Entrevista: Movimento “Vidas Idosas Importam”, com Crismédio Costa

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O Movimento Vidas Idosas Importam surgiu para mostrar à sociedade o rosto, a vez e a voz da diversidade das pessoas idosas e dos ativistas da causa da longevidade.


Crismédio Costa, natural de Arapiraca, Alagoas, passou boa parte de sua vida em Major Isidoro, alto sertão alagoano. Pai de Carlos Eduardo e de Francisco, desde 2008, a convite da inesquecível médica e defensora das crianças e das pessoas idosas, doutora Zilda Arns, vem atuando na causa do envelhecimento humano. Crismédio é formado em sociologia e psicanálise, especializou-se em gerontologia, saúde pública, direitos humanos e psicologia social. Hoje é membro do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa Idosa (IBDPI), da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG) e grande promotor do movimento nacional Vidas Idosas Importam, do qual o Portal do Envelhecimento e Longeviver faz parte com muito orgulho.

Entre 2014 a 2018 exerceu a função de Conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa. Por seu ativismo, foi condecorado com várias honrarias, entre elas títulos de cidadania e de doutor honoris causa. Atualmente se dedica à gerontologia e ao movimento nacional Vidas Idosas Importam, idealizado por ele durante a pandemia do Covid-19, que ceifou inúmeras vidas em todo o planeta.

A fim de se conhecer um pouco mais sobre o Movimento Vidas Idosas Importam, o Portal do Envelhecimento fez uma entrevista com Crismédio Costa, seu idealizador.

Crismédio, o que te levou a impulsionar o movimento Vidas Idosas Importam?

Considero a velhice diversa e importante. E, diante das múltiplas faces do envelhecimento, achei necessário um movimento híbrido que impulsionasse e assegurasse a inclusão, a valorização e a visibilidade das pessoas idosas e suas realidades, daí veio a inspiração em plena pandemia de criar o movimento nacional Vidas Idosas Importam.

Fale um pouco do Movimento, a que ele veio?

O Movimento Vidas Idosas Importam surgiu para mostrar à sociedade o rosto, a vez e a voz da diversidade das pessoas idosas e dos ativistas da causa da longevidade. A espinha dorsal do Movimento é justamente os milhares de ativistas dos direitos humanos da pessoa idosa espalhados por todo o Brasil, pessoas idosas e profissionais de diversas áreas, tanto do setor público quanto privado. São inúmeras e extraordinárias iniciativas que nos chegam como motivação para continuar lutando contra todas as formas de preconceitos existentes sobre as pessoas idosas. O nosso foco é acolher e respeitar cada vida idosa. O ativismo está chegando e atuando com força em comunidades, instituições públicas e privadas, municípios e estados, cada ação traz resultados positivos e motivacionais. Um ano após ter sido criado fico comovido com a dedicação de tantas pessoas construindo pontes de amor, justiça e paz pelo Brasil afora.

Por falar nisso, quando foi que nasceu o Movimento, e quais os feitos e desafios?

O Movimento nasceu no dia 10 de dezembro de 2020, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Atualmente já são mais de 12 mil pessoas envolvidas na causa das pessoas idosas a partir das mobilizações, debates, lives e materiais produzidos. O Movimento também criou o selo Direitos Humanos da Pessoa Idosa. Bem, manter o ativismo atento, atuante e motivado é um grande desafio, como também as pautas sobre questões do envelhecimento humano no século XXI. Acredito que o Brasil precisa encarar e acolher a velhice de forma positiva, vendo-a como um triunfo, um prêmio e não como um peso, um fardo.

Concordo totalmente, estamos no Portal há quase 20 anos justamente para combater essa ideia errônea da velhice e contribuir com informações qualificadas sobre esta etapa da vida. Mas, voltando à nossa entrevista, quem hoje faz parte? E se alguém se interessar, como entrar no Movimento?

Muita gente, de todas as idades e regiões do Brasil, hoje fazem parte do Movimento. Cada semana recebemos notícias de atividades realizadas pelos ativistas em prol da dignidade das pessoas idosas. Para fazer parte basta vir e acolher a causa! Temos as nossas redes sociais, email. É possível buscar mais informações sobre a nossa causa e ações em: @vidasidosasimportam.br – [email protected]

Você gostaria de acrescentar algo mais Crismédio?

Sim, pois sonho com uma gerontologia em saída, comunitária, expandindo para além das paredes e discussões acadêmicas. Uma gerontologia que aqueça o coração das pessoas idosas com entendimento, presença e proximidade. Eu acredito que as sociedades humanas serão melhores, se souberem acolher os carismas, o sentido e o valor das múltiplas faces das velhices.

Serviço

Movimento Vidas Idosas Importam
E-mail: [email protected]
Instagram: @vidasidosasimportam.br

Fotos: Arquivo pessoal

Atualizado às 20h01 de 01/11/2021


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Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. Estudiosa do Envelhecimento e Longevidade desde 2000. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação, e é pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE), ambos da PUC-SP. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Latinoamericana de Psicogerontologia (REDIP). E-mail: [email protected]

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