Idadismo: quando a idade não é bem vista

O preconceito em relação à idade gera exclusão, baixa autoestima, problemas de saúde e abuso. O idadismo é uma construção social e por isso cabe a nós combatê-lo.

Francisco Olavarría Ramos (*)


A marginalização que sentimos à medida que envelhecemos é evidente no local de trabalho, na mídia ou nas relações sociais. Se você ainda não sentiu, dê tempo a si mesmo, porque toda a população é candidata a sofrer. E você não seria a exceção, como talvez você possa estar no caso de outras discriminações.

Prepare-se porque, entre muitas outras coisas, essa discriminação nos uniformiza, nos envia ao passado ou nos relega à indiferença. Invisível, até mesmo para os acadêmicos da Real Academia Espanhola que ainda não perceberam como acrescentar idadismo ao dicionário, como fizeram em seu tempo com racismo, homofobia, sexismo ou aporofobia (aversão aos pobres), entre outros.

O “idadismo” (discriminação baseada na idade), não é um neologismo. Desde os anos 60 do século passado se vem alertando sobre suas consequências, que afetam especialmente as mulheres, porque se ser mulher já é uma dificuldade, ser velha é um infortúnio, que pode ser superado se você também for lésbica, estrangeira ou muçulmana.

Da mesma forma que fomos “educados” em uma cultura machista, também fomos “educados” em uma sociedade “idadista”. Ambos coincidem, entre muitas coisas, na estratégia de confrontar interesses criando dualidades como homem / mulher ou jovem / velho.

Às vezes, nos reconhecemos como alimentando o monstro do sexismo, mas agimos para combatê-lo e impedi-lo. Agora devemos gerar consciência sobre o idadismo, que, embora seja sutil, seus efeitos geram exclusão, baixa autoestima, saúde precária e abuso. Parece que a idade é o último tabu e as pessoas têm uma data de expiração.

Como eu disse, o preconceito de idade é sexista. As expressões são inúmeras: “Você já passou da idade para usar isso”, “Você está muito velha para sair com essa roupa”, “Sua mãe deve ter sido muito bonita, mas agora está cheia de rugas”… que resultam na ideia de envelhecimento como um processo trágico. E no final, de tanto ouvi-los e dizê-los inconscientemente, você acaba acreditando e culpando a idade.

Outro aliado do idadismo é a indústria antienvelhecimento, que por interesses econômicos penaliza um processo natural que é acompanhado por cabelos grisalhos, rugas ou calvície, mas de muitos outros ganhos em diferentes planos, como psicológico, social, espiritual ou físico.

Essa mudança de paradigma em direção a um envelhecimento autônomo, pleno, satisfatório e heterogêneo requer muito ativismo com pequenas medidas, como questionar o cânone da beleza tradicional associada aos jovens, apostar no currículo cego, promover programas para avaliar a experiência e talento sênior no mundo dos negócios, optar por notícias otimistas quando seus protagonistas são mais velhos ou incluir no código penal a idade como um fator agravante em crimes de ódio.

(*) Francisco Olavarría Ramos é o autor do manual didático El Micro Edadismo lo vamos a jubilar. Texto publicado em 4/12/2018. Tradução livre de Beltrina Côrte.


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