Envelhecer Sorrindo cuida da saúde bucal e do bem-estar dos idosos

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São Paulo – As manhãs de terças e quartas-feiras no Departamento de Prótese da Faculdade de Odontologia (FO) são marcadas pela presença de idosos em busca de atendimento odontológico e também de um pouco de descontração. Enquanto estão na sala de espera, eles aproveitam para desenhar e pintar ou simplesmente colocar a conversa em dia.

Isabela Morais *


Tudo isso acontece graças ao programa Envelhecer Sorrindo que nasceu em 1999, quando se comemorou o ano internacional do idoso. No início, não houve pretensões de se levar o programa adiante. Mas a demanda foi tão intensa que em 2002 o Envelhecer Sorrindo tornou-se uma ONG e posteriormente, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.

Maria Luiza Moreira Arantes Frigerio, professora da FO e coordenadora do programa, conta que no começo dessa história os objetivos eram claramente odontológicos. Com o passar do tempo, porém, ela observou que os problemas daqueles senhores e senhoras iam além da cadeira do dentista. Certa vez, a professora presenciou uma discussão entre a mãe que estava sendo atendida e sua filha que a acompanhava. Quando a idosa revelou que desde a morte de seu marido sua vida não tinha mais significado algum, Maria Luiza percebeu: “Opa, isso não é um problema com que eu posso lidar”. Maria Luiza Moreira Arantes Frigerio, à direita, coordena o programa Envelhecer Sorrindo na FO.

Depois de estabelecer uma parceria com o Programa da Terceira Idade (Proter) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da FMUSP, o Envelhecer Sorrindo ganhou novos ares. Mais do que prestar só atendimentos com os dentistas, o programa passou a contar com atividades de arte-terapia na sala de espera. Além de diminuir a ansiedade, a arte que os pacientes desenvolvem – que incluem desenho, pintura e modelagem – também auxilia a equipe de terapeutas a notar o desenvolvimento de possíveis casos de demência, depressão ou outros distúrbios mentais.

Rita Cecília Reis Ferreira, psiquiatra do Proter, foi quem iniciou as atividades de arte-terapia no programa. Ela relata que uma das dificuldades observadas eram as alterações de comportamento durante o atendimento odontológico. Então, “baseada na minha experiência com arte-terapia, propus a criação de um grupo aberto de ateliê na sala de espera”. No início das atividades, Rita esteve presente pessoalmente na aplicação do ateliê. Hoje em dia ela supervisiona os profissionais que atuam no programa. “Por dificuldades de espaço e de aquisição de materiais temos usado no ateliê atividades de expressão plástica como desenho, pinturas com guache e tinta acrílica, colagens diversas. Poderíamos fazer modelagem com argila, fotografias e etc., mas não temos condições para isso atualmente”, ela revela.

Uma sessão de arteterapia realizada no Parque da Água Branca por ocasião da Semana de Prevenção de Quedas

E é promovendo saúde e bem-estar aos idosos que o programa realiza anualmente as Jornadas de estudos sobre o idoso e a saúde bucal. Na última edição, realizada em dezembro de 2010, o Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) esteve cheio. Maria Luiza conta que, mesmo com pouca divulgação, as jornadas costumam ser muito procuradas e por isso os lugares geralmente se esgotam com facilidade. Nas jornadas são realizadas palestras sobre a saúde em geral, mas o ponto alto – e que os idosos aguardam ansiosamente, segundo revela a professora – é a sessão de exercícios físicos. Em 2010, ao som de uma música agitada da cantora Shakira, os participantes fizeram alongamentos dentro do próprio auditório.

A arteterapia utiliza diversas expressões artísticas para explorar conflitos e ajudar nas soluções

Além da parceria com o IPq, o programa também conta com a atuação de uma fonoaudióloga que acompanha todo o processo de adaptação dos pacientes. A introdução de uma nova prótese dentária traz modificações para o idoso, pois ele terá uma “nova” boca para mastigar, falar, deglutir, respirar. A fonoaudióloga, através da aplicação de alguns exercícios, reeduca o paciente para que ele possa se alimentar, respirar e se comunicar sem dificuldades.

Um fisioterapeuta e um professor de Educação Física do Centro de Práticas Esportivas (Cepe) também garantem que o lema “Mente sã em corpo são” seja aplicado à vida dos participantes do projeto.

Serviço

O Envelhecer Sorrindo acontece no Departamento de Prótese da FO, às terças e quartas-feiras, das 8h às 12h, de fevereiro a dezembro. Mais informações estão disponíveis no local à Av. Prof. Lineu Prestes, 2.227, na Cidade Universitária, ou através do site disponível aqui

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Fonte: Revista Espaço Aberto N. 124, 7/2/2011. Disponível Aqui

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