Gerontologia: novos desafios

A gerontologia social aborda aspectos não-orgânicos, e a gerontologia biomédica e geriatria os aspectos orgânicos. Trabalhar em gerontologia é se expor todos os dias a uma exigência nas relações quantitativa e qualitativa, à qual não se consegue responder completamente. Conviver com tudo que se faz necessário para alcançar o bem-estar dos idosos só pode provocar um desequilíbrio que gera o estresse.

 

“Trabalho numa instituição de longa permanência como auxiliar de enfermagem no atendimento de idosos com dependência. Após um ano, percebo que me sinto cansada, triste e com vontade de desistir desse tipo de serviço!”

O Brasil, considerado um país jovem até a década passada, começa a ver sua população de idosos triplicar. Os maiores de 60 anos, que eram 19,6 milhões em 2010, saltarão para 66,5 milhões em 2050, segundo as últimas projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o avanço da expectativa de vida, torna-se promissora uma área ainda pouco conhecida no mercado: a gerontologia.

A ciência do envelhecimento tem sob si as seguintes divisões: gerontologia social aborda aspectos não-orgânicos, e a gerontologia biomédica e geriatria os aspectos orgânicos. A gerontologia social compreende aspectos antropológicos, psicológicos, legais, sociais, ambientais, econômicos, éticos, e políticos (Pappaléo, 2011).

Trabalhar em gerontologia é se expor todos os dias a uma exigência nas relações quantitativa e qualitativa, à qual não se consegue responder completamente. Conviver com tudo que se faz necessário para alcançar o bem-estar dos idosos só pode provocar um desequilíbrio que gera o estresse (Rodriguez, 2003, p.71).

A “velhice” tem dois sentidos diferentes. É uma certa categoria social, mais ou menos valorizada segundo as circunstâncias. É para cada indivíduo um destino singular – o seu próprio” (Beauvoir, 1990).

Na minha experiência profissional de dezesseis anos em uma instituição de longa permanência, verifiquei durante meu trabalho, como psicogerontóloga, a necessidade de um atendimento de orientação e apoio emocional aos funcionários pois ocorriam muitas saídas, adoecimentos e estresse.

Os encontros eram quinzenais, com duração de uma hora e meia divididos em grupos segundo o serviço de enfermagem, limpeza, lavanderia, telefonistas, manutenção e jardinagem. Esses encontros eram organizados em duas etapas para cada grupo:

1) Educação Gerontológica e Atualização: através de informações teóricas sobre gerontologia e cuidados aos idosos por meio de textos de reflexão e discussão de casos práticos.

2) Orientação e Apoio Emocional: trabalhava as emoções que surgiam durante o trabalho e questões pessoais relativas ao próprio envelhecimento dos integrantes do grupo e finalizava com técnica de relaxamento com auto sugestão na prevenção do estresse.

Constatei que esse tipo de atendimento contribuiu com a diminuição de saídas de funcionários por meio de uma melhora no entendimento adequado do serviço gerontológico e diminuição do estresse.

Na nova realidade brasileira ocorre a urgência de preparação de pessoal qualificado e como docente do curso de gerontologia social do Sedes Sapientae verifico a importância de contribuir nessa formação de profissionais especializados para que atendam as velhices contemporâneas!

Referências

BEAUVOIR, S. (1990) A Velhice. Editora Nova Fronteira; Rio de Janeiro.

PAPPALÉO, N. M. P. Jr. (2011) Estudo da Velhice: Histórico, Definição do Campo e termos Básicos. In Tratado de Geriatria e Gerontologia ( 3ºEd.) Editora Guanabara Kogan: Rio de Janeiro, Belo Horizonte: Ateneu, p.3-13.

RODRIGUEZ, C. B. (2003) La vie en Maison de Retraite. France: Albin Michel.

 

 

 

 

 

 

Eliana Novaes Procopio de Araujo

Eliana Novaes Procopio de Araujo

Psicóloga, mestre em Gerontologia pela PUC-SP, especialista em Gerontologia pela SBGG e doutoranda em Ciências da Saúde na Faculdade de Saúde Pública da USP. E-mail: eliananovaespa@hotmail.com

eliananovaes escreveu 12 postsVeja todos os posts de eliananovaes