado que as instituições privadas são mais problemáticas que as filantrópicas, já que economizam ao máximo no atendimento para aumentar lucros. Os itens que mais cortam são a mão-de-obra e a alimentação.

Como escolher uma boa clínica

·Observe as condições de higiene e limpeza. Verifique se há cheiro de urina no ambiente

· Confira os itens de segurança, como corrimãos adequados, barras de ferro no banheiro, piso que não escorrega

·Veja se o estabelecimento tem cadastro municipal na Vigilância Sanitária

·Desconfie de casas que restringem muito os horários e os dias de visita

·Preste atenção à alimentação: os produtos estão armazenados de maneira adequada, identificados e dentro do prazo de validade?

·A entidade tem de manter um registro com todas as informações dos pacientes, como as doenças, os remédios que tomam, os exames, etc.

·Certifique-se de que uma nutricionista é responsável pela elaboração do cardápio para os pacientes com restrições alimentares

·As casas que abrigam idosos com problemas de saúde precisam ter um médico como responsável.

·O profissional, entretanto, não precisa ficar o tempo todo no local

·Verifique se atendentes de enfermagem trabalham no estabelecimento.

·É necessária a supervisão de uma enfermeira com curso superior

Denúncias devem ser feitas pelos telefones 3350-6624 ou 3350-6628C

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Fonte: Jornal da Tarde, 22/04/2007. Disponível Aqui 

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