Envelhecimento, trabalho docente e aposentadoria

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Questões da formação, carreira e preparo para aposentadoria com qualidade de vida para o docente precisam ser muito estudadas, principalmente depois da Reforma da Previdência que estende por mais tempo o período de trabalho ativo dos professores no país.

Rosemeire de Fátima Ferraz e Maria Angélica Batista (*)


A motivação docente para o trabalho educacional tem sido amplamente discutida no contexto da educação e, em relação aos docentes aposentados, ela pode estar diretamente relacionada a um processo de envelhecimento bem-sucedido. Este estudo objetivou identificar docentes idosos (60 anos ou mais) e docentes maduros (45 a 59 anos) aposentados e identificar os motivos para continuarem em sala de aula; nesta pesquisa foram observadas 5 (cinco) motivações: complementar a renda, aproximar-se do local de trabalho, gostar do que faz, sentir que a instituição precisa da sua presença e identificar-se com o fato de que precisa das pessoas da instituição.

O método adotado foi o descritivo e quantitativo. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram um questionário sociodemográfico para verificar o comportamento social das interações e das organizações dessa parcela pesquisada e foi utilizada a Escala de Motivação Docente – EMD, composta por 25 questões que estruturam cinco dimensões: performance, desenvolvimento, prática docente, formação continuada e inserção institucional.

Os participantes da pesquisa eram professores do Centro Paula Souza em número de 1004 de ambos os gêneros, das unidades Etecs e Fatecs, selecionados de acordo com os critérios de inclusão, maiores de 45 anos e aposentados e na ativa. Nesse universo pesquisado, 70% encontravam-se não aposentados e apenas 30% eram aposentados e na ativa. Os professores aposentados apresentaram níveis significativos de performance e inserção institucional quando comparados aos professores não aposentados.

Os resultados indicaram que, enquanto na FATEC os profissionais possuíam maiores médias em Performance (foca-se em situações de pressão e expectativa que afetam a qualidade do desempenho e a percepção de capacidades), na ETEC os profissionais possuíam maior média em Formação Continuada (refere-se à busca por qualificação e desafios como compromisso pessoal do docente). Ficou claro que os resultados da pesquisa nessa instituição de ensino podem representar uma importância na implementação de ações que contribuam para a promoção da motivação que instiga a permanência na carreira docente.

Conclui-se, com os estudos, que os participantes aposentados demonstraram estar alinhados com suas escolhas e atitudes voltadas ao crescimento e interesses pessoais do fazer docente, o que apresenta um alinhamento entre a vontade pessoal e as demandas profissionais, além de apontar a necessidade de novas pesquisas que joguem mais luz sobre essa problemática tão relevante que é a trajetória docente em instituições educacionais públicas de nível básico, técnico, tecnológico e de nível superior em nosso país. Saliente-se que os resultados deste serão divulgados na instituição pesquisada e espera-se que eles possam contribuir para processos formativos dos docentes em serviço. Também úteis para o conhecimento e na possível utilização dos gestores para o aprimoramento institucional. Assim, valorizar a formação e os professores fará com que a profissão tenha seu lugar de destaque no Brasil.

Como sugestão fica o alerta de que as questões da formação, carreira e preparo para aposentadoria com qualidade de vida para o professor precisam ser muito estudadas, principalmente agora, depois da Reforma da Previdência (12/11/2019) que estende por mais tempo o período de trabalho ativo dos professores no país.

(*) Rosemeire de Fátima Ferraz – Professora e coordenadora de projetos no Centro Paula Souza, formada em Psicologia pela Universidade Braz Cubas, com especialização em Pedagogia Empresarial pela Uninter e Mestra em Psicogerontologia pela Faculdade Educatie Hoog. Atendimento Clínico em consultório particular. E-mail: [email protected] ou [email protected].
Maria Angélica Batista – Possui Graduação em Letras e em Pedagogia, Mestrado em Educação (Psicologia da Educação) e Doutorado em Educação (Currículo) pela PUC-SP. Docente do Programa de Mestrado Profissional em Psicogerontologia pela Faculdade Educatie Hoog.

Foto destaque de Andrea Piacquadio no Pexels


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