Graças à ciência vivemos mais, e agora?

As sociedades “envelhecidas” impõem grandes desafios aos Estados, às empresas e às famílias. Como podemos tornar este estágio prolongado tão completo quanto possível para aqueles que o passam? De que maneira esses anos a mais que foram arrebatados da morte têm realmente razão de ser?

Lorena Oliva (*)


Desde a segunda metade do século passado, a humanidade tem corrido contra o relógio biológico. Estender a experiência de vida além dos limites usuais – a expectativa de vida média do mundo em 1950 era de 48 anos, segundo dados da ONU – parecia então uma utopia. Mas a ciência fez isso de novo. Atualmente, não apenas a expectativa de vida global média se expandiu em 20 anos, mas a proporção de pessoas que atravessam o novo limiar e atingem 80 anos ou mais não para de crescer.

A ânsia de ganhar anos de vida até a morte transformou a velhice em um universo superpovoado e heterogêneo, cheio de questões que desafiarão as sociedades ao longo deste século.

Enquanto isso, avanços na ciência e na saúde – cada vez mais rápidos e perturbadores – continuam a pressionar os limites. É razoável pensar que aqueles que estão nascendo hoje terão um horizonte de vida que, sem dúvida, excederá 80, talvez 90 e até 100, especialmente nos países mais desenvolvidos.

Ao mesmo tempo, a proporção de pessoas que atravessam o limiar de 60 anos com um estado de saúde imbatível continua a aumentar no mundo. Uma conquista indiscutível que está mudando a composição das sociedades. Segundo estimativas recentes da ONU, no próximo ano, uma em cada dez pessoas no mundo terá mais de 60 anos. Em meados do século, espera-se que essa proporção dobre. Dentro desse universo, os homens poderiam viver razoavelmente 18 anos mais, enquanto, para as mulheres, a expectativa é de 21 anos a mais.

“Conseguimos, vivemos mais, e agora? e depois?” É o que, de uma forma ou de outra, os países em desenvolvimento e desenvolvidos estão se perguntando. As melhorias na saúde das últimas décadas foram combinadas com outros fatores, especialmente com o declínio gradual da taxa de natalidade em grande parte do mundo. O resultado é o envelhecimento das sociedades, onde a imagem clássica triangular da pirâmide populacional padrão está dando origem a figuras com bases mais estreitas que se ampliam acentuadamente à medida que se avança na idade.

Abordagens de construção

O aumento na proporção de pessoas com mais de 60 anos é um destino inexorável para a maioria das sociedades do mundo, mas que já é sentido com mais força nas nações mais desenvolvidas. No entanto, a necessidade de adaptar os benefícios em termos de saúde, educação e até mesmo na concepção do meio ambiente parece ter surpreendido a todos, embora as projeções que anteciparam esse fenômeno estejam sobre a mesa há muitos anos.

Menos crianças e mais idosos = catástrofe econômica, foi – e talvez ainda seja – uma das interpretações mais difundidas e simplistas que desencadearam essa nova realidade.

No entanto, nos últimos anos, abordagens mais construtivas ganharam mais consistência. Elas são baseadas, em primeira instância, em um fato óbvio: mais e mais pessoas com mais de 60 anos não se encaixam no estereótipo do velho que ainda permanece instalado na imaginação popular.

Longe de ser uma população carente e um fardo para o Estado e para as famílias, a população idosa é em grande parte ativa, empreendedora e com projetos futuros. A trajetória e o capital intelectual dessas pessoas são cada vez mais levados em conta  por empresas e organizações que até começam a influenciar para que outra crença falsa seja invertida, uma que diz que os trabalhadores estão se tornando “obsoletos” depois dos 50 anos. Pelo contrário, hoje cada vez mais se defende mudanças nas leis trabalhistas que contemplam o atraso da idade de aposentadoria.

Em qualquer caso, e independentemente de terem conotações positivas ou negativas, é claro que as sociedades “envelhecidas” impõem grandes desafios aos Estados, às empresas e às famílias. Como podemos tornar este estágio prolongado tão completo quanto possível para aqueles que o passam? Em outras palavras, de que maneira esses anos a mais que foram arrebatados da morte têem realmente razão de ser?

(*) Lorena Oliva é redatora do jornal La Nación, Argentina. Leia a matéria na íntegra clicando aqui. Foto de destaque de Alcides Freire Melo. Tradução livre.


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