Famílias e suas diversas configurações

Embora as famílias hoje apresentem diversas configurações, são grandes as dificuldades encontradas na sociedade para aceitá-las, pois ainda é forte a ideia da família nuclear tradicional, de modelos que pressupõem esse status quo onde o pai é o provedor e a mãe a mantenedora do lar e educadora dos filhos.

Irene Gaeta e Denis Canal Mendes (*)


Pensar a família, atualmente, não é tarefa fácil, tendo em vista toda evolução e particularização sobre o tema desde sua origem e surgimento desse conceito. Família, hoje, pressupõe novos arranjos entre seus membros, o que nos permite imaginar as diversas configurações existentes. Um único conceito é insuficiente para abrangê-la, devido às diversas ramificações que o tema pressupõe.

Os conceitos de família atuais não obedecem ao conceito tradicional de família nuclear, pois são compostas por grupos que, com variadas composições, são unidos por laços de afeto, aliança, afinidade, solidariedade, respeito, cuidados mútuos, muito além dos traços de consanguinidade vigentes em nossos antepassados.

Além disso, as diferenças socioeconômicas e culturais alteram os vínculos familiares e contribuem para uma relação dinâmica, fazendo que, muitas vezes, os papéis particulares se modifiquem entre seus membros.

Esse dinamismo evoca sua alteração e pode propor deslocamentos e alterações dos papéis de cada membro dentro de uma família. Assim, observamos isso, quando na dinâmica interna desse microcosmo aparece um componente novo; ao nascer um bebê, surgem simultaneamente tantos outros papéis familiares assumidos pelos pais, irmãos, tios, avós, através de suas interações com a criança.

Também, quando da perda de um ente querido da família, essas pessoas são convidadas a uma nova disposição, o que irá favorecer e, muitas vezes, dar condições na direção do desenvolvimento psíquico de seus membros. A diversidade também é uma característica importante das sociedades modernas, em que as famílias se tornam espaço de interação entre várias raças, etnias e religiões.

Homens e mulheres compartilham funções que antes eram mais precisamente definidas por gênero, devido ao momento histórico e a situação socioeconômica, mas com a recente “disposição” afetiva e necessidade de intercomunicação, algo novo adquire força e importância.

Em famílias tradicionais vigora o modelo patriarcal, aquele em que ao homem era atribuída a função de provedor e mantenedor da família, enquanto a mulher se restringia aos cuidados dos filhos e do lar. Nos dias de hoje vemos que essa configuração não se faz mais presente, mesmo que, por muitas vezes, observemos no modelo atual tal projeção.

Atualmente, mesmo em famílias ligadas pela consanguinidade e num modelo mais nuclear, com papéis definidos, percebemos um grande número de pais que participam dos cuidados de seus filhos enquanto a esposa trabalha fora, em especial numa participação mais interativa entre seus membros.

Além da presença da mãe, é marcante também nas famílias atuais, a presença da avó, figura representativa das mulheres nas famílias. As funções anteriormente atribuídas ao pai como provedor da família são, hoje, descentralizadas, tendo a mãe como coparticipe, além de cuidadora e mantedora das necessidades da família.

Sobre as transformações ocorridas nas famílias pós-modernas, as que mais aparecem na literatura da área em questão são: a separação dos pais, maior participação feminina na força de trabalho, famílias monoparentais (aquelas que possuem apenas a mãe e os filhos ou o pai e os filhos), famílias de pais com filhos de um segundo casamento e casais homoafetivos. Entre outras composições, encontramos, também, as famílias resultantes de novos casamentos e a família adotiva (aquela que surge à medida que as crianças são abandonadas ou que entram em processo de adoção).

A contemporaneidade permitiu um tipo diferente de relação: o encontro de pessoas que se unem única e exclusivamente por questões afetivas, diferentemente de outros momentos na história da humanidade.

Embora as famílias hoje apresentem diversas configurações, são grandes as dificuldades encontradas na sociedade para aceitá-las, pois ainda é forte a ideia da família nuclear tradicional, de modelos que pressupõem esse status quo onde o pai é o provedor e a mãe a mantenedora do lar e educadora dos filhos.

 Referências

Ariès, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Zahar. 1981.           


(*) Irene Gaeta – Psicóloga, Analista Junguiana AJB e IAAP, Especialista em Arteterapia, Mestre em Psicogerontologia pela PUC-SP, Doutora em Psicologia Clínica PUC-SP e Coordenadora de Psicogerontologia e Psicoterapia Junguiana do Curso de Pós-Graduação pela UNIP-SP. E-mail: iarcuri@uol.com.br

(*) Denis Canal Mendes – Psicólogo, Analista Junguiano pelo IJUSP-AJB e IAAP e Especialista em Saúde Mental.


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