Envolvimento social: novo estilo de vida

A teoria da seletividade socioemocional aponta que na velhice ocorre uma diminuição nas redes de relações sociais, mas com qualidade. E que saber envelhecer bem é conseguir desenvolver um adequado envolvimento social na promoção de novo estilo de vida.

 

Acabei de fazer 72 anos e tenho 4 filhos, 6 netos e 2 bisnetos. Estou viúva há 6 anos e senti muita solidão e dificuldade de me adaptar na viuvez. Com o tempo observei que tinha que mudar meu estilo de vida, pois a solidão era terrível.

O envolvimento social é considerado elemento central do envelhecimento ativo e saudável. Na proposição da política do envelhecimento ativo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) enfatizou a otimização da saúde, da funcionalidade, da atividade e da participação social como requisitos para a boa qualidade de vida na velhice (George, 2011).

Estudos sobre a longevidade mostraram que para se alcançar aumento na qualidade de vida, o termo “atividades avançadas da vida diária (AAVD), novo termo criado na literatura gerontológica, faz referência a uma nova classe de atividades de vida diária relacionada com participação e envolvimento social (Rubenstein et al., 1989).

O desempenho das atividades avançadas de vida diária (AAVD) possibilita rede de relações sociais, que promovem laços afetivos e de convivência que se caracterizam por dar e receber apoio e aceitação. Assim, esse novo estilo de vida possibilita ao idoso um novo sentido e envolvimento em termos físicos, sociais, econômicos, culturais, espirituais e cívicos.

As redes de relações sociais podem ser categorizadas quanto a estrutura (tamanho, grau de envolvimento entre membros e estabilidade); natureza das relações (formais e informais) e ao tipo de interação que oferecem (afetiva, material, instrumental e informativa).

Desta forma, esse envolvimento possibilita um suporte social que pode ser material (apoio financeiro, alimentação), instrumental (auxílio às tarefas domésticas, transporte), informativo (sobre legislação, saúde e tomada de decisões), afetivo (inclui expressões como amor, afeição e encorajamento). Entende-se por suporte social (SSP) a percepção da pessoa sobre a qualidade, frequência e adequação das ajudas que lhe são oferecidas, considerando suas necessidades.

Na minha experiência profissional através de atendimento grupal em uma instituição de longa permanência, constatei que aqueles idosos que participavam de oficinas de memória, de reflexão, entre outras, apresentavam um nível maior de satisfação e de sentimento de pertencimento ao grupo e melhor adaptação e envolvimento social na vida institucional.

Relativo aos atendimentos psicogerontológicos, percebo que ocorre com o aumento da expectativa de vida uma urgência na convivência social que passa a ser mais seletiva, privilegiando a qualidade e não mais a quantidade. Confirmando a teoria da seletividade socioemocional que demonstra que na velhice ocorre uma diminuição nas redes de relações sociais, mas com qualidade (Charles & Carstensen, 2010).

Saber envelhecer bem na longevidade é conseguir desenvolver um adequado envolvimento social na promoção de novo estilo de vida!!!

Referências

Charles,S.T.; Carstensen,L.L. Social and Emotional aging. Annu. Rev. Psychol 2010; 61:383-409.

George, L.K. Still happy after all these years: research frontiers on subjective well-being in later life. J. Gerontol B. Psychol Sci Soc 2010; 65 B(3):331-9.

Rubenstein LV, Calkins DR, Greenfield S, Jette AM, Meenan RF, Nevins M A et al. Health status assessment for elderly patients. Report of society of General Internal Medicine Task Force on Health Assessment. JAm Geriatr Soc 1989; 37(6): 562-9.
 
Fotos: Alcides Freire Melo
 

 

Eliana Novaes Procopio de Araujo

Eliana Novaes Procopio de Araujo

Psicóloga, mestre em Gerontologia pela PUC-SP, especialista em Gerontologia pela SBGG e doutoranda em Ciências da Saúde na Faculdade de Saúde Pública da USP. E-mail: eliananovaespa@hotmail.com

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