Espaços de passagem oferecem riscos a idosos com mobilidade ou visão reduzida?

As escadas são elementos arquitetônicos que podem ser explorados visualmente, quer por sua estrutura, pelo material ou por formas no corrimão. Em função dessas possibilidades, algumas vezes o foco na estética acaba por comprometer a função, o que pode prejudicar seu uso. Sempre é lembrada a dificuldade na transposição, mas tropeços ou escorregões por materiais inadequados, corrimãos desproporcionais ou medidas erradas acabam por passar despercebidos, até que haja efetivo envolvimento em incidentes perigosos.

Maria Luisa Trindade Bestetti *

 

espacos-de-passagem-oferecem-riscos-a-idosos-com-mobilidade-ou-visao-reduzidaCorredores e escadas são espaços de passagem e, portanto, de permanência transitória. Pode parecer que, por serem pouco percebidos como lugares significativos, sejam inofensivos a pequenos acidentes, mesmo considerando que escadas são vistas como barreiras arquitetônicas. Nesse caso, sempre é lembrada a dificuldade na transposição, mas tropeços ou escorregões por materiais inadequados, corrimãos desproporcionais ou medidas erradas acabam por passar despercebidos, até que haja efetivo envolvimento em incidentes perigosos.

Começando pelos corredores, é preciso lembrar que, geralmente, a iluminação é somente artificial e nem sempre apropriada. Dependendo da extensão, mais de uma luminária é necessária, para que não haja sombras, o que também pode ser melhorado quando a opção for por arandelas, as luminárias de parede. Outro aspecto é o uso de passadeiras, que devem ficar assentadas sobre materiais que impeçam seu movimento e evitem escorregamentos. Em situações onde haja moradores com demência, seria interessante criar elementos que ajudem a identificar os ambientes a partir das portas, especialmente banheiros, facilitando a orientação. O uso de sensores de presença pode garantir que a luz seja acionada automaticamente, aumentando a segurança e o conforto.

As escadas são elementos arquitetônicos que podem ser explorados visualmente, quer por sua estrutura, pelo material ou por formas no corrimão. Em função dessas possibilidades, algumas vezes o foco na estética acaba por comprometer a função, o que pode prejudicar seu uso. O corrimão deve ter entre 3,5cm a 5cm de diâmetro para empunhadura correta, além da altura recomendada pela norma de acessibilidade, entre 80 cm e 92 cm em relação ao piso. Os degraus seguem a proporção recomendada por Blondel, um diplomata, matemático, professor, engenheiro civil e arquiteto militar, nascido em 1618 em Paris. Ele estabeleceu uma fórmula empírica que permite calcular a largura do piso (p=mínimo 25cm) em função da altura do espelho (h=entre 16,5cm a 18cm), sendo 2h + p = 64 cm. Portanto, uma escada não pode ser somente bonita, deve antes de tudo ser proporcional, para que o esforço de subida e descida seja mínimo possível.

Por último, em ambas as situações de passagem, a escolha do piso é um item importante, tanto considerando o desgaste por serem ambientes de alto tráfego, como pela característica de antiderrapância que possa oferecer. Encontramos materiais mais lisos ou rugosos, e os tamanhos também interferem na quantidade de rejuntes necessários. Estampas contrastantes podem confundir, sendo importante caracterizar claramente a mudança de nível. Escolhas cuidadosas e que atentem para esses aspectos podem contribuir para aumentar o conforto e a segurança nesses ambientes tão esquecidos de nossas casas.

* Maria Luisa Trindade Bestetti – arquiteta que pesquisa alternativas de moradia para idosos no Brasil, especialmente sobre a habitação mas, também, o bairro e a cidade que a envolvem. Saiba mais Aqui

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