Idosos de Cuiabá (MS) ganham qualidade no atendimento com a mestra Ilza Trabachin

Em Cuiabá, capital do Mato Grosso do Sul, trabalhando no Programa de Saúde da Família (PSF), a fisioterapeuta Ilza Trabachin começou a ter cada vez mais contato com idosos. Dessa experiência, nasceu uma preocupação: como atender de forma diferenciada esta população? Ilza foi buscar no mestrado em Gerontologia, na PUC-SP, as respostas que precisava para o seu aperfeiçoamento.

Maria Lígia Pagenotto *

 

Profissional bastante focada em sua área, a fisioterapeuta elaborou um projeto de pesquisa que desse conta de aprofundar o atendimento prestado aos idosos de sua região. Vale lembrar ainda que ela também é coordenadora de estágio em uma universidade privada local – como docente, também era claro seu interesse e necessidade em cursar um mestrado.

Assim, unindo o útil ao agradável, partiu para a capital paulista com seu projeto. Orientada pela professora doutora Nádia Dumara Ruiz Silveira, aos poucos foi formatando sua ideia. Desse esforço, nasceu a dissertação “Vivências de Idosos Inseridos no Programa de Saúde da Família”, defendida em maio de 2010.

Em sua pesquisa, ela utilizou a abordagem qualitativa ao entrevistar dezesseis idosos que na época participavam de um grupo de saúde integral e que estavam inseridos no Programa de Saúde da Família do município de Várzea Grande- MT. Os instrumentos para a coleta de dados constituíram-se de um roteiro semiestruturado, contendo questões temáticas relativas aos objetivos da pesquisa, a fim de entender como o idoso vivencia a velhice em seu cotidiano. A análise dos dados se pautou na categorização dos depoimentos, contemplando: significados da velhice; a relação com a família e a comunidade; e saúde e serviços oferecidos na comunidade.

Os resultados da sua pesquisa indicam que as vivências dos idosos se caracterizam como processos de rupturas e reconstruções, sendo estes desenvolvidos de acordo com suas capacidades individuais e coletivas. Segundo Ilza Trabachin, ao conhecer o universo dessas pessoas, foi possível identificar alguns aspectos da prática cotidiana, e suas ideias sobre o sentido da vida. Para a pesquisadora, a investigação sobre o tema velhice e suas vivências mostrou que é necessário ampliar os serviços de saúde, sobretudo os da Unidade Básica de Saúde, e as redes de serviços formal e informal para atender com qualidade as demandas da população idosa.

Por que decidiu fazer mestrado em Gerontologia na PUC-SP?

Já tinha ótimas referência do curso na universidade e, por trabalhar com idosos no Programa de Saúde da Família (PSF), senti necessidade de aprofundar meu conhecimento em relação ao grupo, para que pudesse atendê-los de forma mais adequada.

Como se decidiu pelo seu tema de pesquisa?

Meu foco sempre foi meu trabalho no PSF, que tem um número crescente de idosos. Senti que precisava compreender melhor este universo, suas peculiaridades, para que pudesse atendê-los de forma diferenciada. Falta compreensão do idoso, acredito. Desta forma, minha pesquisa se voltou ao próprio grupo, fazendo entrevistas com os participantes, para saber seus anseios, necessidades, expectativas.

Que desdobramentos este estudo teve na prática?

Acho que ele superou minhas expectativas. O que o grupo revelou me fez refletir sobre o que é o idoso e o envelhecimento a partir de seus próprios depoimentos. Temos uma ideia pronta da velhice que, em muitos aspectos, não corresponde à realidade. Um exemplo é a associação clara da velhice com a doença. Os entrevistados derrubaram alguns mitos importantes.

Quais as principais dificuldades encontradas durante a pesquisa? Como conseguiu superá-las?

Por morar em Cuiabá, a distância foi um desafio e tanto! Precisei abrir mão por um tempo do convívio diário com minhas duas filhas, pois por um tempo fiquei em São Paulo por dois dias seguidos por semana, fora todas as outras atribuições do mestrado. Isso teve um custo financeiro, um desgaste físico e emocional, mas considero que valeu a pena o esforço. Contei com o apoio de muitas pessoas aqui na universidade, fiz novos amigos, abri meu conhecimento, isso foi muito importante.

O que o curso e a elaboração da dissertação contribuíram para sua vida profissional e pessoal?

A contribuição nos dois campos foi enorme. Profissionalmente cresci como docente e melhorei muito a forma de lidar com os idosos no PSF. O reconhecimento dos colegas e familiares também é muito importante. Fora todo o aprendizado adquirido nas aulas, nas leituras, as discussões, grupos de estudos, congressos e, claro, as novas amizades.

A partir do mestrado, quais são seus próximos passos na vida acadêmica? E na profissional?

Quero continuar participando de um grupo de estudo sobre o envelhecimento na PUC. É provável que eu vá para o doutorado, mas estou ainda refletindo sobre que área cursar. Não quero sair do foco da Gerontologia, há muito o que aprofundar.

O que diria para quem está começando a fazer o mestrado na área?

Ah, acho que é importante participar das aulas, ser assíduo. Eu, mesmo morando longe, quase nunca faltei. Participar de eventos, congressos, discussões, tudo isso colabora muito para o aperfeiçoamento. Ah, sim, não dá para descuidar das leituras e trabalhos propostos pelos professores.Também aconselho os novos a se mostrar sempre presente para seu orientador, pegar no pé mesmo, pedir auxílio quando necessário. Tudo isso irá sem dúvida fazer diferença na hora de elaborar a dissertação.

* Maria Lígia Pagenotto é jornalista e mestre em Gerontologia pela PUC-SP. É membro associado do OLHE – Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento e integra a Equipe Portal. E-mail: mlpagenotto@gmail.com. Foto: Arquivo Portal

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