George Takei, de Star Trek a digital influencer

George Takei não aceita se acomodar aos padrões impostos pela sociedade, e faz sempre o possível para desafiar essas condições de maneira que alcance o maior número de pessoas através das plataformas midiáticas.

Eduardo Shimizu Yamashita (*)


Atualmente, existem diversas novas plataformas de comunicação e mídia que abriram um território completamente novo de expressão. A explosão de novas personalidades vindas do youtube, instagram e facebook se tornou cada vez mais comum, e a noção desse fenômeno não só como uma forma de se expressar, mas como também um trabalho, é cada vez mais aceita, onde tudo isso é integrado no termo “digital influencer”, entretanto, uma particularidade desse fenômeno diz muito sobre a imagem disto: a maioria são jovens.

Não é nenhuma novidade a ideia de que a internet e as mídias digitais são consideradas mais adequadas para os jovens, de forma que pessoas mais velhas são muitas vezes consideradas incapazes, não aptas, ou marginalizadas quanto à utilização delas. Entretanto, a utilização da internet é uma atividade que já faz parte do cotidiano de muita gente, de forma que não há sentido em restringir o seu uso para esse grupo, assim como não são considerados os benefícios que essas novas formas de expressão podem contribuir para a vivência dessas pessoas. É o caso de George Takei.

Nascido em 1937, George Takei, um famoso ator, autor, dublador e ativista, hoje com seus 82 anos de idade, tornou-se conhecido por ter dado vida ao personagem Hikaru Sulu da famosa série televisiva Star Trek, nos anos 60.

Teve uma infância difícil, devido à sua ascendência japonesa. George Takei viveu um período conturbado quando ele e sua família foram obrigados a permanecerem em campos de detenção americanos para japoneses, entre os 5 e 9 anos de idade, durante o período da Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, teve uma carreira bem-sucedida como ator, consagrando-se com seu papel em Star Trek, e depois se tornando uma figura marcante anos depois, com participações em diversos programas, como Os Simpsons e The Big Bang Theory.

A intergeracionalidade se faz presente no próprio ator e seus fãs. Desde jovem está inserido no meio midiático, na época a televisão, e que veio a ser o principal veículo midiático de comunicação do ator, até para os dias atuais. Mais velho se inseriu em plataformas de mídia significativas como o Facebook, o twitter e o Instagram, e ainda conseguiu abarcar uma legião de mais fãs. A relação que possui com eles foi se desenvolvendo através dos anos, passando por diversas modificações, no sentido de que o ator interagiu com diversas gerações de fãs, pois existem os que o acompanham desde o início de sua carreira em Star Trek, e que envelheceram junto com o ator e seu papel na série. Existem os fãs que o conhecem por seu papel como ativista, tanto pelos direitos LGBT+ como por questões raciais, algo que se tornou mais presente apenas a partir de 2005, quando revelou a uma revista que é gay e estava já em um relacionamento com seu parceiro há 18 anos. E existem os seus fãs mais recentes que o conhecem pelas páginas do instagram e principalmente facebook, onde George Takei compartilha diariamente posts bem-humorados, os quais muitos se referem à ficção científica, cultura LGBT e críticas políticas, em que chegou até a ser referido como “o cara mais engraçado do facebook”. Recentemente também criou um podcast no Spotify chamado “Oh Myyy Pod!”, onde aborda questões raciais de vídeos que viralizam em outras plataformas.

Um tema que abordou diretamente a intergeracionalidade do ator com gerações mais novas foi seu ativismo em relação aos Escoteiros da América em 2014, quando angariou fundos de $100.000 para que um escoteiro começasse uma série online que relataria sua experiência de ter sido expulso dos escoteiros devido a sua política anti-gay para adultos. Na época o ator declarou publicamente que era um assunto que o incomodava profundamente, por ter participado dos escoteiros, que a associação ainda mantivesse essa política preconceituosa, e espera que a série possa informar e educar sobre a questão e evitar que outros jovens tenham que passar por essa mesma situação.

George Takei então se mostra como um homem que sempre foi presente no meio midiático e sempre se mostrou confortável de atuar sobre esse meio, contrariando as imposições presentes, seja uma preferência por homens brancos na televisão na década de 60, seja um preconceito racial ou homofóbico em situações cotidianas ou institucionais, ou situações em que a idade poderia ser alguma barreira. George Takei se mostra uma pessoa que simplesmente não aceita se acomodar a esses padrões impostos, e faz sempre o possível para desafiar essas condições da maneira que alcance o maior número de pessoas, através das plataformas midiáticas.

(*) Eduardo Shimizu Yamashita é estudante de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Texto escrito na disciplina Relações intergeracionais mediadas pela tecnologia no segundo semestre de 2019, ministrada pela profa. Beltrina Côrte. E-mail: eduyamashita@hotmail.com


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