Entrevista com Pedro Bandeira

Tempo de Leitura: 4 minutos

Amadureçamos com os livros! Usemos a Literatura como alívio para nossas dores e aflições! Sejamos mais felizes com os sonhos e as esperanças que a Literatura nos oferece!

Paula Akkari (*)


Pedro Bandeira é um dos maiores nomes da literatura infantil e infantojuvenil. Vovô Pedro nasceu em 1942, em Santos; mudou-se para São Paulo em 1961. Além de atuar na área da publicidade, trabalhou em teatro como ator, diretor e cenógrafo. Suas primeiras histórias foram publicadas em 1972. A partir de 1983, foi exclusivamente escritor. Em 2020, aos 78 anos, ingressou no mundo digital com seu canal no YouTube (Pedro Bandeira) e perfil no Instagram (@eupedrobandeira). 

Pedro, o senhor escreve e conta histórias há quase quatro décadas. O seu processo criativo permaneceu o mesmo? Como ele é hoje?

O tempo e a prática ensinam demais. Desde o início, como não sou pedagogo nem psicólogo, pois o que cursei foram as Ciências Sociais e sempre trabalhei como jornalista e redator, tive de estudar, pesquisar muito, errar e corrigir o tempo todo. Tudo tem de evoluir, não é, querida? Hoje acabei me tornando um especialista em Psicologia do Desenvolvimento.

A Turma dos Karas compõe as melhores lembranças da minha infância. Foi um presente da minha mãe, que por sua vez leu na escola. Hoje, indico para as crianças da família. E esse é o caso de muito mais leitores. Como é saber que três gerações já são marcadas por suas narrativas, e ainda muitas outras o serão?

Esse é um prazer indescritível! Até hoje tenho amigas que me escreveram em 1984 e que continuam comigo até hoje. Já dediquei livros aos filhos de minhas leitoras e recebo fotos deles, para acompanhar-lhes o crescimento. Essas crianças são minhas netinhas do coração. Uma delas, a Júlia, uma linda Julinha, já é bailarina do Municipal do Rio com apenas 15 anos! Tenho um antigo leitor que é um importante cientista que é chamado para fazer trabalhos na França e nos Estados Unidos. Meus filhotes-leitores e meus netinhos me enchem de orgulho!

O senhor percebeu mudanças no mercado de livros, nas escolas e nas conversas com seus leitores ao longo destes anos?

Talvez eu tenha mudado mais do que eles, mas continuo lutando para conseguir melhoras na educação brasileira. Hoje todos têm vagas nas escolas, mas os resultados são ruins, pois continuamos mal colocados nas pesquisas sobre educação no mundo todo. Temos ainda muito trabalho pela frente!

O que acha de audiolivros e e-Books?

São novas plataformas muito bem vindas. Não importa onde se leiam as histórias, porque elas sempre terão de ser criadas por alguém!

Sou espectadora do seu canal no YouTube e seguidora no Instagram, amo suas postagens! Como foi a decisão de produzir conteúdo digital? Quais são os prazeres e as dificuldades deste trabalho?

Eu sempre tive dificuldades em usar as mídias sociais. Só agora, depois de tanto tempo, ajudado (muito ajudado!) pelo meu filho, comecei a entrar nesse mundo digital. Meu filho e a equipe preparam tudo, eu só participo das gravações. Está sendo bem legal, porque isso aumentou meu contato com os leitores, cujo exemplo é este contato consigo.

O senhor costuma finalizar os vídeos com a esperança de um futuro melhor. Para nos motivar ainda mais, pode falar sobre um bom cenário e o que devemos fazer, hoje, para nos aproximarmos dele?

Minha querida, precisamos conscientizar as famílias para auxiliarem o trabalho da escola para que o desempenho escolar das crianças possa melhorar. Isso é o que acontece em países da Europa e principalmente no Oriente, onde as famílias das crianças acompanham pessoalmente e incentivam o aprendizado de seus filhos. É preciso que essa cultura brasileira de deixar todo o trabalho de aculturamento à cargo da escola modifique-se, com a família lendo histórias para os pequenos, comprando livros para eles, ajudando-os nos trabalhos escolares e tudo o mais, como fazem países como a Coreia do Sul, o Japão e a China.

Por fim, queria que o senhor deixasse um recado a leitores e escritores jovens! 

Queridos, é preciso alimentar nossa sensibilidade como alimentamos nosso corpo. Precisamos ler e compreender bem o que lemos. Sonhemos junto com os autores, soframos os problemas das personagens como se fôssemos elas, sem termos de passar verdadeiramente por suas confusões! Amadureçamos com os livros! Usemos a Literatura como alívio para nossas dores e aflições! Sejamos mais felizes com os sonhos e as esperanças que a Literatura nos oferece!

Para conhecer um pouco mais

(*) Paula Akkari – Estudante de Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. E-mail: aulinha.akkari@gmail.com

Imagem de destaque: Wikipédia


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