Grandes imóveis podem abrigar idosos e jovens de modo confortável e seguro

Existem situações onde um imóvel espaçoso, antes ocupado por uma família numerosa, passa a ter ambientes ociosos e ocupados por móveis que oferecem pouco aproveitamento. Manter um imóvel assim pode se tornar caro e mudar para um menor pode significar a necessidade de aproveitar apenas parte dos móveis. Vale a pena pensar como grandes imóveis poderiam ser melhor utilizados, profissionalizando sua administração e abrigando idosos e jovens de modo confortável e seguro.

Maria Luisa Trindade Bestetti *

 

grandes-imoveis-podem-abrigar-idosos-e-jovens-de-modo-confortavel-e-seguroTemos consciência de que as famílias contemporâneas têm assumido configurações bastante diversificadas nas últimas décadas, especialmente considerando separações de casais e novos casamentos, opções por moradias práticas que prescindam de empregados domésticos, espaços cada vez mais exíguos e casais sem filhos. Existem situações onde um imóvel espaçoso, antes ocupado por uma família numerosa, passa a ter ambientes ociosos e ocupados por móveis que oferecem pouco aproveitamento. Manter um imóvel assim pode se tornar caro e mudar para um menor pode significar a necessidade de aproveitar apenas parte dos móveis. Nesses casos, muitas vezes a opção é a racionalização, reunindo “famílias”. Ou seja: se o parente idoso não é levado para morar com filhos, eles voltam a morar com os pais, mas já com companheiros e filhos, também.

Não basta simplesmente mudar e manter a dinâmica anterior, assim como quem continua no imóvel pode sentir-se invadido com a mudança que lhe será imposta. Nesse caso, caberia estabelecer uma sistemática que hoje conhecemos como co-living, ou seja, diferentes indivíduos compartilham espaços comuns num sistema de condomínio, considerando os dormitórios como ambientes privados e controláveis e mantendo a autonomia em uma dinâmica que favoreça essa característica para que a convivência tenha harmonia e tranquilidade. Tarefas são definidas para todos, assim como o gerenciamento das contas deve ser estabelecido com a participação dos moradores, como num conselho deliberativo. É possível receber outros inquilinos que se enquadrem nessas características, desde que as regras de convivência estabelecidas sejam contratadas. Portanto, uma forma de alugar espaços ociosos para que se tornem rentáveis.

Certamente haveria reformas: banheiros devem ser individuais, assim como os acessos devem garantir que certos ambientes sejam claramente caracterizados, tais como espaços de refeições e de estar. A cozinha deve ter espaços de preparo e de armazenamento claramente estabelecidos, pois o sistema de refeições deve ser centralizado ou não, a depender do grupo. A lavanderia precisa estar equipada para serviços self service, de modo a permitir lavar, secar e passar de acordo com necessidades diferentes. Um banheiro de serviço seria necessário não somente para atender funcionários eventuais, mas também para alguém que funcionasse como um zelador, dependendo do tamanho do imóvel.

Sendo uma unidade isolada, haveria jardins, hortas e, talvez, piscina ou varanda de lazer. Do mesmo modo, esses ambientes deveriam ser administrados como num clube, estabelecendo limites de visitantes e regras de uso. Quando possível, até mesmo acessos exclusivos poderiam dividir a casa em duas ou três menores, abrigando pequenos núcleos familiares. Vale a pena pensar como grandes imóveis poderiam ser melhor utilizados, profissionalizando sua administração e abrigando idosos e jovens de modo confortável e seguro.

* Maria Luisa Trindade Bestetti – arquiteta que pesquisa sobre as alternativas de moradia para idosos no Brasil, especialmente sobre a habitação mas, também, o bairro e a cidade que a envolvem. Ver Blog Aqui 

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