Envelhecemos

Acordamos um belo dia e damos por conta de que envelhecemos. Nosso olhar já não é o mesmo, nosso saber, muito menos.Percebemos a distância de nosso passado e a brevidade de nosso futuro, envelhecemos. Sentimos que o despertar tem muito mais do que reclamar do relógio que nos acorda. Nos sentimos mais felizes ao notar que nos foi permitido viver mais um dia.

Fabiano Silvestre *

 

Nosso corpo, antes jovem, forte e ativo dá sinais de seus dias, envelhecemos.

Cada cicatriz tem uma história e o que é a história se não uma cicatriz de nosso tempo? O tempo, esse que quando mais jovens nem pensamos, quando mais velhos, respeitamos, envelhecemos. Ficamos menos ágeis e mais ponderados. Pensamos mais antes de fazer e muitas vezes nem fazemos. Cremos mais em Deus e menos nos amigos, olhamos mais com os olhos e menos com o coração, envelhecemos.

Respeitamos mais nossos pais, ficamos cada vez mais parecidos com eles, com o passar do tempo, envelhecemos. A cada olhar no espelho, a cada nova marca do tempo ficamos mais parecidos. Passamos a compreendê-los melhor. Quando pisamos no chão, sentimos que ele não é só para ser tocado mas deve ser visto como um “saber onde pisa”, envelhecemos, e nesse envelhecer notamos nossas vitórias como um ato cotidiano e nossas derrotas passíveis de reflexão e aprendizagem, não nos cobramos mais como antes, envelhecemos.

Passamos a ver a verdade, a liberdade e outros temas como bens relativos, a cada dia temos que conquistar nossa verdade, a cada dia temos que evoluir nosso conceito de liberdade, envelhecemos. Nossos dogmas ficam mais flexíveis, procuramos entender mais quem amamos, ser mais companheiro, mais amigo, envelhecemos.

Vemos com muita freqüência pessoas que são “descartadas” por suas famílias em asilos. Essa intolerância com o tempo é a mais sórdida demonstração de como podemos ser terríveis com a nossa própria história. O pai de ontem, a mãe de ontem, passa a não servir mais, envelhecemos. Nossas mãos ficam mais frágeis, nosso cabelo perde a beleza natural, nossa respiração têm uma cadência diferente, nossas dores acumulam-se, envelhecemos.

Entendemos que não sabemos nada a cada dia. O que sabíamos ontem não nos serve para o hoje, senão como um balizador de nossas experiências. Damos mais e mais valor para a nossa energia, passamos a entendê-la, respeitá-la e a usá-la somente quando necessário. Somos cada vez mais leão, que dorme o dia inteiro e somente emprega a força quando a presa está completamente ao seu alcance, envelhecemos. Somos cada vez menos parecidos com o mocinho do filme de ação, aquele que chuta a porta para entrar, passamos a olhar de baixo do tapete, afinal, a chave pode estar lá…

Nosso corpo passa a ser nosso aliado, precisamos dele para prosseguir. Uma máquina que necessita de nutrientes, vitaminas e muito cuidado. Quando jovens trabalhamos contra nossos “aliados”. Vive mais quem percebe mais cedo a importância da vida saudável, envelhecemos.

*Fabiano Silvestre – Jornalista, especializado em Tecnologia da informação pela Microsiga Universidade Corporativa e Intel Next Generation, Mestrando em Multimeios pela Unicamp, autor do livro 2050 – determinismo genético.

Fonte: Psicopedagogia On Line. Disponível Aqui

 

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