Envelhecimento: um olhar para o envelhecer

A sociedade tem o dever de fortalecer os direitos dos idosos, prevenindo a ruptura dos vínculos familiares e comunitários para um melhor envelhecer.

Simone Vieira de Moura Santos (*)

 

O mundo envelhece. A população mundial está passando por uma redução no número de crianças e jovens e um aumento proporcional no número de pessoas com 60 anos ou mais, fenômeno conhecido como transição demográfica.

Esta transição deve-se tanto à queda da taxa de natalidade quanto à mortalidade da população. A redução na taxa de natalidade populacional está associada, no Brasil, a vários fatores. A inserção da mulher no mercado de trabalho e consequentemente a migração das áreas rurais para as urbanas, o aumento do custo de vida, a melhoria no nível educacional e a expansão de acesso a campanhas de planejamento familiar fizeram com que as mulheres tivessem progressivamente menos filhos.

Aliado a essa fato, vem ocorrendo um contínuo envelhecimento da população mundial, a qual é cada vez mais longeva. Em 2005, as estimativas mostravam que a população com mais de 80 anos, principalmente em países desenvolvidos, era de cerca de 69 milhões de pessoas, sendo que este número vem crescendo progressivamente. A população mundial apresenta uma esperança de vida ao nascer a cada dia maior, apesar da alta prevalência de óbitos por doenças crônicas, violência e AIDS, esta última em determinados países do continente africano.

Estudos destacam ser o envelhecimento populacional global resultante de melhorias no setor da saúde que se iniciaram com a implantação de medidas de saúde pública, tais como saneamentos, tratamento de água, maior estabilidade aos serviços de saúde, melhorias nas condições de trabalho e nutrição, além da diminuição na incidência de doenças infecciosas. Esses fatores, aliados e avanços nas áreas farmacológicas, nas imunizações e nas tecnologias médicas de diagnósticos e tratamento, proporcionaram uma sobrevida maior no decorrer dos anos.

Além desses, questões relacionadas à ampliação do acesso à previdência social, assistência social, educação e oportunidades têm levado o mundo a envelhecer. No Brasil os idosos têm aumentado significativamente em número: de 1,7 milhões em 1940, já eram 14,5 milhões no ano 2000 e de 2012 a 2017 a população acima de 60 anos teve um crescimento de 19% passando a 30 milhões de idosos.

O aumento evidência o envelhecimento gradativo e constante na pesquisa Características Gerais dos Domicílios e dos Morados 2017 que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou. Mostra ainda o estudo que a população total foi estimada em 207,1 milhões de pessoas um crescimento de 4,2% em relação a 2012 quando havia 198,7 milhões.

As mulheres são a maioria expressiva neste grupo com 16,9 milhões (56% dos idosos) enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44% do grupo).

O levantamento indica que desconsiderando a desagregação por sexo em 2012, o grupo das pessoas com 60 anos ou mais de idade representaria 12,8% da população residente, porém, em 2017 esse percentual cresceu para 14,6%.

O envelhecimento é uma oportunidade de aprendizado

O velho como sujeito: escutá-los nas suas expectativas, compreendê-los nas suas esperanças, acolhê-los nos seus desencantos, aplaudi-los nos seus sucessos e acompanhá-los nas suas esperanças.

Somos uma sociedade que ainda cultua o novo, o belo, o jovem, deixando de lado a importância da história de vida, a experiência de uma pessoa e o quanto podemos aprender com os mais velhos. E isso deve mudar.

É preciso ter um olhar diferenciado, pois a cada ano que passa temos mais velhos em condições com e sem autonomia (tomada de decisão-liberdade de escolha com a consciência plena) e independência (ir e vir).

O indivíduo passa por transformações fisiológicas que podem ocasionar fragilidade e vulnerabilidade física, psíquica, social, cultural e de acesso. A vida tem um processo individual. O importante é que se faça da vida um sentido de viver, pois precisamos conviver e fortalecer vínculos, por meio de atividades, interesses e motivação, na construção e reconstrução de nossas histórias e vivências individuais e coletivas, na família e no meio em que convivemos.

A sociedade tem o dever de fortalecer os direitos dos idosos, prevenindo a ruptura dos vínculos familiares e comunitários. Tem o dever de estimular o protagonismo, através do acesso a informação sobre direitos e cidadania; propiciando vivências que valorizem as experiências de vida.

Referências

MANSO, Maria Elisa Gonzalez; BIFFI, Elaine Cristina Alves – Geriatria – Manual da Lepe – ed. Martinari – São Paulo – SP – 2015.

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/ – acesso 22/06/2018 – 18:54 h.

(*) Simone Vieira de Moura Santos, 49 anos, casada, 2 filhos, formada em Pedagogia pela Faculdade Sumaré, pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Faculdade UNINOVE, trabalha na Liga das Srs. Católicas de São Paulo-Liga Solidaria- ONG há 14 anos – Há 3 anos atuação no Núcleo de Convivência de Idosos. E-mail: simonevmsantos@hotmail.com

Foto de destaque: banco Imagens USP

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