Estudos indicam otimismo na cura do Alzheimer

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Dentre os últimos estudos indicando uma possível cura da Doença de Alzheimer, apresentamos inicialmente a pesquisa realizada no Brasil pelo A.C. Camargo Cancer Center e publicada no periódico “Journal of Neuroscience”: “uma substância mostrou, em testes in vitro, que é capaz de bloquear uma interação entre moléculas que leva à doença de Alzheimer”.


Aqueles que acompanham as pesquisas realizadas por diversos grupos de especialistas na área, oriundos de universidades e hospitais conceituados no mundo todo – com patrocínio de indústrias farmacêuticas – brindam as iniciativas e os resultados promissores. Estamos próximos de uma provável cura, assinala reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, de 19/10/2103, que divulgou o achado.

Substância protetora

Estudos anteriores (incluindo trabalhos desse mesmo grupo) já haviam demonstrado que a proteína príon, que ocorre naturalmente no cérebro, mas é mais conhecida como a causadora de doenças como a da vaca louca e de Creutzfeldt-Jakob, também tem funções benéficas.

Um desses benefícios ocorre quando a príon se une à proteína STI1: a parceria leva à proteção de neurônios contra agressões. A questão é que a proteína príon também “gosta” de fazer ligações tóxicas, como a que acontece com oligômeros beta-amiloides e que leva à Doença de Alzheimer.

O que os pesquisadores fizeram agora foi usar a proteína STI1 para se ligar à príon e impedir sua união com a beta-amiloide: “Mostramos em diferentes modelos bioquímicos e celulares que somos capazes de bloquear a interação da príon com a beta-amiloide e que a união da príon com a STI1 reverte a toxicidade no neurônio”, afirma Vilma Martins, diretora de pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center.

O próximo passo é testar a proteína STI1 em animais. Ainda é cedo para pensar no uso da substância em humanos, mas Martins diz acreditar que, se os testes em laboratório derem certo, a molécula poderia servir de molde para uma droga no futuro.

Pesquisa da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha

Outro estudo anunciado pelo site da BBC Brasil em 10/10/2013 e publicado no periódico Science Translational Medicine, pertence à Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha. Nele está “a descoberta da primeira substância química capaz de prevenir a morte do tecido cerebral em uma doença que causa degeneração dos neurônios”. A pesquisa foi considerada como “um momento histórico e empolgante para o esforço científico”.

Mas, ainda é necessário maior investigação para desenvolver uma droga que possa ser usada por doentes. Cientistas envolvidos no projeto dizem que “um medicamento feito a partir da substância poderia tratar doenças como Alzheimer, Doença de Parkinson, de Huntington, entre outras”.

Em testes feitos com camundongos, a pesquisa mostrou que a substância pode prevenir a morte das células cerebrais causada por doenças priônicas, que podem atingir o sistema nervoso tanto de humanos como de animais.

A equipe do Conselho de Pesquisa Médica da Unidade de Toxicologia da universidade focou nos mecanismos naturais de defesa formados em células cerebrais.

Entendendo o estudo

Quando um vírus atinge uma célula do cérebro o resultado é um acúmulo de proteínas virais. As células reagem fechando toda a produção de proteínas, a fim de deter a disseminação do vírus.

No entanto, muitas doenças neurodegenerativas implicam na produção de proteínas defeituosas ou “deformadas”. Estas ativam as mesmas defesas, mas com consequências mais graves.

As proteínas deformadas permanecem por um longo tempo, resultando no desligamento total da produção de proteína pelas células do cérebro, levando a morte destas.

Este processo, que acontece repetidamente em neurônios por todo o cérebro, pode destruir o movimento ou a memória, ou até mesmo matar, dependendo da doença.

Um começo, mas com otimismo

Acredita-se que este processo aconteça em muitas formas de neurodegeneração, por isso, interferir este processo de modo seguro pode resultar no tratamento de muitas doenças.

Os pesquisadores usaram um composto que impediu os mecanismos de defesa de se manifestarem, e por sua vez interrompeu o processo de degeneração dos neurônios.

O estudo, divulgado na publicação científica Science Translational Medicine, mostrou que camundongos com doença de príon desenvolveram problemas graves de memória e de movimento. Eles morreram em um período de 12 semanas.

No entanto, aqueles que receberam o composto não mostraram qualquer sinal de tecido cerebral sendo destruído.

A coordenadora da pesquisa, Giovanna Mallucci, disse à BBC: “O que é realmente animador é que pela primeira vez um composto impediu completamente a degeneração dos neurônios. Este não é o composto que você usaria em pessoas, mas isso significa que podemos fazê-lo, e já é um começo.

A pesquisadora ainda acrescentou que o composto oferece um “novo caminho que pode muito bem resultar em drogas de proteção” e o próximo passo seria empresas farmacêuticas desenvolverem um medicamento para uso em seres humanos.

Referências

BBC BRASIL (2013). Nova descoberta pode levar a cura de Alzheimer. Disponível Aqui. Acesso em 11/10/2013

FOLHA DE S.PAULO (S/D). Estudo acha substância protetora contra alzheimer. Disponível Aqui. Acesso em 19/10/2013.

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Redação Portal do Envelhecimento

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